NOTÍCIAS
13/03/2019 19:19 -03

Compartilhar vídeos e imagens dos mortos no massacre em Suzano é crime

É mais do que um desrespeito às vítimas e familiares. É uma humilhação.

O massacre que aconteceu na manhã desta quarta-feira (13) em Suzano, na Grande São Paulo, mostrou toda a crueldade humana em suas diversas faces ― e uma delas está nas redes sociais. 

Ao escrever “vídeo” na busca do Twitter, lá estão os termos mais buscados: “video escola”, “video suzano”, video atiradores”, entre outros. 

Twitter/Reprodução
Usuários do Twitter querem assistir ao vídeo dos mortos em Suzano.

No Google, não é diferente: “video escola suzano” é um dos termos mais procurados nesta quarta-feira. 

Nessas rápidas buscas, é fácil encontrar vídeos de poucos segundos que mostram adolescentes caídos no chão, rodeados por poças de sangue. Em outras imagens, é possível ver o rosto dos adolescentes e profissionais já sem vida, na escola, enquanto outros corriam para se esconder.

Além de serem compartilhados livremente, estes vídeos não têm qualquer filtro ou tarja que escondam a identidade das vítimas.

E não são só usuários das redes sociais; grandes veículos de comunicação também exploram as imagens sem qualquer filtro a não ser a advertência “Atenção, cenas fortes”. Essa chamada acaba, na verdade, aumentando a curiosidade de seus leitores e conseguindo mais “cliques”. 

Não é apenas um desrespeito compartilhar vídeos e fotos das vítimas na cena do crime, já sem vida e com sangue. Esse tipo de postagem também pode configurar crime, pois ocorre o vilipêndio do cadáver, conforme determina o artigo 212 do Código Penal.

“Todo crime tem por trás de si um bem. No homicídio, se protege a vida. No vilipêndio, se protege o sentimento religioso das pessoas, dos familiares”, explica o advogado Eduardo Reale Ferrari, doutor em Direito Penal pela USP e professor da FGV em São Paulo.

Reale destaca ao HuffPost que o vazamento de vídeos do cantor Cristiano Araújo, morto em 2015 vítima de um acidente de carro, gerou condenações judiciais.

“Quando você expõe na mídia um corpo de uma pessoa que faleceu, isso é uma humilhação e atinge a família”, conclui.

Portanto, para não causar mais sofrimento às famílias e dar o devido respeito às vítimas desta tragédia, não poste, não busque e nem compartilhe estas imagens. 

Massacre em Suzano

Guilherme Taucci Monteiro e Luiz Henrique de Castro eram ex-alunos da Escola Estadual Raul Brasil. O mais jovem tinha sido expulso em 2018 do colégio após ter “problemas”, segundo o secretário de Segurança Pública de São Paulo, general João Camilo de Campo.

Entre as vítimas que morreram, estão 5 estudantes: Kaio Lucas, Cleiton Antônio Ribeiro, Caio Oliveira, Samuel Melquíades Silva de Oliveira e Douglas Murilo Celestino - este último morreu a caminho do hospital. As idades não foram divulgadas, mas os jovens teriam entre 15 e 17 anos.

Também foram assassinadas a coordenadora-pedagógica da escola, Marilena Ferreira Vieira Umezo, e a agente de organização escolar Eliana Regina de Oliveira Xavier.

Galeria de Fotos Massacre em escola de Suzano (SP) deixa 10 mortos Veja Fotos