ENTRETENIMENTO
10/02/2020 16:40 -03 | Atualizado 10/02/2020 17:34 -03

Conheça a mulher por trás do sucesso de 'Parasita' e do cinema sul-coreano

Miky Lee encantou a todos no discurso de entrega do histórico Oscar de Melhor Filme para "Parasita".

Kevin Winter via Getty Images
A produtora executiva de "Parasita", Miky Lee faz uma verdadeira declaração de amor ao diretor Bong Joon-ho na festa do Oscar 2020.

A 92ª edição do Oscar caminhava a seu final com pouco brilho e ainda menos surpresas até que a veterana estrela de Hollywood, Jane Fonda, anunciou o sul-coreano Parasita como o vencedor do grande prêmio da noite, o de Melhor Filme. Foi um feito histórico, pois até aquele momento, nenhum filme não falado em inglês havia conquistado a tão cobiçada estatueta desde que o Oscar foi criado, em 1927. 

Tão atônitos e felizes quanto a plateia no Teatro Dolby e muitos espectadores do mundo todo que assistiam a cerimônia pela TV, o elenco, o diretor Bong Joon-Ho - que antes já havia ganhado nas categorias de Melhor Direção, Roteiro Original e Filme Internacional - e os produtores de Parasita subiram ao palco sem acreditar muito no que estava acontecendo.

Depois de algumas palavras da produtora Kwak Sin Ae, que comentou como aquele prêmio para um filme sul-coreano - ainda mais com a história de Parasita - era tão oportuno para o momento de divisão e ódio em que o mundo vive, uma senhora baixinha ali no meio do grupo chamou a atenção.

Era Miky Lee. Pouca gente sabia até aquele momento quem ela era, mas muitas pessoas ficaram encantados com a descrição que fez de Bong Joon-ho: “Gosto de tudo nele. Seu sorriso, seu cabelo maluco, o jeito que ele fala, o jeito que ele anda e principalmente o jeito que ele dirige. Sem você e nosso público, não estaríamos aqui.”

Lee é ninguém mais, ninguém menos que a toda-poderosa da indústria do entretenimento na Coreia do Sul. Produtora executiva de Parasita e vice-presidente da CJ Entertainment, essa executiva de 61 anos é a grande mecenas das artes em seu país e parceira de longa data de  Joon-ho.

“A vice-presidente Lee é uma grande fã de cinema, TV e música”, disse o cineasta em entrevista ao The Hollywood Reporter. “Ela é uma verdadeira cinéfila que já assistiu a tantos filmes e conseguiu trazer essa paixão fanática ao mundo dos negócios”, completou.

“Eu costumava carregar DVDs e levá-los à Warner, Universal, Fox, qualquer estúdio com quem tivesse a chance de apresentar filmes coreanos. Ninguém achava que nossos filmes eram bons o suficiente para fazer sucesso nos Estados Unidos”, revelou Lee na mesma reportagem. Mas aí Old Boy, de Park Chan-Wook conquistou o Grand Prix do Festival de Cinema de Cannes em 2004 e tudo mudou. “A partir de então, não precisava mais ter que ficar me justificando para os executivos desses grandes estúdios”, explicou.

Lee, também um dos nomes por trás do mega sucesso do K-Pop no resto do mundo (ela foi uma das descobridoras do grupo BTS), começou como produtora executiva - ou seja, quem realmente banca um filme - da animação Blade of the Phantom Master, em 2004, mas logo passou a financiar produções de diretores de peso, como Park, Bong Joon-ho e Hong-jin Na (O Caçador, The Yellow See, O Lamento).

Com Park, trabalhou no último filme da trilogia da vingança, Lady Vingança (2005), filme que veio logo em seguida do imenso sucesso de Old Boy, I’m a Cyborg, But That’s OK, de 2006 (inédito no Brasil), Sede de Sangue (2009) e A Criada (2016).

Já com Bong, a parceria começou logo no segundo longa do cineasta, Memórias de um Assassino (2003), filme que marcou sua estreias em Cannes e que lhe rendeu o primeiro prêmio de direção em um festival no ocidente, em San Sebastian (na Espanha). 

A partir daí, ela financiou todos os filmes de Bong com exceção de Okja (2017), que é uma produção original da Netflix: O Hospedeiro (2006), Mother - A Busca Pela Verdade (2009), Expresso do Amanhã (2013) e Parasita, que, além do histórico Oscar, é o filme não falado em inglês com maior bilheteria americana na história, faturando mais de US$ 35 milhões.

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