LGBT
14/06/2020 20:58 -03 | Atualizado 15/06/2020 13:13 -03

Manifesto pela democracia, debates e shows marcam 1ª Parada LGBT online

O evento, que acontece desde 1997 e reúne cerca de 3 milhões de pessoas em São Paulo, precisou se adaptar devido à pandemia de covid-19.

“Estamos ocupando esse espaço de expressão virtual. Você que está aí, está participando da Parada agora, estamos fazendo valer a nossa voz”.

Foi com um manifesto a favor da democracia e pedindo para que todos imaginassem a Avenida Paulista repleta de cores como em todos os anos anteriores que Claudia Garcia, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT, abriu a 1ª Parada Online neste domingo (14).

“O nosso tema esse ano é democracia, exatamente por causa de tudo que está acontecendo. Imaginem que vocês estão na avenida Paulista, vamos gritar por democracia, contra a homofobia, contra o racismo”, continuou Regina, sem citar eventos recentes ou o nome do presidente Jair Bolsonaro.

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O evento, que reúne 3 milhões de pessoas todos os anos desde 1997 em São Paulo e ganhou o título de maior do gênero no mundo, precisou se adaptar devido à pandemia do novo coronavírus. À distância, influenciadores, ativistas, artistas nacionais e internacionais, conduziram uma live durante 8 horas, que estimulou o debate sobre a causa LGBT mesmo durante o isolamento social.

Assim que Claudia “abriu o evento”, a drag queen Tchaka, responsável pelo primeiro trio elétrico da Parada na rua, fez uma contagem regressiva. Em seguida, a cantora Ellen Oléria cantou Flutua, conhecida na voz de Liniker e Johnny Hooker cuja letra diz que “ninguém vai nos dizer como amar”. Ela estava no alto de um prédio e com uma bandeira gigante LGBT como cenário. 

Reprodução/YouTube
Ellen Oléria, em abertura da Parada LGBT de São Paulo durante isolamento social.

Fih e Edu, do canal Diva Depressão, conduziram o evento, juntamente com os youtubers Lorelay Fox, Mandy Candy, Jean Luca, Nátaly Neri, Louie Ponto, Spartakus Santiago, e Herbertt e Fernanda, do Canal das Bee. 

Durante a live, realizada em parceria com o YouTube e o Dia Estúdio, os apresentadores receberam convidados e debateram desde conquistas da comunidade LGBT até racismo, homofobia, cura gay e aceitação. 

“Me identifico com várias pautas da comunidade LGBT”, disse Thelma Assis, vencedora do BBB20, ao conversar com os youtubers Nataly Neri e Spartakus Santiago. Ela falou sobre a identificação com Marielle Franco e, ao final, disse que as pessoas brancas devem se envolver na luta antirracista - citando as manifestações nos Estados Unidos devido à morte de George Floyd.

“Em uma população em que a maioria das pessoas são pretas, por que nesse ambiente não encontramos na mesma proporção pessoas pretas? E a gente não está aqui para falar só sobre racismo, tem gente para falar sobre tudo. Racismo também é um problema das pessoas brancas.”

Além de Ellen Oléria, shows de Pepita, As Bahias e a Cozinha Mineira, Mel C e Liniker foram transmitidos na live. “Nesse momento tão estranho, a gente precisa tentar não perder a esperança e as pontes que a gente constrói nesse país tão violento que é o nosso”, disse Liniker ao final do show remoto.

Já Mel C, do grupo Spice Girls, foi entrevistada pela drag queen Lorelay Fox, mandou um recado para seus fãs brasileiros. “Se cuidem. Vamos todos ficar pensando na festa que faremos quando tudo isso acabar. E vamos nos apoiar nesse momento.”

Reprodução/YouTube
Lorelay Fox entrevista Mel C em live da Parada LGBT.

A exemplo da Parada de 2019, que aconteceu pela primeira vez sob o governo do presidente Jair Bolsonaro, conhecido por histórico de declarações homofóbicas, a transmissão online do evento trouxe tom político.

Em uma de suas interações que contou parte da história de personagens históricos do movimento LGBT, Louie Ponto explicou, de forma didática, o que por que a democracia deve ser defendida por todos. 

“Não quer dizer que a democracia, como sistema, seja um problema. Mas deve ser para todos. Embora vivamos um regime democrático, não garante lazer, educação para todos, permite o genocídio das populações pobres, indígenas e LGBT. Sem diversidade, não existe democracia”.

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, que já participou de edições presenciais da Parada LGBT em outros anos, parabenizou a organização pela realização do evento online diante da pandemia. “Quero parabenizar a organização da parada e dar boas vindas a você que veio para São Paulo, ainda que virtualmente”.

Covas disse que, neste ano, a prefeitura iluminou prédios históricos com as cores da bandeira LGBT, “para dar um pouco do clima dessa grande festa”.

“Queria também parabenizar a escolha do tema democracia, nunca foi tão importante. Pessoas tiveram que morrer para a gente falar o que pensa na cidade de São Paulo. Viva a diversidade, vida a democracia”, completou.

Durante o evento, membros da APOGLBT também apareceram em vídeos lembrando que o evento também é uma forma de arrecadar doações para entidades que trabalham no apoio a população LGBT que está em situação de vulnerabilidade. O projeto “Rede Parada Pela Solidariedade”, da ONG, já realizou mutirões de distribuição de marmitas e kits de higiene pessoal.

Marcas como Bradesco, Natura, TIM, Avon, The Body Shop e Doritos patrocinam o evento online neste ano. Nas redes sociais, o público interagiu com a hashtag #ParadaSPAoVivo e o destaque ficou com os intérpretes de libras que roubaram a cena na transmissão do evento.

Daniela Mercury e Gloria Groove estão entre os shows que encerraram a noite. Ao fim do evento, celebridades como Ricky Martin e Katy Perry enviaram depoimentos, assim como Pabllo Vittar.