LGBT
19/03/2020 13:25 -03 | Atualizado 21/05/2020 16:50 -03

Parada LGBT de 2020 é adiada para o mês de novembro devido ao surto de coronavírus

Evento reúne cerca de 3 milhões de pessoas em São Paulo e, por isso, é considerado a maior festa LGBT do mundo.

Devido ao surto do novo coronavírus na cidade de São Paulo, a 24ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo foi adiada para 29 de novembro de 2020*. A festa, que é considerada o maior evento LGBT do mundo, reúne cerca de 3 milhões de pessoas todos os anos e estava prevista para ocorrer no dia 14 de junho.

Em meio à pandemia e diante das orientações dos órgãos oficiais de saúde, a ONG APOGLBT (Associação da Parada do Orgulho LGBT) de São Paulo se reuniu na noite desta quarta-feira (18) e decidiu alterar a data da festa.

Todos os eventos que acontecem em torno da Parada, como o Prêmio Cidadania e Feira Cultural da Diversidade, por exemplo, também tiveram suas datas alteradas. Veja o novo calendário:

Programação do novo mês LGBT em São Paulo

23/11/2020 – Coletiva de Imprensa

 

27/11/2020 – Prêmio Cidadania em Respeito a Diversidade

 

28/11/2020 – Feira Cultural da Diversidade 

 

29/11/2020 – 24ª Parada LGBT+ de São Paulo.

Tanto o prefeito Bruno Covas, quanto o governador João Doria (PSDB), nesta semana, proibiram a realização de eventos com mais de 500 pessoas após o aumento de casos do coronavírus em São Paulo.

A recomendação é que todos os eventos esportivos, artísticos, culturais, políticos, científicos, religiosos e comerciais com concentração próxima de pessoas e expectativa de público acima de 500 pessoas sejam suspensos.

O estado de São Paulo registrou três mortes pelo novo coronavírus na última quarta-feira (18) e passou a ter quatro vítimas fatais da doença, segundo dados mais recentes da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo.

Segundo a secretaria, as vítimas são homens, com idades de 65, 81 e 85 anos. Todos foram atendidos em hospital privado da capital, mas o nome do estabelecimento não foi revelado. O paciente de 81 anos é morador de Jundiaí e os demais da capital.

Apesar da alta capacidade de disseminação do novo coronavírus, em cerca de 80% dos casos de contaminação, os sintomas aparecem de forma leve. Menos de 5% dos casos evoluem para um quadro grave. A principal preocupação é com idosos e pessoas com doenças crônicas. Em infectados com menos de 50 anos, a taxa de mortalidade é de menos de 1%.

ASSOCIATED PRESS
Apesar da alta capacidade de disseminação do novo coronavírus, em cerca de 80% dos casos de contaminação, os sintomas aparecem de forma leve.

Em 2019, a Parada ocorreu sob o governo Bolsonaro pela primeira vez e, por isso, a expectativa sobre como os participantes se posicionariam em relação ao presidente, conhecido por histórico de declarações homofóbicas, era grande.

Mas a grande maioria dos participantes, e na maior parte do percurso da Parada, preferiu não fazer de Bolsonaro o centro do movimento. O recado geral dos LGBT foi claro: o protagonismo é deles, e não há volta para o “armário”.

Ano passado, as revoltas de Stonewall - que deram pontapé para manifestações LGBTs em todo o mundo - completaram 50 anos e a Parada se tornou uma grande celebração dos movimentos por reivindicação de direitos.

Segundo levantamento feito pela Secretaria Municipal de Turismo, por meio do Observatório da Secretaria de Turismo, o evento realizado na Avenida Paulista reuniu cerca de 3 milhões de pessoas e movimentou R$ 403 milhões. 

Ainda conforme a pesquisa, a Parada registrou aumento de 78% no número de visitantes em relação à 2017, último ano em que o estudo foi realizado. Nesses dois anos, o número de não residentes que participaram do evento na cidade subiu de 24,3% para 43,4%.

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Evento realizado na Avenida Paulista reuniu cerca de 3 milhões de pessoas e movimentou R$ 403 milhões em 2019.

Para 2020, o tema escolhido foi “Democracia”. E o slogan do evento escolhido foi “Sejamos o pesadelo dos que querem roubar nossa Democracia”. Mesmo com a alteração da data, o tema se mantém, segundo os organizadores.

“Estamos em um momento que exige por parte da sociedade organizada uma ação coletiva. A APOGLBTSP, organizadora da maior manifestação social e por direitos humanos de rua e que luta por igualdade, diversidade, direitos humanos e por democracia no Brasil vem a público conclamar todas as organizações que têm apreço pelo regime democrático e aos princípios fundamentais a unir forças”, diz texto do manifesto dos organizadores.

*Inicialmente o evento estava marcado para acontecer no dia 22 de novembro. Mas foi alterada para o dia 29 “em função das alterações dos próximos feriados de julho e novembro pelo governo do estado de São Paulo”, diz comunicado. Para continuar a celebrar o orgulho no mês de junho, a organização da Parada LGBT realizará evento online no dia 14.

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