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10/10/2019 03:00 -03

Paola conta por que jurados esculacham participantes no MasterChef

Jurados do MasterChef afirmam que não se arrependem de suas decisões e que a profissão de cozinheiro é "pauleira".

Uma das marcas registradas do programa MasterChef Brasil é, sem dúvida, a crítica dura e objetiva dos jurados Paola Carosella, Henrique Fogaça e Erick Jacquin aos participantes que competem sob pressão para conquistar o disputado troféu MasterChef. 

Os gritos, as broncas e esporádicas humilhações, vira e mexe, se tornam queixa dos telespectadores, que dizem que o comportamento dos chefs é grosseiro. Mas os chefs que comandam o programa discordam. 

Durante a entrevista coletiva de estreia do MasterChef - A Revanche, que será transmitido na próxima terça-feira (15) na Band, Paola, Fogaça e Jacquin afirmaram que ser duro com cozinheiros é algo natural na profissão e que eles nunca se arrependeram de uma crítica ou decisão tomada no programa. 

Divulgação/Band

“O público prefere muito mais o personagem [participante] do que a gente, então acha que não é legal, mas é a comida. A gente não tem preferência, a minha consciência está tranquila. Se eu disse que é ruim [o prato apresentado], é porque é ruim e ponto final. Nunca me arrependi”, disse Erick Jacquin aos jornalistas. 

Questionados sobre como criticar sem desestimular os participantes, os três jurados foram diretos: isso não existe no mundo da gastronomia. “Vou dizer para você que a vida é feita de trancos e barrancos e ao participante que errou. O cara fez errado, vou ser objetivo, não vou ficar de firula para ele não se sentir ofendido”, explicou Fogaça. “A vida é porrada, mano.”

Já Paola explicou que eles não perdoam erros porque a profissão é assim. “Nosso serviço é pauleira. Nossa profissão é uma religião, e acho que uma das coisas que o MasterChef trouxe e que ainda não se entende muito é que ele traz em diferentes espaços e em diferentes momentos tudo o que acontece no mundo da gastronomia. Eles estão cozinhando lá com tempo, tem que sair agora, a comida tem que ser para agora. Representa muito como é em uma cozinha”, disse. E acrescentou:

“Desde que estou nessa profissão, fiz as contas e são 29 anos de cozinha, aqui para mim lembra muito mais uma avaliação que o cliente faz ao chef ou para o dono, do que o próprio chef faz para o cozinheiro. Quando desço no salão e alguém desce a lenha no prato que eu fiz, que esqueci de colocar o sal ou que minha sobremesa poderia ser esquecível, essa dureza faz parte da nossa profissão desde sempre. Aqui é 50 vezes mais mole.”

Segundo a cozinheira, nenhum chef vai ser compreensivo ou paciente com o cozinheiro se ele errar constantemente um prato. “Se você tem um restaurante com 150 lugares, um monte de gente comendo, tem tempo para servir, tem fila de espera para comer, tempo para atender, e o cozinheiro da sua praça erra pela terceira vez, você acha que o chef vai falar: senta aqui comigo que a gente precisa conversar sobre essa salada que você temperou errado. Não é assim.” 

Para Jacquin, a sinceridade nas críticas faz parte também do programa. “Por isso que tem emoção. É mais difícil falar a verdade para pessoa, tem mais emoção”, conclui. 

Já a apresentadora Ana Paula Padrão, que mediava a conversa, acrescentou que o programa tem regras claras que todos concordaram, e que os jurados não fazem concessões para determinados cozinheiros. “Não tem isso. Não está bom [o prato], vai embora.”