NOTÍCIAS
11/03/2020 13:57 -03 | Atualizado 15/05/2020 15:28 -03

OMS declara pandemia do novo coronavírus

Com o novo status, a OMS direciona os esforços dos países não para a detecção de novos casos, mas para prevenção de mortes.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) declarou nesta quarta-feira (11) que há uma pandemia do novo coronavírus. Com isso, mudam os protocolos com os quais os países são orientados a tratar os casos de infecção.

“Estamos profundamente preocupados com os níveis alarmantes de disseminação e severidade e com os níveis alarmantes de inação. Por isso, avaliamos que o Covid-19 pode ser caracterizado como uma pandemia”, afirmou o diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus.

FABRICE COFFRINI via Getty Images
"Estamos profundamente preocupados com os níveis alarmantes de disseminação e severidade e com os níveis alarmantes de inação”, afirmou o diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Países como o Brasil pressionavam a organização a mudar o status da doença de epidemia para pandemia para ter mais liberdade sobre vigilância e preparo dos atendimentos. A OMS, no entanto, hesitava.

Ao declarar a mudança no status da dispersão do vírus, reconhece-se um cenário em que os esforços para o controle da propagação do vírus não obtiveram efeitos.

Em termos práticos, ao declarar uma pandemia, a OMS direciona os esforços dos países não para a detecção de novos casos, mas sim à fase de mitigação: adotar medidas para evitar mais mortes. 

O que é  uma pandemia

O conceito de pandemia é usado quando uma doença infecciosa ameaça em larga escala a população de forma simultânea em todo o mundo. A última pandemia enfrentada foi a gripe suína, em 2009. Mas é importante lembrar que a humanidade enfrenta pandemias há centenas de anos. A primeira que se tem registro data de 1580, quando um vírus influenza se espalhou pela Ásia, África, Europa e América do Norte.

O principal fator para se conceituar uma pandemia é a sua característica geográfica, e não necessariamente da gravidade da doença. 

No Brasil

Após a declaração de pandemia, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, reforçou os conselhos para que as pessoas usem álcool em gel e evitem cumprimentos próximos. Orientou que quem for fazer alguma cirurgia eletiva (aquelas que não precisam de urgência, como plásticas estéticas e bariátrica) que deixe para fazer daqui uns meses. Disse ainda para que pacientes com sintomas procurem postos de saúde, em vez de unidades de pronto-socorro. “A maioria dos casos não são graves”, enfatizou o ministro. “É momento de rever os planos de contingência”, completou.

Ele ressaltou que o vírus tem baixa letalidade, mas capacidade de derrubar o sistema de saúde. “Quanto mais alta a espiral do vírus (disseminação de casos confirmados), mais as pessoas acionam os sistemas de saúde. (...) É preciso fazer bom uso do sistema de saúde, dos kits de diagnóstico e de aparelhos de respiração assistida. (...) Os testes devem ser guardados para pacientes graves.” O grupo a ser protegido, destaca Mandetta, é o de idosos e pessoas com doenças crônicas.

Aos deputados, ele orientou a disciplinar o atestado médico e a alta no trabalho. Para o ministro, é contraproducente e sobrecarrega o sistema de saúde pedir para uma pessoa com sintomas de gripe ir ao médico “pedir um papel” para entregar no trabalho.