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03/02/2020 10:31 -03 | Atualizado 11/02/2020 15:22 -03

Como outros países estão lidando com o surto de coronavírus

Estados Unidos, Rússia, Singapura e Austrália limitaram entrada de estrangeiros.

Como reação ao surto do novo coronavírus no mundo, países têm anunciado medidas para restringir a circulação de pessoas. O governo russo declarou nesta segunda-feira (3) que pode expulsar estrangeiros infectados. Já os Estados Unidos proibiram a entrada de não residentes vindos da China.

De acordo com o relatório mais recente da OMS (Organização Mundial da Saúde), divulgado neste domingo (2), até o momento foram confirmados 14.557 casos da doença, sendo 14.411 na China, que registrou também 304 mortes. Fora do país asiático, foram confirmados 146 casos em 23 países e registrada uma morte, nas Filipinas.

Além da China, a lista de países com pessoas infectadas inclui Japão, Coreia, Vietnã, Singapura, Austrália, Malásia, Camboja, Filipinas, Tailândia, Nepal, Sri Lanka, Índia, Estados Unidos, Canadá, França, Finlândia, Alemanha, Itália, Rússia, Espanha, Suécia, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos.

ASSOCIATED PRESS
Segundo OMS, até o momento foram confirmados 14.557 casos da doença, sendo 14.411 na China, que registrou também 304 mortes. Fora do país asiático, foram confirmados 146 casos em 23 países e registrada uma morte, nas Filipinas.  

Na China continental, a luta para conter a propagação da epidemia continua. Autoridades de saúde locais afirmam que o número de vítimas que morreram já ultrapassou oficialmente o total de mortes causadas pela epidemia de Sars em 2003 no país.

Para lidar com o crescente número de infecções, foi construído em um período de poucos dias um novo hospital em Wuhan, cidade epicentro do surto. O hospital foi entregue a uma equipe médica do Exército chinês no domingo. No entanto, o país ainda enfrenta uma escassez de médicos e instalações médicas na região.

Ao mesmo tempo, a segurança foi intensificada nas cidades em toda a China, especialmente em locais com aglomerações de pessoas como estações de metrô e entrada de prédios. A temperatura corporal das pessoas está sendo medida como uma forma de proteção. 

Rússia e Estados Unidos limitam entrada de estrangeiros

Na semana passada, o governo russo anunciou o fechamento da fronteira com a China e a redução das conexões entre os dois países. A Rússia registrou até o momento dois casos de contágio em cidadãos chineses, que foram colocados em isolamento.

“Uma ordem foi assinada hoje e entrou em vigor. Informaremos a todo o mundo as medidas adotadas para fechar a fronteira no Extremo Oriente”, anunciou o primeiro-ministro, Mikhail Mishustin, citado por agências russas, na última quinta-feira (30).

No dia anterior, as companhias aéreas British Airways, Lutfthansa e Lion Air suspenderam todos os voos para a China continental. A American Airlines, United Airlines, Cathay Pacific Airways e Ural Airlines suspenderam ou modificaram os programas de voo devido à epidemia.

Nesta segunda, o governo chinês criticou a postura do governo americano. “Foi o primeiro a retirar os funcionários do consulado em Wuhan, a mencionar a retirada parcial dos funcionários da embaixada e a impor uma proibição de entrada no território aos visitantes chineses”, disse Hua Chunying, porta-voz da diplomacia de Pequim.

Washington proibiu a entrada em território americano de residentes procedentes da China e recomendou a seus cidadãos que evitem viajar ao país asiático ou abandonem o país. Com a medida, trabalhadores estrangeiros estão impossibilitados de voltar a seus postos de trabalho.

Outros países também adoram ações para restringir o trânsito de pessoas. Singapura proibiu a entrada de estrangeiros que estiveram recentemente na China. 

A Austrália seguiu a mesma linha, com o primeiro-ministro, Scott Morrison, dizendo que o país negará a entrada a todos os estrangeiros viajando da China continental. “Estamos na verdade operando com uma abundância de cuidado nestas circunstâncias”, disse Morrison a repórteres, em Sydney. “Para que os australianos possam seguir suas rotinas com confiança.”

As companhias aéreas Qantas Airways e a Air New Zealand afirmaram que proibições de viagens forçaram as empresas a suspender voos diretos da China a partir de 9 de fevereiro.

Países buscam cidadãos na China

Muitas nações têm organizado voos fretados para repatriar cidadãos da China e colocá-los em isolamento por aproximadamente duas semanas, período de incubação do vírus. Mais de 300 sul-coreanos retornaram para casa no sábado (1º), e oficiais indonésios afirmaram que por volta de 250 dos seus cidadãos foram retirados de Hubei.

O Reino Unido afirmou que estava retirando alguns funcionários de sua embaixada e de seus consulados na China. “Caso a situação fique pior no futuro, a habilidade de a embaixada e consulados do Reino Unido de fornecer auxílio a cidadãos britânicos na China pode ser restrita”, disse o governo britânico em um comunicado.

Muitas das caras clínicas privadas cuidando de estrangeiros na China começaram a recusar pessoas com febre, levantando preocupações entre expatriados de que eles terão que depender de instalações locais lotadas. “Não quero ir a um hospital local com uma dor de garganta e então pegar algo mais sério”, disse a tcheca Veronika Krubner, em Tianjin, que está considerando deixar o país com sua filha de 21 meses.

Brasileiros ficarão sob quarentena

Os ministérios da Defesa e das Relações Exteriores afirmaram em nota, neste domingo, que o governo trará de volta todos os brasileiros que estão em Wuhan e queiram retornar.  A Força Aérea Brasileira trabalha na elaboração do plano de voo da aeronave que será enviada à China – “possivelmente fretada”, segundo o texto.

Assim que chegarem, esses cidadãos serão submetidos a uma quarentena “de acordo com os procedimentos internacionais, sob a orientação do Ministério da Saúde”.  Detalhes como o itinerário e o protocolo para que os cidadãos manifestem o interesse de retornar ao Brasil não foram divulgados. Segundo o governo, a Embaixada do Brasil em Pequim ficará responsável por esses trâmites.

Nesta segunda-feira, está reunido na Casa Civil o grupo executivo interministerial de emergência de saúde pública por conta do coronavírus. Além do ministro Onyx Lorenzoni, estão presentes o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina. Também há representantes da Anvisa, Ministério da Defesa, Itamaraty, Ministério da Justiça, Gabinete da Segurança Institucional, entre outros órgãos.

No Brasil, a Anvisa orientou as companhias áreas a informarem sobre a presença de passageiros com sintomas característicos da doença. Nesses casos, eles serão isolados e acompanhados. 

Não há qualquer caso confirmado do novo coronavírus em território nacional. Segundo balanço do Ministério da Saúde divulgado no domingo, há 16 casos suspeitos nos seguintes estados: Ceará (1), São Paulo (8), Paraná (1), Santa Catarina (2) e Rio Grande do Sul (4).