COMIDA
22/04/2019 01:00 -03 | Atualizado 22/04/2019 13:44 -03

Overdose de chocolate: Os sinais de que você exagerou nos ovos de Páscoa

Apesar de parecer inofensivo (além de delicioso), o ovo de chocolate contém muito açúcar e gordura - e pode causar mal-estar, se consumido em excesso.

A Páscoa é um dos feriado favoritos do brasileiro. Além dos fartos almoços, a tradição de ganhar ovos de chocolate é uma saborosa tentação para chocólatras de plantão. 

Pesquisas apontam que chocolate ajuda a reduzir o estresse e melhora a memória. Porém, quando consumido em excesso, ele pode causar mal-estar e efeitos colaterais indesejados.

De acordo com o médico nutrólogo Durval Ribas Filho, o maior problema relacionado à data é o hábito de comer muito chocolate de uma vez só. O ideal, segundo o médico, é consumir com moderação e não acabar com o ovo de chocolate na mesma semana (ou, em alguns casos, no mesmo dia).

“A ingestão do chocolate deve ser feita com moderação, não só agora, na Páscoa, mas em outras épocas do ano também”, afirma Durval, que também é presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

O consumo exagerado pode causar sintomas comuns como náuseas, refluxo, diarreia, dor no estômago e dor de cabeça, além de irritabilidade. Crianças e idosos são as faixas etárias mais suscetíveis a esses sintomas. 

Sasha_Suzi via Getty Images

O chocolate pode desencadear ainda alguns processos alérgicos quando consumido em grandes quantidades. “Reações comuns derivadas do alto consumo são coceiras, irritação na pele e até falta de sono”, alerta. 

Apesar de parecer inofensivo (além de delicioso), o chocolate é rico em gordura, açúcar e calorias: cada 100 gramas de um chocolate ao leite, por exemplo, pode ter 556 calorias e 32 gramas de gordura. E, cá entre nós: não é difícil comer 100 gramas em apenas uma tarde, não é? 

Outra questão atrelada ao consumo exagerado é a vontade irresistível de continuar comendo doces. Isso ocorre porque o chocolate (leia-se: o açúcar nele) aumenta rapidamente a glicose no sangue. Para trabalhar todo este açúcar que ingerimos, nosso corpo produz insulina, o hormônio que transforma o açúcar do sangue em energia.

Quando comemos o chocolate muito doce, por exemplo, nosso corpo produz muita energia em pouco tempo, um processo conhecido como pico glicêmico. Como o processo é muito rápido, os níveis de energia caem abruptamente e isso faz com que o cérebro ache que está faltando energia, então ele aumenta o apetite. Em resumo: quanto mais doce você come, mais fome você sentirá.

“Além dos riscos decorrentes do aumento de peso, uma ingestão exagerada de açúcar na alimentação também pode sobrecarregar o pâncreas, alterar o funcionamento da insulina e causar diabetes, uma doença perigosa”, alerta o nutrólogo. 

 

A quantidade e o chocolate ideal

Natdanai Pankong / EyeEm via Getty Images

Estamos longe de banir o chocolate da alimentação. A questão aqui é a moderação ― mas qual, então, é a quantidade ideal?

Segundo Dr. Durval Ribas Filho, é melhor consumir de 10 a 15 gramas de chocolate ao leite por dia.

Mas o ideal mesmo seria apostar em um chocolate com maior concentração de cacau - ou seja, acima de 70%.

Esse chocolate tem menor quantidade de calorias e de açúcares e faz bem à saúde. “Para este chocolate, a recomendação é de 30 gramas por dia”, afirma. 

Para quem não está acostumado com o gosto amargo do chocolate concentrado, o nutrólogo sugere começar com chocolates com 50% de cacau, que já é bem melhor, em termos nutricionais, do que o chocolate ao leite.

Entre os benefícios, o chocolate amargo tem uma quantidade maior de antioxidantes, entre eles os flavonoides e os polifenóis, que protegem contra o envelhecimento, as doenças cardiovasculares e neurodegenerativas, e até o câncer.

“Eles também ajudam a controlar o colesterol, podendo aumentar os níveis do HDL (colesterol bom) e diminuir o ruim, o LDL, além de contribuírem com os níveis da pressão arterial”, acrescenta o nutrólogo.