OPINIÃO
05/04/2019 08:02 -03 | Atualizado 05/04/2019 08:02 -03

Os surpreendentes vinhos verdes que são brancos e tintos

Independentemente de qual for a verdadeira origem desse vinho, fato é que ele tem a cara do Brasil.

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Há vinhos verdes belíssimos para todos os bolsos e gostos!

Os vinhos verdes são vinhos portugueses produzidos na Região Demarcada dos Vinhos Verdes, a qual se estende por todo o noroeste de Portugal.

Apesar do nome, os vinhos verdes não são verdes!

Há algumas teorias que tentam justificar o porquê dessa qualificação. Uma delas tem a ver com a bela e extensa vegetação local, que empresta a sua cor para denominar os vinhos que são lá produzidos. Essa tese já foi levantada no post 5 curiosidades sobre vinhos: Mito ou verdade?.

Mas há outras duas teses que vale a pena destacar: a de que os vinhos verdes são assim qualificados por conta da sua acentuada acidez e frescor, o que passa a impressão de serem jovens e verdes. E a outra seria a de que as uvas eram colhidas precocemente, ou seja, ainda verdes.

Independentemente de qual for a verdadeira origem desses vinhos, fato é que eles podem ser brancos, tintos, rosés e até espumantes. E grande parte deles, honestamente, tem a cara do Brasil.

No passado, os vinhos verdes costumavam ser bem leves, com um teor alcoólico mais baixo e com uma certa efervescência (efeito agulha). Na verdade, ainda é possível encontrar vários exemplares por aí que mantêm esse perfil.

Só que basta um olhar mais apurado para perceber que há outros tipos de vinhos sendo produzidos nessa região. Vinhos verdes convencionais e naturais para os mais diferentes gostos e ocasiões.

Eis alguns exemplos:

Quinta Edmun do Val Reserva 2011

Um vinho rico nos aromas e no sabor. Macio, redondo e gostoso, ele é uma surpresa para quem pensa que já sabe tudo sobre os vinhos verdes! A acidez vibrante o faz uma excelente opção para combinar com pratos bem saborosos, como um arroz de pato cremoso.

Soalheiro Nature Pur Terroir Alvarinho 2017

Um belo vinho de aromas caramelados! Trata-se de um exemplar bastante diferente da maioria dos vinhos verdes, sobretudo em relação à acidez (que é mais moderada). Combina com uma série de pratos, inclusive inusitados, tal como uma brasileiríssima massa recheada com abóbora sob uma camada de carne seca puxada na manteiga de garrafa.

Ameal Solo Único Loureiro 2016

Um vinho de boa acidez, saboroso e que desce macio, sem sobrar ou faltar nada. Seria uma tarefa simples bebê-lo sem acompanhamento, só que ao lado de uma lasanha de frango é um sucesso. É uma opção bem-feita e capaz de agradar muitos fãs de vinhos brancos!

Quinta da Palmirinha Tinto

Um respiro na taça e pronto: este vinho verde tinto mostra uma complexidade de aromas que vão das frutas vermelhas, passam pelas ervas e especiarias e revelam até um sutil defumado. Apesar dessa cartela de aromas, ele é um tinto super leve e com uma acidez que te deixa salivando. Versátil, combina até com um hambúrguer com queijo e bacon.

Antigamente, era bem mais fácil para um enófilo dizer se gostava ou não de um estilo de vinho, porque a variedade era pequena e as opções eram, até certo ponto, finitas.

Graças à criatividade de muitos produtores e à força do mercado consumidor, hoje uma pessoa só pode afirmar que apreciou ou não o exemplar que bebeu, ou seja, aquele vinho específico. Isso porque há tantas cores, sabores e texturas que só resta uma alternativa: experimentar de tudo um pouco para escolher os favoritos.

Uma tarefa feliz, não?

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.