ENTRETENIMENTO
08/11/2019 04:00 -03

Os 5 piores filmes originais da Netflix de 2019, até agora

São tão ruins que vale a pena assistir.

Jasper Savage/Netflix
Mads Mikkelsen e Vanessa Hudgens em “Polar”.

Como a Netflix tem séries e filmes demais estreando toda semana, só o que é realmente espetacular merece atenção. Por isso, o Streamline recomenda o que melhor você vai achar no serviço de streaming. Mas de vez em quando é legal virar as coisas de cabeça para baixo e destacar o que há de ruim.

No ano passado, a Netflix investiu numa estratégia meio sem discernimento, apostando que mais é mais no que diz respeito ao lançamento de filmes. Eles encheram o catálogo com dezenas de filmes originais terríveis. Próxima Parada: Apocalipse e Insana, por exemplo, pareciam claramente rascunhos que nunca deveriam ter chegado à Netflix, a menos que a ideia fosse dar assunto para as pessoas fazerem piada. Neste ano, a Netflix tem sido mais cuidadosa, mas alguns filmes originais ainda merecem a honra duvidosa de serem tão ruins que chega a ser engraçado.

Com isso em mente, separei alguns dos piores filmes da Netflix, segundo a avaliação do site Metacritic, para o seu prazer/desprazer. Você pode assistir os trailers e ler sobre eles abaixo.

Ji Sub Jeong/HuffPost

 

1. A Última Gargalhada

Patti Perret/Netflix
Richard Dreyfuss, Andie McDowell e Chevy Chase em “A Última Gargalhada”.

Detalhes: Nessa comédia que se passa numa viagem de carro, um agente convence um comediante aposentado a voltar a fazer turnês. O comediante nunca tinha tido muito sucesso e acabou virando pedicuro. Fazendo apresentações em várias cidades americanas, eles acabam reencontrando uma paixão pela vida que parecia ter ficado no passado.

Chevy Chase e Richard Dreyfuss fazem os papeis principais. O elenco também conta com Andie McDowell, Kate Miucci e Chris Parnell.

A Última Gargalhada tem 1h38min de duração.

Como começa: O personagem de Chevy Chase resmunga, e a imagem vai abrindo para mostrar um close de uma TV antiga em que passa o anúncio de um asilo. Preocupado com a possibilidade de acabar parando lá, o personagem de Chase ejeta o DVD e quebra o disco no meio. Aí ele sai para encontrar a neta, usando um par de fones de ouvido enormes. Na cena da conversa dos dois, o filme faz uma brincadeira com Hora de Voltar, pois o personagem de Chase pede que ela coloque os fones e ouça The Shins. “Ah, eles são ótimos, muito emo”, diz o personagem de Chase. A neta faz piada, dizendo que ele está muito por fora.

Nota do Metacritic31 de 100 (O Metacritic agrega as resenhas e notas de vários críticos e oferece uma nota geral de melhor qualidade que a do Rotten Tomatoes, que é uma simples agregação de votos positivos ou negativos. O Metacritic oferece uma nota mais matizada).

Leia mais: Keith Uhlich avaliou o filme para o The Hollywood Reporter:

Os pontos altos acabam se esvaindo, e A Última Gargalhada logo volta pra mistura nociva de doce e azedo. Um diagnóstico de câncer é escondido até o momento da revelação, que não tem efeito dramático. Quase todo mundo acha encantadora e hilária a péssima imitação de Don Rickles [do personagem Buddy, interpretado por Richard Dreyfuss], o que impossibilita qualquer tensão dramática. E o filme termina com Chase posando nu, com as partes íntimas escondidas por um pedaço de argila. Temos de ser gratos por essas pequenas vitórias.

Trailer:

 

2. Missão no Mar Vermelho

Marcos Cruz/Netflix
Michael Kenneth Williams e Chris Evans em “Missão no Mar Vermelho”.

Detalhes: Este thriller de espionagem é livremente inspirado por eventos reais. Um judeu etíope e um agente do Mossad, o serviço secreto israelense, se juntam para ajudar refugiados etíopes a fugir para Israel, no fim dos anos 1970. Eles fazem isso usando um hotel na costa do Sudão como fachada.

Chris Evans e Kenneth Michael Williams são os atores principais.

Missão no Mar Vermelho tem 2h9min de duração.

Como começa: Um texto explicativo aparece muito rapidamente na tela. Ele diz (de um jeito meio confuso): Durante milhares de anos, judeus etíopes ansiaram por Jerusalém. Com a guerra civil, eles começam a realizar seu sonho.” Então, uma narração continua a explicação, sobre o som de tiros e imagens de soldados atirando contra prédios. O narrador solta clichês como: “Os rios novamente ficaram vermelhos de sangue”. Forçando ainda mais a explicação, na primeira cena uma família aparece guardando uma menorá na mala.

Nota do Metacritic: 29.

Leia mais: David Ehrlich fez a resenha do para o Indiewire:

Missão no Mar Vermelho é um filme monótono e derivativo, que também está apaixonado demais pelos seus heróis para se preocupar com as vítimas. O Talmude diz que “quem salva uma vida salva o mundo inteiro”, mas, Nivola repete isso no filme, é como se ele estivesse citando a Lista de Schindler. Esses agentes do Mossad salvaram milhares de vidas, mas o filme dá a impressão de que eles só conseguiram salvar um Club Med.

Trailer:

 

3. The Silence

Netflix
Stanley Tucci e Kiernan Shipka em “The Silence”.

Detalhes: Como “Um Lugar Silencioso”, esse filme de horror distópico se passa num mundo habitado por monstros misteriosos e mortíferos que são atraídos por sons. A família no filme usa várias muletas preguiçosas para acrescentar tensão ao problema, tal como uma filha surda, um cachorro que não para de latir e uma avó que sofre de asma e tem ataques de tosse.

Com Kiernan Shipka e Stanley Tucci nos papeis principais, além de John Corbett e Miranda Otto.

The Silence tem 1h30min de duração.

Como começa: Uma tela preta aos poucos revela uma equipe de abrindo um caminho na pedra. O buraco por onde passa a luz vai ficando cada vez maior, e a equipe comemora. O texto na tela explica: “Cavernas não-mapeadas, Pennsylvania. 300 metros abaixo da Trilha dos Apalaches”. Depois de uma breve celebração, pterodátilos de computação gráfica muito mal feitos saem voando pelo buraco. Os integrantes da equipe são destroçados.

Nota do Metacritic25.

Leia mais: Scott Tobias, do New York Times, explica por que o filme nunca teve a menor chance de ser bom.

Para Shane Van Dyke, que escreveu o roteiro com seu irmão Carey, esse tipo de “mockbuster” é um negócio. Seus créditos incluem entretenimento de segunda categoria como Transmorphers 2 e Paranormal Entity. Ele escreveu e dirigiu até mesmo Titanic 2, um filme-catástrofe que se passa numa réplica do navio cem anos depois da viagem original. Aqui, só o elenco estrelado e a produção de mais qualidade consegue cobrir os defeitos da ideia.

Trailer:

 

4. Seis Vezes Confusão

Netflix
Marlon Wayans fazendo dois papeis em “Seis Vezes Confusão”.

Detalhes: Nessa comédia pastelão, um futuro pai quer encontrar sua mãe biológica. No processo, ele descobre que tem cinco irmãos malucos, e viaja pelos Estados Unidos para conhecê-los. Marlon Wayans usa várias próteses e maquiagens para interpretar todos os irmãos.

Marlon Wayans e Bresha Webb são os atores principais, e o elenco também inclui Michael Ian Black e Molly Shannon.

Seis Vezes Confusão tem 1h37min de duração.

Como começa: Um casal sai de uma aula de Lamaze, e o marido (o protagonista interpretado por Wayans) diz que tem medo que a mulher morra por falta de oxigênio durante o parto. Este momento tocante imediatamente acaba quando Wayans faz piada sobre a respiração ofegante da mulher quando eles transaram e ela engravidou. Os outros alunos da aula olham para eles. Depois, fica claro que Wayans tem de decidir se vai tirar licença paternidade ou se continuará trabalhando para ser promovido. A cena de abertura termina com o personagem de Wayans perguntando: “Você acha que eu deveria ter dormido com alguém para subir na vida?”

Nota do Metacritic21.

Leia mais: Nick Allen fez a crítica do filme para o site RogerEbert.com:

A bagunça sem graça de Seis Vezes Confusão prova que Marlon Wayans ainda tem um grande obstáculo em seu caminho para ser um grande comediante – ele mesmo... Robin Williams fica aparecendo no filme – numa tela de TV, na camiseta de um personagem e até mesmo no nome de um médico – e é por um bom motivo, porque Wayans sabe que tem o potencial do falecido ator. Mas é um lembrete triste, porque apesar da energia e do carisma de Wayans, ele precisa de roteiristas melhores, urgentemente.

Trailer:

 

5. Polar

Jasper Savage/Netflix
Mads Mikkelsen e Vanessa Hudgens em “Polar”.

Detalhes: Neste filme de ação sanguento e baseado em uma história em quadrinhos online, um assassino que está se aposentando se muda para uma pequena cidade de Montana e faz amizade com uma vizinha. O dono da empresa de assassinos na qual ele trabalhava quer vender o negócio e decide que seria melhor matar todos os ex-funcionários para obter um bom preço – pois ele não seria obrigado a pagar aposentadorias. Quando fracassa o plano de matar o protagonista, a empresa sequestra a vizinha, e o personagem de Mikkelsen se lança numa jornada sangrenta de vingança.

Estrelado por Mads Mikkelsen e Vanessa Hudgens.

Polar tem 1h58min de duração.

Como começa: Uma tomada aérea da floresta, que depois foca em uma mansão remota. Uma sequência título aparece na tela, acompanhada de vários efeitos sonoros violentos, como gritos, tiros e ossos se quebrando. Sangue respinga no título. Um pássaro de computação gráfica voa na frente da câmera e apagar o título. Na mansão, um personagem que parece de ressaca, interpretado por Johnny Knoxville, se levanta de uma espreguiçadeira para observar uma mulher de biquíni que está saindo da piscina. O personagem de Knoxville cheira cocaína e diz coisas forçadas, como “Aposentadoria, aí vou eu”. Ele começa a fazer musculação, para impressionar a mulher. Depois de jorrar champanhe nela, ela faz um boquete nele. Ele diz: “Essa história de aposentadoria está uma maravilha”. Assassinos com roupas clichê matam o personagem de Knoxville, e a mulher, no fim das contas, também era assassina.

Nota do Metacritic19.

Leia mais: Emily Yoshida fez a crítica do filme para o site Vulture:

Polar é um filme execrável, um amontoado de restos empoeirados recolhidos do fundo do baú dos filmes exploitation pós-Tarantino dos anos 1990. O filme se considera engraçado, mas as únicas piadas que conhece têm carreiras de cocaína e agressões físicas. Quando a equipe de assassinos mata um texano morbidamente obeso, numa cena que parece ter 30 segundos de sangue e membros despedaçados, minha cabeça desligou. Excessos, sanguinolência e Grand Guignol têm seu lugar no cinema, mas gostaria de sentir que no comando tem alguém com a sensibilidade mais avançada que um moleque de 13 anos.

Trailer: