MULHERES
13/03/2020 04:00 -03

Orgasmo feminino: 5 mulheres falam de seus momentos de ápice de prazer

Desde abandonar a pílula até apaixonar-se por outra mulher, leitoras compartilham suas jornadas pessoais para chegar ao prazer intenso.

Prazer feminino – duas palavras que raramente são pronunciadas nas aulas de educação sexual. Desde nossos tempos de escola, nos ensinam como evitar engravidar. Nos explicam sobre o orgasmo masculino, mas o feminino, aquele que não tem nada a ver com bebês, é praticamente esquecido.

E as coisas não melhoram muito quando chegamos à idade adulta; as representações do prazer feminino na TV, no cinema e na pornografia muitas vezes ficam a quilômetros de distância da realidade. Não é por nada que tantas mulheres têm dificuldade em gozar.

Em cada encontro sexual, os homens chegam ao orgasmo 87% das vezes, enquanto as mulheres, apenas 65%, segundo pesquisas.

Os homens heterossexuais são os que chegam ao clímax com mais frequência, seguidos pelos homens gays e bissexuais, depois as lésbicas, depois as mulheres bissexuais e só então, em último lugar, as mulheres heterossexuais.

“As mulheres são ensinadas desde criança a não expressar suas necessidades, a não ser exigentes, não pedir demais, não se exibir e não serem sexualizadas”, disse anteriormente ao HuffPost Reino Unido a co-autora do livro More Orgasms Please: Why Female Pleasure Matters, Lisa Williams. “Na idade adulta, é óbvio que essa atitude tem um impacto entre os lençóis.”

Mas nunca é tarde demais para descobrir o poder do prazer feminino, e não há um jeito correto de chegar a ele. Para provar essa verdade, cinco mulheres compartilham suas histórias muito diferentes sobre como chegaram lá.

 

Alexmia via Getty Images
 

“Com 20 e poucos anos, beijei uma mulher, e foi uma explosão de fogos de artifício”

Shilpa nasceu em Délhi, na Índia, mas hoje vive em Leeds, no norte da Inglaterra. Na adolescência e com 20 e poucos anos, ela saiu com homens, mas disse que nunca se sentia verdadeiramente satisfeita. “Apesar de achar bom, especialmente os beijos e amassos, quando estávamos transando de fato eu não via a hora de acabar”, diz Shilpa, 25 anos. “Mas quando eu tinha 24 anos, beijei uma garota num clube. E foi como uma explosão de fogos de artifício.”

Aquele beijo – “foi como aquelas cenas de cinema” – foi o ponto de partida para Shilpa começar a explorar sua sexualidade, e no ano passado ela conheceu aquela que se tornaria sua namorada.

“Comecei a sentir vontade de transar sempre, a ficar louca de tesão. Hoje eu adoro ter orgasmo e fazer minha namorada gozar também”, ela conta.

“Para mim, a sensação física do orgasmo é que tudo dentro do meu corpo está se fundindo e então embarcando numa volta ao mundo. Emocionalmente, é como se tudo finalmente coubesse exatamente, como se tudo no universo fizesse sentido.”

Shilpa diz que no sexo heterossexual ela sentia que seu papel principal era agradar a seus parceiros homens, mas que sua relação homossexual é de mais igualdade.

“Você ainda precisa descobrir o que sua parceira gosta, o que a deixa excitada”, ela comentou. “Apesar de nós duas termos os mesmos órgãos, cada pessoa segue um caminho próprio para chegar ao orgasmo.”

“Conheci um homem com quem me senti em segurança para ficar nua”

Natasha, 44, passou a infância na Hungria mas hoje vive em Londres. Ela diz que descobriu o prazer feminino aos 18 anos, com um namorado profundamente interessado em lhe dar prazer.

“Ele falava seriamente que não podia imaginar um homem fazendo sexo vaginal sem primeiro levar a mulher ao orgasmo com sexo oral. Ele também era ótimo com sexo penetrativo, em todo tipo de posição, então fiquei acostumada a sentir prazer. Com ele, eu me sentia em segurança para ficar nua e excitada”, reflete Natasha.

“Meu corpo e minha feminilidade me pareciam algo natural e sagrado, algo para eu desfrutar com a ajuda dele, não algo do qual me envergonhar ou que fosse um presente para o homem. Eu sentia que meu corpo era um presente para mim.”

O relacionamento terminou porque seu namorado “gostava de espalhar seu amor por aí”, e Natasha disse que só aos 30 anos voltou a ter uma vida sexual muito boa. Mas essa nova fase boa também terminou com a infidelidade de seu parceiro.

“Hoje tenho mais de 40 anos. Desde aquele segundo parceiro com quem foi tão bom, tive dois relacionamentos de longo prazo (mas em que o sexo não era maravilhoso). Estou começando a questionar se é possível ter sexo muito bom e um relacionamento ótimo e fiel, tudo junto”, ela fala.

“Com outros homens, especialmente mais recentemente, a sensação que tive é que eles encaravam o sexo como se eu estivesse dando meu corpo a eles, e isso é altamente brochante. Devido àquela experiência maravilhosa que tive quando jovem, os amantes ruins que tive desde então me levaram a querer fugir do sexo.”

“Desisti da pílula e encontrei o prazer depois dos 30 anos”

Claire, 49, vive em Ayrshire, na Escócia. Enquanto foi casada, sua vida sexual foi insossa; ela a descreve como sendo “voltada principalmente para o prazer dele”. Ela se divorciou aos 29 anos de idade e parou de tomar a pílula anticoncepcional. A combinação desses dois fatores, afirma, levou sua vida sexual a melhorar tremendamente depois dos 30 anos de idade.

“Minha primeira consciência real do prazer se deu depois do divórcio. Parei de tomar a pílula, e foi então que descobri que era ela que estava dificultando minha resposta sexual”, ela explica.

“Descobrir que ficar excitada e lubrificada não era altamente trabalhoso, como sempre tinha sido antes, tirou muita pressão de cima de mim, me permitindo relaxar e descobrir o que gosto e o que não gosto.”

Claire acredita que foi o fato de ter passado a usar um anticoncepcional injetado, em lugar da pílula, que aliviou sua falta de lubrificação – mesmo porque seus problemas antigos retornaram quando ela experimentou voltar a tomar a pílula por pouco tempo.

“Notei a ausência imediata de resposta corporal. Percebi então que algo que tinha sido uma fonte de tensão em nosso casamento não se devia tanto a nós, mas à pílula”, ela explicou. E seu novo parceiro também ajudou. “Ele é um amante que mostra mais consideração comigo e incorporou um vibrador às nossas transas”, disse Claire. “Passei a achar o sexo realmente prazeroso. Descobri que meu corpo reage e responde, sim.”

“Aprender a chegar ao orgasmo sozinha me ajudou a me comunicar melhor com meus parceiros”

Abigail Geiger, 28, que vive em Orlando, Flórida, diz que até pouco tempo atrás tinha chegado ao orgasmo menos de dez vezes – em dez anos de vida sexualmente ativa. No verão do ano passado ela resolveu buscar uma solução sozinha.

“Eu estava sozinha no meu apartamento, deprimida, depois de ser alvo de um ghosting especialmente doloroso, quando topei com uma série em vídeo que prometia ajudar qualquer mulher a ter um orgasmo”, ela conta. “Minha primeira reação foi pensar ‘oh, não!’. Mas alguma coisa me levou a apertar o botão do ‘play’.”

Conduzido pela terapeuta sexual Vanessa Marin, o vídeo discutia todas as razões potenciais por que uma mulher pode ter dificuldade em gozar, e Abigail entendeu que passara uma década se esforçando para dar prazer a seus parceiros, em vez de a si mesma.

“Comecei a me masturbar e tive um orgasmo na segunda tentativa”, diz. “Senti um alívio total. E não foi apenas aquele alívio pós-orgásmico normal. Fiquei surpresa por conseguir me proporcionar aquela mesma euforia, depois de ter passado toda minha vida sexualmente ativa associando o orgasmo à presença de um parceiro.”

Abigail diz que aquele momento fortaleceu sua consciência de si mesma: “Eu me senti poderosa. Naturalmente, essa sensação afetou minhas relações sexuais com parceiros. Tendo aprendido a me dar um orgasmo, eu descobri como transmitir isso a outra pessoa, convertendo a relação sexual em uma via mais de mão dupla.”

Começar a se masturbar quando já tinha quase 30 anos a ensinou algo: “Eu mesma sou minha parceira mais importante”. “Hoje não tenho mais dificuldade em gozar sozinha”, ela fala. “Foi um passo enorme para mim. Hoje minha dificuldade é sentir autoconfiança suficiente para poder falar disso. Essa é minha nova jornada.”

“Assumi controle e meu corpo ficou totalmente solto”

Alcançar o orgasmo nunca foi um problema para Emma, 27 anos, de Lincoln, quando está voando solo. Mas ela sempre teve dificuldade em chegar ao clímax com a penetração.

“Parece que isso simplesmente não funciona para mim, e ficar focada em ter um orgasmo estava me deixando tensa, então me resignei a não gozar quando fazia sexo com meu namorado”, ela explica. “Estamos juntos há uns seis meses e recentemente, enquanto estávamos nas preliminares, eu estava curtindo muitíssimo. Geralmente é nesse ponto, quando está ficando bom, que começamos a transar de fato – só que eu não gozo, e ele, sim. Então dessa vez, quando ele começou a colocar a camisinha, falei para ele não parar e continuar com as preliminares, usando os dedos e a boca.”

Essa mudança no procedimento levou Emma a ter seu primeiro orgasmo com seu namorado e ensinou muito aos dois sobre o prazer, ela conta. “Descobrimos algo novo a fazer juntos, e nós dois adoramos. Fisicamente, meu corpo ficou totalmente solto e descontraído. Depois de gozar, fiquei com vontade de desmoronar, fiquei deitada no sofá por um tempão, com uma sensação maravilhosa. Foi altamente empoderador poder transmitir a meu namorado que sou capaz de ter um orgasmo maravilhoso se tentarmos coisas diferentes.”

A experiência ensinou a Emma que “o orgasmo da mulher é tão importante quanto o do homem”.

“Às vezes você precisa assumir o controle”, ela reflete. “O sexo pode não ser apenas questão do sexo. Às vezes as preliminares podem ser o objetivo final. Experimente coisas novas e não hesite em priorizar suas próprias necessidades.”

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.