POLÍTICA
11/01/2019 15:32 -02

Oposição busca candidato para presidência do Senado

Senadora Kátia Abreu (PDT-TO) defende Renan Calheiros (MDB-AL), mas pode ser lançada como nome alternativo.

Montagem/Agência Senado/Agência Brasil
Voto fechado para presidência do Senado em fevereiro pode favorecer Renan Calheiros (MDB-AL).

Assim como na disputa na Câmara dos Deputados, no Senado Federal a oposição ainda não decidiu quem irá apoiar para a presidência da Casa. Sem um nome alinhado, o bloco estuda apresentar aos candidatos uma carta de compromisso de independência do governo de Jair Bolsonaro.

O cargo é essencial para determinar que propostas serão votadas no plenário.

Uma possibilidade em estudo é lançar a senadora Kátia Abreu (PDT-TO), que foi candidata a vice na chapa de Ciro Gomes (PDT) em 2018. As conversas foram iniciadas dentro do partido pelo presidente da legenda, Carlos Lupi, mas ainda não há consenso em outras siglas sobre o tema.

O grupo com cerca de 15 integrantes formado por PDT, Rede e parlamentares de outras legendas se reúne em 25 de janeiro. “A ideia é apoiar um candidato que dialogue com a renovação apontada nas eleições de outubro e assegure a independência que o Senado precisa ter. Essa é uma condição sine qua non”, afirmou ao HuffPost Brasil o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

De acordo com o parlamentar, o bloco não tem discutido lançar candidato próprio. Ele aponta como possíveis nomes a apoiar - desde que se comprometam em ser independentes do Planalto - Esperidião Amin (PP-SC), Davi Alcolumbre (DEM-AP) ou Tasso Jereissati (PSDB-CE), este defendido por Cid Gomes (PDT-CE).

Entre as hipóteses descartadas pelo grupo está Major Olímpio (PSL-SP), do partido do presidente. O parlamentar lançou a candidatura neste mês, mas há uma expectativa de redução dos nomes governistas até o início de fevereiro, data da eleição. Alcolumbre e Amin também são alinhados ao Planalto.

Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Partido de Bolsonaro, PSL lançou Major Olímpio como canditato à presidência do Senado, mas busca unificar candidatura governista.

Renan Calheiros tenta aproximação com Bolsonaro

Em busca do comando do Senado pela quinta vez, Renan Calheiros (MDB-AL) também não é visto com bons olhos pela oposição por não representar renovação e transparência.

A aproximação do emedebista com a agenda do presidente também aumentou a rejeição no grupo. “Só piora a situação dele, principalmente para a Rede. Já tínhamos dificuldade no nome dele porque não dialoga com a política nova, ainda mais agora, quando faz um giro pró-pauta Bolsonaro”, afirmou Randolfe.

Antes visto como o principal opositor do Planalto na disputa - apesar de não admitir a candidatura -, Renan tem procurado destacar os pontos em comum com o novo governo.  

Contrário à redução da maioridade penal e defensor do Estatuto do Desarmamento, o parlamentar ponderou sua visão sobre pautas de segurança e costumes. “Defendi e aprovei a proibição da comercialização de armas (...) Tão logo aprovei o projeto, entendi que estávamos diante de uma questão muito maior, e que era preciso submeter a vigência da lei ao referendo popular. Foi assim. Fizemos a consulta e perdemos. Paciência.”, escreveu em seu perfil no Twitter em 17 de dezembro.

No mesmo dia, o parlamentar disse que queria colaborar com o Executivo. A intenção também foi reforçada em declarações à imprensa. “O sentimento do MDB é de ajudar o governo e fazer as mudanças de que o País precisa. Eu só posso ser produto da indicação da minha bancada se concordar com isso”, disse à Folha de S. Paulo.

Em outra estratégia na disputa, Renan tem também procurado se descolar da imagem da velha política, apesar de estar na vida pública desde 1978. Ele ressaltou, no Twitter, o empenho em aprovar a Lei de Responsabilidade das Estatais, que proíbe a nomeação de políticos.

Se não é unanimidade entre a oposição, o emedebista conta com pelo menos uma aliada no grupo, até que se bata o martelo sobre sua candidatura. Ex-integrante do MDB, Kátia Abreu é sua eleitora por enquanto. “Ele é mais experiente. Se reelegeu para 8 anos. Pode ajudar muito”, disse à reportagem. Nos bastidores, petistas também podem aderir ao veterano.

A avaliação é de que a votação secreta também favorece Renan. Na última quarta-feira (9), o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, derrubou a decisão do ministro Marco Aurélio Mello a favor do voto aberto na disputa do Senado.

A decisão de Toffoli vale até o tema ser julgado no plenário do tribunal, em 7 de fevereiro, após a disputa no Legislativo. O ministro entendeu que a votação é questão interna e deve ser definida pelos parlamentares.

Marcos Oliveira/Agência Senado
Katia Abreu (PDT-TO) defende candidatura de Renan Calheiros (MDB-AL), mas PDT quer que ela lance seu nome na disputa pelo comando do Senado.

Candidato do governo ao Senado

O MDB aguarda ter 42 votos confirmados para lançar candidato, um a mais do que o necessário para ganhar a disputa. Simone Tebet (MDB-MS) é uma opção da sigla. Líder da bancada, ela irá conversar com correligionários a partir da próxima semana.

A emedebista aposta em um afunilamento nas candidaturas governistas até fevereiro. “Deve unificar e não chegar com dois ou três”, disse ao HuffPost Brasil. Ela disse que ainda não foi procurada pelo PSL após eles lançarem Major Olímpio.

A senadora reconhece que a votação fechada favorece Renan, mas que articulações do PSL podem atrair votos para o candidato do governo.

“Depende das articulações do governo em relação a apoios que possam dar aos partidos, segurança de pautas que agradem legendas com pauta mais radical de segurança e economia. Depende do quanto o governo está disposto a procurar uma agenda mais identificada com senadores eleitos”, disse.

Em 2019, o Senado terá renovação recorde. Das 54 vagas em disputa em 2018, 46 serão ocupadas por novos nomes, uma mudança que representa 85% do quadro.

É nesse grupo que o partido de Bolsonaro tem mirado. “Chegamos a mais de 50% dos senadores na renovação”, destaca o deputado Luciano Bivar (PSL-PE), presidente da legenda. De acordo com ele, Major Olímpio tem conversado com todos os partidos e já teria 30 votos.

O partido estuda reduzir o número de candidatos aliados. “Tem que ver quem tem mais chance. Temos conversado com outros partidos que pretendem apoiar a pauta do governo”, disse à reportagem.

Sobre a aproximação com Renan, o deputado vê com bons olhos. “Demonstra que as propostas que nós temos são boas, que ele tem um discernimento do que é melhor. Tudo que ele fala que é positivo a gente suaviza o nosso sentimento”, concluiu.