POLÍTICA
13/06/2019 10:53 -03 | Atualizado 13/06/2019 11:01 -03

Onyx diz que Moro tem ‘trajetória espetacular’ e que vazamento é vingança contra a Lava Jato

“Não vejo nada que possa colocar em risco a conquista da Lava Jato para o País . A população tem essa compreensão.”

Adriano Machado / Reuters
Para Onyx Lorenzoni, vazamento de conversas entre Moro e Dallagnol tem objetivo claro de “vendeta contra os investigadores e os juízes” da Operação Lava Jato.

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou nesta quinta-feira (13) que os vazamentos da troca de mensagens atribuídas a Sérgio Moro e Deltan Dallagnol tem um objetivo claro de “vendeta contra os investigadores e os juízes” da Operação Lava Jato.

Em defesa a Moro, que é ex-juiz e atual ministro da Justiça, Lorezoni afirmou que ele é um “herói nacional”, com “trajetória espetacular”.

Lorenzoni também minimizou as acusações de que Moro teria interferido no trabalho dos procuradores. “Até agora com todas as coisas que vazaram, sinceramente, não vi nada com gravidade. Não sou só eu, o ministro [Edson] Fachin [do STF] falou ontem. Não vejo nada que possa colocar em risco as conquistas que a Lava Jato trouxe para o País . A população hoje tem essa compreensão”, disse o ministro em café da manhã com jornalistas da imprensa estrangeira, incluindo o HuffPost.

“O que nós temos claramente colocado é que a sociedade brasileira de maneira ampla e majoritária entende que todas essas manobras tem o objetivo de trazer de volta o que o brasileiro não quer mais”, pontuou.

Na interpretação dele, há uma tentativa de dar uma opção de soltura para o ex-presidente Lula, preso por condenação em processo da operação.

“Na minha opinião, ele vai continuar preso. Há mais de 10 processos contra ele. (…) O sítio de Atibaia é batom no corpo inteiro, não é nem batom na cueca”, afirmou.

Questionado sobre a postura do presidente Jair Bolsonaro de ter ficado em silêncio em relação ao caso, Lorenzoni afirmou que o mandatário sabe que ato é mais forte que palavra.

Os diálogos foram publicados no domingo, nem Moro nem o procurador Dallagnol negaram as afirmações. Na segunda à noite, o porta-voz da Presidência afirmou que a demissão de Moro “jamais” foi discutida.

Na quarta-feira (12), em sinalização de apoio, o presidente foi acompanhado do ministro ao jogo do Flamengo  e CSA, pelo Campeonato Brasileiro, em Brasília. Ambos foram aplaudidos pela torcida. 

 

O que dizem as mensagens 

No último domingo (9), o site The Intercept publicou trechos de mensagens privadas atribuídas ao então juiz Sérgio Moro e ao procurador Deltan Dallagnol, nos quais eles discutem a Lava Jato. Também há mensagens de um grupo de procuradores da força-tarefa em Curitiba.

Veja o que diz parte dos trechos divulgados:

  • Moro  teria passado informalmente uma pista sobre o caso Lula para que Dallagnol investigasse. 

“Então. Seguinte. Fonte me informou que a pessoa do contato estaria incomodado por ter sido ela solicitada a lavratura de minutas de escrituras para transferências de propriedade de um dos filhos do ex-Presidente. Aparentemente a pessoa estaria disposta a prestar a informação. Estou então repassando. A fonte é séria”, diz a mensagem atribuída a Moro.

  • Membros do Ministério Público se queixaram do pedido de entrevista feito pela Folha de S. Paulo ao ex-presidente Lula, preso em Curitiba, pouco antes do primeiro turno da eleição de 2018.

“Sei lá…mas uma coletiva antes do segundo turno pode eleger o Haddad”, escreveu a procuradora Laura Tessler.

  • Deltan Dallagnol enviou uma mensagem a um grupo de procuradores sobre o caso do tríplex do Lula.

“Falarão que estamos acusando com base em notícia de jornal e indícios frágeis… então é um item que é bom que esteja bem amarrado. Fora esse item, até agora tenho receio da ligação entre Petrobras e o enriquecimento, e depois que me falaram to com receio da história do apto… São pontos em que temos que ter as respostas ajustadas e na ponta da língua”.

  • Moro e Dallagnol discutiram o vazamento de áudio entre Dilma e Lula.

“A decisão de abrir está mantida, mesmo com a nomeação, confirma?”, pergunta Dallagnol.

Em outro momento, Moro diz: “Não me arrependo do levantamento do sigilo. Era a melhor decisão. Mas a reação está ruim”.