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09/04/2020 19:05 -03

'Gera um ruído péssimo', diz líder do DEM sobre Onyx apoiar saída de Mandetta

"Gera um ruído péssimo, já que todos tínhamos nos mobilizado para dar suporte ao Mandetta na crise da pandemia", diz Efraim Filho.

O vazamento de uma conversa em que o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, apoia a saída do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, do governo, causou mal estar no DEM, partido ao qual os dois são filiados. O presidente Jair Bolsonaro ameaça há semanas demitir o titular da Saúde em meio à pandemia do novo coronavírus.

De acordo com a CNN, Lorenzoni, e o deputado federal Osmar Terra conversaram na manhã desta quinta-feira (9) sobre a substituição de Mandetta. “Ele (Mandetta) não tem compromisso com nada que o Bolsonaro está fazendo”, disse o democrata, de acordo com a emissora de TV.

No diálogo com um dos cotados para a pasta da Saúde, Onyx também defende que Bolsonaro tivesse demitido Mandetta no início da semana e criticou o discurso feito pelo correligionário na última segunda-feira (6), o “dia do fico” do ortopedista.

Conquistar a simpatia de Onyx foi fundamental para Mandetta ser chamado para o governo, em 2018.

Em nota, o líder do DEM na Câmara dos Deputados, Efraim Filho (DEM-PB), afirmou que a conversa abala o partido. ″É um episódio que impacta na bancada do Democratas. Gera um ruído péssimo, já que todos tínhamos nos mobilizado para dar suporte ao Mandetta na crise da Pandemia. E assim continuaremos. Se trata um diálogo pessoal que não nos cabe avaliar a conduta de cada um. A bancada vai olhar pra frente e focar no trabalho para salvar vidas e empregos”, disse.

Ueslei Marcelino / Reuters
"Gera um ruído péssimo, já que todos tínhamos nos mobilizado para dar suporte ao Mandetta na crise da pandemia", diz Efraim Filho.

Nesta quarta-feira (8), o presidente falou pela primeira vez após o vaivém na demissão do ministro da Saúde. Em entrevista à Band, disse que está tudo acertado entre os dois. “Até em casa, a gente tem problema muitas vezes com a esposa, com o esposo, né? É comum acontecer no momento em que todo mundo está estressado de tanto trabalho, eu estou, ele está. Mas foi tudo acertado, sem problema nenhum, segue a vida”, disse.

No domingo (5), o presidente havia indiretamente ameaçado o ministro de demissão. Ele afirmou que “algumas pessoas” do governo “viraram estrelas e falam pelos cotovelos”, acrescentou ainda que não teme “usar a caneta contra eles”. Dias antes, na quinta (2), Bolsonaro havia afirmado que Mandetta deveria ter “mais humildade” e que nenhum de seus ministros é “indemissível”.

A expectativa na segunda era da demissão de Mandetta — o que quase aconteceu. Bolsonaro, porém, cedeu a pressão política e o ministro ficou. Apenas nesta quarta os dois conversaram sozinhos a portas fechadas.

Após o encontro, o ministro da Saúde baixou o tom contra o presidente. Afirmou que Bolsonaro entende que há situações complexas para o uso da cloroquina. A prescrição do medicamento é um dos pontos de tensão entre os dois.

Em entrevista coletiva, ao falar sobre o uso da cloroquina no combate ao coronavírus, Mandetta disse: “Quem comanda esse time é o presidente Bolsonaro”. O ministro falou claramente que os problemas entre ele e o presidente foram públicos, mas minimizou a crise.

Na segunda, quando anunciou que permaneceria no ministério, Mandetta disse esperar ter paz para continuar a trabalhar com ciência e técnica. “Vamos fazer pela ciência. Não vamos perder o foco. Ciência, disciplina, planejamento, foco. Esses barulhos que vêm ao lado, esquece”, disse.