NOTÍCIAS
12/02/2020 16:57 -03 | Atualizado 12/02/2020 19:34 -03

Onyx aceita migrar da Casa Civil para o lugar de Osmar Terra no Ministério da Cidadania

Presidente convidou o general Walter Souza Braga Netto para a Casa Civil. Ele ainda não deu resposta.

Adriano Machado / Reuters
Onyx decidiu no início da noite aceitar a oferta de trocar a Casa Civil pelo Ministério da Cidadania.

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, aceitou nesta quarta-feira (12) migrar para o Ministério da Cidadania, onde substituirá Osmar Terra (MDB), segundo fontes palacianas ouvidas pelo HuffPost. O emedebista, por sua vez, também já foi comunicado pelo presidente Jair Bolsonaro da decisão. 

A intenção do governo é aparentar normalidade. Pela manhã, ao participar do Seminário de Abertura do Ano Legislativo, o ministro da Casa Civil negou que estivesse de saída da pasta para o Ministério da Cidadania. “Ninguém falou isso”, disse a jornalistas. 

À tarde, Terra e o chefe postaram um vídeo nas redes sociais falando da política antidrogas. Ambos seguiram com suas agendas normalmente. 

Enquanto isso, o presidente já pensou em quem ficará no lugar de Onyx na Casa Civil. A ideia dele é que o general Walter Souza Braga Netto assuma a vaga. A indicação foi adiantada nesta quarta pela Folha de S. Paulo e confirmada pelo HuffPost. Braga Netto é militar da ativa e chefe do Estado-Maior do Exército. 

Corda bamba

Onyx já estava na corda bamba há cerca de três semanas, mas foi comunicado formalmente da decisão de Bolsonaro de trocá-lo de lugar na manhã desta quarta. Aliados dele defendiam - desde que teve início sua exposição, com a publicação de um tuíte do presidente retirando de sua pasta o controle do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) -, que ele saísse do governo.  

Publicamente, Onyx se diz leal ao mandatário - e, de fato, sempre o foi. Esteve ao lado de Bolsonaro quando ninguém apostava que ele alcançaria o maior posto da República - e por isso lhe foi oferecido um novo cargo na Esplanada.

O ministro, contudo, tem planos maiores. Sabe-se que Onyx está de olho na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul em 2022 e quer um ministério para chamar de seu como vitrine. A outra opção para ele seria voltar para o Congresso e ser mais um entre os 513 deputados, o que não é um palanque ideal.

Braga Netto não deu resposta ainda a Bolsonaro. No Planalto há quem avalie que “a militar não cabe dar resposta”, mas “assumir missão”. Porém, o general está no topo da carreira e há quem diga que tem desejos de seguir rumos maiores no próprio Exército. 

Caso a nomeação do general se confirme, como é esperado, o núcleo palaciano será composto apenas de ministros com formação militar. O GSI (Gabinete de Segurança Institucional), com o general Augusto Heleno; a Secretaria de Governo, que tem o general Luiz Eduardo Ramos à frente; e a Secretaria-Geral, cujo chefe é o policial militar reformado Jorge Oliveira.  

Uma minirreforma ministerial já era esperada para este início de ano, apesar das negativas do governo. Com a demissão de Gustavo Canutto do Ministério do Desenvolvimento Regional na semana passada - a posse de Rogério Marinho em seu lugar ocorreu na terça (11) -, não se espera para esta quarta a formalização do anúncio da queda de Osmar Terra, troca de lugar de Onyx e possível indicação de Braga Netto. 

Fontes palacianas destacam que o presidente prefere fazer os anúncios com calma para não aparentar desgastes no governo e, assim, não assustar investidores. Contudo, com a resposta positiva de Onyx já nesta quarta, a expectativa no Planalto no início da noite passou a ser que ainda esta semana haja uma definição sobre os novos rumos da Casa Civil e do Ministério da Cidadania.