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22/08/2019 16:29 -03 | Atualizado 22/08/2019 18:21 -03

Governo diz que ‘cuida muito bem do meio ambiente’ e contesta alertas internacionais

No Twitter, secretário-geral da ONU afirmou que a Amazônia precisa ser protegida. Para Macron, incêndios no bioma são emergência internacional.

Ueslei Marcelino / Reuters
Focos de queimadas no País bateram recorde e passam de 70 mil pontos no ano.

Mesmo com a alta nos índice de desmatamento deste ano e com o recorde de focos de incêndio, o governo brasileiro segue com o argumento de que “cuida muito bem do meio ambiente” e contesta os alertas internacionais. Nesta quinta-feira (22), o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou que há um movimento de países europeus para criar uma barreira para o crescimento do Brasil.

Em São Paulo, o ministro afirmou que “o Brasil é um país que cuida muito bem do seu meio ambiente. Nós não precisamos de lição de ninguém”.

Segundo ele, os europeus usam o meio ambiente para confrontar princípios capitalistas e “estabelecer barreiras ao crescimento e ao comércio de bens e serviços do Brasil”.

Nas últimas semanas, dois países parceiros no combate ao desmatamento e à preservação da Amazônia anunciaram que vão suspender os investimentos no Brasil. Alemanha e Noruega afirmaram que não veem compromisso do governo brasileiro em cuidar da floresta.

“Se o presidente não quer isso no momento, então precisamos conversar. Eu não posso simplesmente ficar dando dinheiro enquanto continuam desmatando”, explicou a ministra alemã do Meio Ambiente, Svenja Schulze.

No primeiro semestre deste ano, os dois países já haviam feito um alerta ao Brasil sobre as mudanças na maneira como o País estava tratando a questão ambiental.

No Twitter, o secretário-geral da ONU também chamou atenção para o que ocorre na Amazônia. Ele disse estar “profundamente preocupado com as queimadas na Floresta Amazônica”. “A Amazônia precisa ser protegida”, disse.

Para o presidente da França, Emmanuel Macron, os incêndios são uma emergência internacional.“A Floresta Amazônica ―os pulmões que produzem 20% do oxigênio de nosso planeta― está em chamas. É uma crise internacional. Membros da Cúpula do G7, vamos discutir essa emergência.”

O presidente Jair Bolsonaro, por outro lado, culpa as ONGs pelos incêndios. Irritado, ele afirmou a jornalistas que não acusou as ONGs, mas disse que a maior suspeita são elas. “No meu entender, um indício fortíssimo que esse pessoal da ONG perdeu a teta deles. É simples. As ONGs perderam dinheiro, estão desempregados. Tem que tentar fazer o quê? Tentar me derrubar.”

Para ele, há irresponsabilidade da imprensa. “O Brasil vai chegar à situação da Venezuela. É isso que a grande parte da grande imprensa brasileira quer. E fica o tempo todo de picuinha, fazendo campanha contra o Brasil. Vocês acham, se o mundo lá fora começar a impor barreiras comerciais nossas, cai o nosso agronegócio, cai a economia.”

Enquanto o presidente acusa conspiração contra ele, a floresta segue em chamas. São os focos de incêndio e o desmatamento — e não as notícias —  que podem manchar a imagem do País internacionalmente.

Ao Valor, Marcello Brito, CEO da Agropalma e presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), afirmou que desmatamento afeta a imagem do País e causa preocupação.

Para ele, é questão de tempo que mercados estrangeiros parem de comprar do Brasil. “Vai custar caro ao Brasil reconquistar a confiança de alguns mercados internacionais”, pontuou. Antes, ele afirmou que “se o presidente insiste em dizer que ambiente não é o foco dele, passa-se a percepção ao pessoal que pode desmatar”.