POLÍTICA
13/06/2019 12:19 -03

Após derrotas no Congresso e no STF, Onyx diz que, no que era importante, governo 'ganhou todas’

Governo sofreu dois reveses na quarta-feira (12), mas promete continuar emitindo decretos. “Até porque acreditamos que estamos certos”, diz ministro.

EVARISTO SA via Getty Images
“Quando a gente olha esses 5 meses, a gente está muito satisfeito e o nosso eleitor também", diz Onyx Lorenzoni.

Após sofrer duas derrotas na quarta-feira (12) em relação a decretos assinados pelo presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou que o governo vai continuar “dentro do que a Constituição autoria, emitindo decreto sim”. “Até porque nós acreditamos que estamos certos, vamos lutar por aquilo que a gente acredita.”

Desde o governo Collor (1990-1992), Bolsonaro é recordista de decretos nos primeiros meses do mandato. Para especialistas, as canetadas sinalizam falta de trânsito no Congresso. Na quarta, o Senado deu primeiro passo para derrubar os decretos que flexibilizam o acesso a armas. Já no STF (Supremo Tribunal Federal), maioria dos ministro votou por suspender o decreto que extingue os conselhos federais. 

Para Onyx, no entanto, o governo tem conseguido aprovar o que importa. “As coisas que eram importantes e fundamentais, nós ganhamos [no Congresso] todas”, disse, em café da manhã com jornalistas da mídia internacional, incluindo o HuffPost.

“O governo é tão ruim de articulação que não perdemos nenhuma, a reforma administrativa foi feita, com 95% sustentada. Vamos promulga-la agora terça-feira. (…) Isso é um feito histórico, a gente vai aos pouquinhos, quietinho trabalhando, conseguindo todos os resultado.”

Para o ministro, o saldo até o momento é positivo. “Quando a gente olha esses 5 meses, a gente está muito satisfeito e o nosso eleitor também. Ele sabe que está sendo feito o que prometemos fazer. E a gente vai continuar”, diz.

Quando a gente olha esses 5 meses, a gente está muito satisfeito e o nosso eleitor tambémOnyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil

Pesquisas de opinião, entretanto, indicam queda na popularidade de Bolsonaro. De acordo com sondagem CNI/Ibope do fim de abril, Bolsonaro é o presidente eleito mais impopular para 3 meses do 1º mandato.

Lorenzoni, contudo, tem opinião oposta ao que mostram as pesquisas. “Nós fomos eleitos para lutar por aquilo que nós acreditamos e que a população que nos apoiou quer que a gente faça. A gente anda na rua e a população diz ‘continua, não afrouxa’. É difícil, a gente sabe. Mudar cultura não é fácil.”

 

Meio ambiente

Questionado sobre a possibilidade de decretos em relação ao meio ambiente, o ministro foi enfático em dizer que o governo não vai fazer nada que possa ferir o direito de propriedade e disparou contra as ONGs internacionais.

“Essa digital aqui não vai fragilizar o direito de propriedade do País. A propriedade é a base. Durante muito tempo aqui no Brasil se lutou para fragiliza-la e o Código Florestal brasileiro foi a primeira fragilização legal aprovada pelo Parlamento no direito de propriedade.”

O ministro voltou a afirmar que o País “já tem terra indígena demarcada demais” e que “nenhum espertinho europeu” vai interferir na soberania brasileira sobre a Amazonia.

“Quando caiu o muro de Berlim, uma boa parte da esquerda no mundo passou a usar o meio ambiente como aríete para ferir o capitalismo. A gente tem que encontrar um equilíbrio”, disse. Ainda segundo ele, o Brasil pode dar uma lição de preservação ao meio ambiente.