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16/11/2019 19:03 -03

ONU alerta para uso 'desproporcional' de forças após mortes na Bolívia

Alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, disse haver preocupação de que a situação no país possa "sair do controle".

STR via Getty Images
Relatives mourn by the coffins of supporters of Bolivian ex-President Evo Morales killed during clashes with the police in Sacaba, Cochabamba, Bolivia, on November 16, 2019. - The UN rights chief voiced alarm Saturday at the deadly crisis in Bolivia, warning that excessive force by police was "an extremely dangerous development". Morales resigned and fled to Mexico after losing the support of Bolivia's security forces following weeks of protests over his disputed re-election that has seen 15 people killed and more than 400 wounded. (Photo by STR / AFP) (Photo by STR/AFP via Getty Images)

A alta comissária da ONU (Organização das Nações Unidas) para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, condenou neste sábado (16) o uso “desnecessário e desproporcional da força” pela polícia e pelo Exército para reprimir os manifestantes na Bolívia. Segundo ela, a conduta das forças de segurança pode conduzir o país a uma situação “degenerativa”.

“Estou preocupada que a situação na Bolívia possa sair de controle se as autoridades não lidarem com isso... com total respeito pelos direitos humanos”, disse Bachelet em comunicado. “Ações repressivas das autoridades... provavelmente colocarão em risco qualquer via possível para o diálogo”, acrescentou.

Presidente do Chile por duas vezes, de 2006 a 2010 e de 2014 a 2018, Bachelet emitiu comunicado em que classificou de “extremamente perigoso” o uso excessivo da força contra os apoiadores do ex-presidente Evo Morales, que renunciou domingo passado, dia 10, em meio ao clima de instabilidade no país.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, enviou um representante à Bolívia para apoiar os esforços de negociação para uma solução pacífica para a crise social e política no país. Refugiado no México, Morales defendeu, em recente entrevista, que tanto a ONU como a Igreja Católica, se necessário o Papa Francisco, entrem nas conversas.

Morales afirma que foi deposto do cargo por um golpe de Estado que o forçou a exilar-se no México. Ele tem usado as redes sociais para se manifestar a respeito dos acontecimentos na Bolívia. 

Neste sábado, além de condenar os ataques em Cochabamba, em que pelo menos cinco pessoas morreram após serem reprimidas pela polícia e Forças Armadas em protesto, Evo pediu ajuda de advogados voluntários para atuar nos casos dos manifestantes presos. Solidarizou-se também com os cubanos que começaram a ser expulsos do país. 

Reconhecida por alguns países, a presidente interina da Bolívia, a senadora Jeanine Añez, tenta organizar novas eleições. 

A Constituição boliviana estabelece que um presidente interino tem 90 dias para organizar uma eleição. Morales renunciou após protestos em todo o país por suspeita de fraude eleitoral na eleição de 20 de outubro. Añez disse que o pleito deve ocorrer até 22 de janeiro. 

O Tribunal Superior Eleitoral boliviano tinha confirmado a vitória de Morales em primeiro turno, que daria o quarto mandato seguido ao governante. Uma auditoria da OEA (Organização dos Estados Americanos), no entanto, constatou irregularidades generalizadas na votação e na apuração.

Em 2016, Morales rejeitou o resultado de um referendo que o proibiria de concorrer a um novo mandato.

(Com informações da Agência Brasil e da Reuters)