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28/09/2020 14:09 -03 | Atualizado 28/09/2020 14:13 -03

Ontem e hoje

A pandemia de covid-19, combinada com o racismo estrutural, tornou ainda mais visíveis as antigas divisões raciais e de classe – e isso vai mudar a maneira como vivemos. Neste projeto multimídia, vamos analisar as marcas visuais que 2020 deixará no mundo.

Os acontecimentos de 2020 mudaram o mundo que conhecíamos. A covid-19 tirou centenas de milhares de vidas e de empregos, abalou o sistema educacional e destruiu indústrias. As mortes de George Floyd, Breonna Taylor e outros expuseram ainda mais o estrago causado pelo racismo estrutural e pela brutalidade policial. Com tantas mudanças significativas em nossas vidas, somos forçados a repensar como interagimos com as nossas comunidades.

Neste ensaio fotográfico, 13 fotógrafos do The Everyday Projects, uma iniciativa global que tem o objetivo de superar estereótipos através do registro visual, revisitam, em seus respectivos países, cenas que haviam fotografado anteriormente. Com o contraste dessas imagens do passado e do presente, de ontem e hoje, podemos relembrar um modo de vida que já existiu e confrontar o futuro sombrio e desconhecido que nos aguarda.

Além dos 13 conjuntos de fotos de antes e depois, você também pode ter experiências de realidade aumentada nos cinco países de origem dos fotógrafos. Uma das vantagens das tecnologias imersivas, como a realidade aumentada (RA), é a capacidade de nos levar virtualmente a lugares que não podemos visitar com facilidade.

Em meio à pandemia de covid-19, essa ideia ganha ainda mais relevância, já que as restrições de viagens e as medidas de segurança continuam limitando as visitas a amigos e parentes, bem como a exploração do mundo em geral. A realidade aumentada oferece uma camada a mais de profundidade, adicionando som e textura a esse importante trabalho.

Nas cinco experiências de RA abaixo (acessível pelo celular), você pode se transportar para Nairóbi, no Quênia; Cabul, no Afeganistão; Atlanta, nos Estados Unidos; Quito, no Equador; e Wuhan, na China. Para recriar a sensação de estar presente em uma exposição de arte, basta colocar essas imagens no seu espaço e caminhar ao redor delas. 

Clique no botão “Iniciar RA” abaixo das descrições para acessar uma galeria 3D. Aperte o botão “Ativar som” para ouvir as histórias desses cinco pares de fotografias.


Yoriyas Yassine Alaoui | Casablanca, Marrocos

Yoriyas Yassine Alaoui

Três homens em um banco em Casablanca, em dois momentos bem diferentes. O contato físico e a proximidade são características marcantes da cultura marroquina. Acima: 15 de junho de 2016 | Abaixo: 1º de agosto de 2020

Yoriyas Yassine Alaoui

Danielle Villasana | Istambul, Turquia

Danielle Villasana

Os vendedores trocaram os óculos de sol por máscaras faciais em uma barraca na feira de Fatih, em Istambul, onde o uso de máscara em locais públicos é obrigatório. As feiras livres são uma parte essencial da vida em Istambul, e cada bairro tem a sua. Geralmente, esses locais ficam lotados, mas desde a pandemia estão vazios. Acima: 31 de julho de 2019 | Abaixo: 29 de julho de 2020

Danielle Villasana

Brian Otieno | Nairóbi, Quênia

Brian Otieno

Ao longo do rio Motoine, em Kibera, um bairro de Nairóbi, a margem onde as crianças costumavam brincar está extremamente poluída. O solo ao longo da margem do rio costuma ser escavado pelos residentes e usado para construir casas na região. Acima: 9 de novembro de 2017 | Abaixo: 29 de julho de 2020

Um dia, conheci um grupo de crianças que estava brincando e se divertindo. Elas não entendiam de política ou eleições, foi um momento real e diferente do que eu vinha fotografando nos últimos dias.BRIAN OTIENO
Brian Otieno

Sheila Pree Bright  |  Atlanta, Estados Unidos

Sheila Pree Bright

O monumento confederado localmente apelidado de “Causa Perdida”, na praça Decatur, em Atlanta, foi removido em junho de 2020, após anos de protestos. Uma imagem de holograma de George Floyd, que foi assassinado pela polícia em Mineápolis em maio de 2020, ocupou temporariamente o lugar do monumento confederado. O assassinato de Floyd gerou uma onda internacional de protestos. Acima: 9 de setembro de 2017 | Abaixo: 29 de julho de 2020

A única coisa que posso imaginar é como será a libertação desse doloroso legado de violência nos Estados Unidos para os negros.SHEILA PREE BRIGHT
Sheila Pree Bright

André Coelho | Rio de Janeiro, Brasil

André Coelho

Milhares de pessoas lotam a praia de Ipanema, no Rio de Janeiro. O acesso à praia foi proibido em março de 2020 devido à pandemia e permanecer na areia ainda continua vetado. Apesar da proibição, milhares de pessoas ainda visitam as praias do Rio diariamente. Acima: 26 de outubro de 2008 | Abaixo: 23 de julho de 2020

André Coelho

Lavinia Parlamenti | Roma, Itália

Lavinia Parlamenti

De acordo com o Ministério do Patrimônio e Atividades Culturais da Itália, em 2019, mais de 55 milhões de turistas visitaram museus e sítios arqueológicos em Roma, como o Fórum Romano, retratado aqui. O acesso ao local foi restringido e é preciso fazer reserva para visitá-lo agora. Acima: 29 de maio de 2015 | Abaixo: 31 de julho de 2020

Lavinia Parlamenti

Jodi Hilton | Sófia, Bulgária

Jodi Hilton

“Antes de morrermos de covid, morreremos de fome”, explicou Yulian Metodiev, líder da comunidade cigana. Fakulteta, o maior assentamento cigano em Sófia, foi colocado em quarentena em abril de 2020 depois que mais de duas dezenas de pessoas tiveram resultado positivo no teste de covid-19. Para aqueles que teriam suas casas demolidas, a quarentena foi uma trégua. No entanto, em julho, mais casas foram demolidas, e as pessoas ficaram sem abrigo. Acima: 20 de abril de 2018 | Abaixo: 29 de julho de 2020

Jodi Hilton

Fethi Sahraoui | Mascara, Argélia

Fethi Sahraoui

A praça Emir Abdelkader, em Mascara, palco de manifestações contra o governo do ex-presidente argelino Abdelaziz Bouteflika, é desinfetada por trabalhadores. Acima: 8 de março de 2019 | Abaixo: 24 de julho de 2020

Fethi Sahraoui

Yolanda Escobar Jiménez | Quito, Equador

Yolanda Escobar Jiménez

“El Tingo” é um dos complexos de piscinas locais mais populares de Quito. Todos os fins de semana, feriados e férias, centenas de turistas lotam as piscinas. O complexo foi fechado em meados de março e não há data definida para a reabertura. Acima: 2 de maio de 2015 | Abaixo: 31 de julho de 2020

Sem pessoas, não há vida nesses lugares.YOLANDA ESCOBAR JIMENEZ
Yolanda Escobar Jiménez

Xiaojie Ouyang | Wuhan, China

Xiaojie Ouyang

Vendedores de carne e hortaliças trabalham em um mercado local em Wuhan, na China. Mais de 100 mil trabalhadores migrantes viviam na aldeia, mas cerca de 65% decidiram não voltar após o surto de covid-19, e as vendas no mercado foram prejudicadas. Acima: 22 de março de 2019 | Abaixo: 31 de julho de 2020

Quando as pessoas pensarem nesse período difícil, quero que se lembrem de que o povo de Wuhan é muito corajoso.XIAOJIE OUYANG
Xiaojie Ouyang

Nilofar Niekpor | Cabul, Afeganistão

Nilofar Niekpor

Uma sala de aula no assentamento Dasht-e-Barchi, em Cabul. As escolas no Afeganistão estão fechadas há quase cinco meses para evitar a disseminação da covid-19. O fechamento das escolas teve um grande impacto econômico sobre os professores, e os alunos sofreram uma defasagem no ensino. Não existe um sistema de educação online para substituir o ensino presencial. Acima: 12 de junho de 2016 | Abaixo: 29 de julho de 2020

O lugar que antes ficava repleto de risadas dos alunos agora está em silêncio.NILOFAR NIEKPOR
Nilofar Niekpor

Nana Kofi Acquah | Acra e Cape Coast, Gana

Nana Kofi Acquah

Os chefes tribais em Gana costumam ter uma comitiva que, entre outras coisas, usa um guarda-chuva para proteger o chefe do sol. Aqui, um chefe da tribo Ga visita o festival de arte de rua Chale Wote, em Acra, em 2015. Abaixo, o chefe Nana Munko Eku VIII, da tribo Fante, assiste a um casamento em Cape Coast em 2020, onde ele e sua comitiva usam máscaras. Acima: 23 de agosto de 2015 | Abaixo: 8 de agosto de 2020

Nana Kofi Acquah

Ritesh Uttamchandani | Mumbai, Índia

Ritesh Uttamchandani

Pessoas sobre as rochas perto da mesquita Haji Ali Dargah, em Mumbai. Construído em uma ilhota em 1431 para abrigar a mortalha de Pir Haji Ali Shah Bukhari, o prédio costumava receber mais de 100 mil visitantes por semana. No entanto, com a construção de estradas costeiras ao redor da mesquita, uma grande parte do leito rochoso está submersa e provavelmente afundará ainda mais. Acima: 9 de fevereiro de 2017 | Abaixo: 29 de julho de 2020

Ritesh Uttamchandani

Créditos:

HuffPost: Ivylise Simones (Diretora de criação), Christy Havranek (Diretora de fotografia), Damon Scheleur (Editor de fotografia)

Experiências de realidade aumentada na Web produzidas pela RYOT: Laura Hertzfeld (Diretora do programa de parceria com a XR), Guenever Goik (Chefe de CG), Patrick Love (Produtor), Erik Lohr (Diretor de áudio), Matt Valerio (Gerente de projeto), Prabuddha Paul (Líder de CG), Ricky Baba (Diretor criativo), SJ Johnson (Líder de desenvolvimento criativo)

Everyday Projects: Peter DiCampo (Cofundador), Elie Gardner (Projetos especiais da equipe da comunidade), Wacera Njagi (Coordenadora do Everyday Africa)

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