LGBT
12/09/2019 08:46 -03

'Não à LGBTfobia!': O recado que está circulando pelos ônibus de Recife

Cerca de dois mil cartazes pedindo que “deixe seu preconceito de lado. Respeite as diferenças” estão espalhados por ônibus da cidade.

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Iniciativa é uma parceria do Centro Estadual de Combate à Homofobia (CECH).

Nos próximos 15 dias de setembro, ônibus de Recife (PE) vão circular com um recado estampado em cartazes contra a LGBTfobia: “Deixe seu preconceito de lado. Respeite as diferenças”. 

Cerca de 2.870 cartazes serão colocados em linhas das empresas Borborema, Caxangá, Conorte, Metropolitana, Pedrosa, Mobibrasil, São Judas Tadeu e Transcol, que circulam por toda a cidade.

“Esta campanha faz parte de um conjunto de ações que o Centro Estadual de Combate à Homofobia (CECH) está desenvolvendo em caráter especial neste Setembro da Diversidade”, disse o secretário executivo de Direitos Humanos do estado, Diego Barbosa, ao jornal Diário de Pernambuco.

 

 

A iniciativa é uma parceria do Centro Estadual de Combate à Homofobia (CECH), vinculado à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), e ao Consórcio Grande Recife de Transportes.

A campanha tem como objetivo não só sensibilizar a população para as questões ligadas a esta população, mas também difundir as políticas públicas que estão sendo desenvolvidas pelo governo do Estado e estimular a denúncia.

Para celebrar o que foi batizado de “mês da diversidade”, nos próximos dias, pelo menos dez Paradas LGBTs acontecem no estado. No dia 15, o evento será na Avenida Boa Viagem, uma das vias principais da cidade; e, no dia 22, no bairro Dois Unidos, também em Recife.

Reprodução/TVGlobo
"Amor é a cor do respeito", diz frase pintada em desenho feito no asfalto, em junho deste ano, em Recife (PE).

Em todo o Estado de Pernambuco, de acordo com a SJDH, de janeiro a julho deste ano, foram registradas 24 denúncias de agressões contra pessoas LGBT.

 “Os números ainda são tímidos, pois muitas pessoas não se sentem seguras em denunciar”, aponta a coordenadora do Centro Estadual de Combate à Homofobia (CECH), Suelen Rodrigues, à Folha de Pernambuco. “Mas, mesmo timidamente, estamos conseguindo avançar nas políticas públicas”, destaca. 

Em junho deste ano, considerado o Mês do Orgulho LGBT, três vias principais  de Recife foram pintadas com as cores da diversidade. Entre as faixas de retenção das faixas de pedestres, no cruzamento entre a Avenida Marquês de Olinda, a Ponte Maurício de Nassau, o Cais do Apolo e o Cais da Alfândega.

Ao todo, oito artistas convidados pela prefeitura do Recife fizeram as pinturas: Jeff Alan, Caju, Rafa Mattos, Manoel Quitério, Shell Osmo, Carlos André, Natália Queiroz e Heitor. 

Os dados sobre LGBTfobia no Brasil

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Cerca de três mil pessoas compareceram à Parada LGBT de São Paulo, em 2019.

De acordo com o Atlas da Violência do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), cresceu 10% o número de notificações de agressão contra gays e 35% contra bissexuais de 2015 para 2016, chegando a um total de 5.930 casos de abuso sexual à tortura.

Canal oficial do governo, o Disque 100 recebeu 1.720 denúncias de violações de direitos de pessoas LGBT em 2017, sendo 193 homicídios. A limitação do alcance do Estado é admitida pelos próprios integrantes da administração federal, devido à subnotificação e falta de dados oficiais.

Por esse motivo, os levantamentos do Grupo Gay da Bahia, iniciados na década de 1980, se tornaram referência. Em 2018, a organização contabilizou 420 mortes de LGBTs decorrentes de homicídios ou suicídios causados pela discriminação. O relatório População LGBT Morta do Brasil mostra, ainda, um aumento dos casos desde 2001, quando houve 130 mortes.

O grupo divulgou nova pesquisa que aponta 141 vítimas entre janeiro e o dia 15 de maio deste ano. De acordo com o relatório, ocorreram 126 homicídios e 15 suicídios, o que dá uma média de uma morte a cada 23 horas por homofobia.

O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu, em junho deste ano, que a LGBTfobia deve ser equiparada ao crime de racismo até que o Congresso Nacional crie uma legislação específica sobre este tipo de violência. Pena é de até três anos e crime é inafiançável e imprescritível, como o racismo.