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30/07/2019 12:35 -03 | Atualizado 30/07/2019 12:59 -03

ONG: Brasil é o 4º país mais perigoso para ativistas do meio ambiente

Relatório da Global Witness, divulgado nesta terça-feira (30), mostra que pelo menos 20 defensores do meio ambiente foram assassinados no País em 2018.

Ueslei Marcelino / Reuters
Ao menos 20 ativistas morrem no Brasil em 2018. 

Das 164 mortes de defensores do meio ambiente registradas ao redor do mundo em 2018, 20 ocorreram no Brasil. O País é apontado como o 4º mais perigoso para ativistas. O líder no ranking são as Filipinas, com 30 vítimas, em seguida aparecem a Colômbia (24) e a Índia (23). As informações são do relatório anual da ONG Global Witness.

O índice mostra queda na violência aos ativistas no Brasil em relação a anos anteriores. Em 2017, o País atingiu seu pico, com 57 mortes. Esta é a primeira vez em 17 anos em que os brasileiros não lideram a lista.

O resultado, embora tenha que ser “celebrado”, esconde a dificuldade em fazer o levantamento, segundo Ben Leather, ativista sênior da Global Witness e um dos autores do levantamento. Ele ressalta que essas mortes são difíceis de serem contabilizadas, o que faz com que o número já seja subestimado.

“Também nos preocupa o aumento nos relatos de ataques aos defensores da terra no país, que embora violentos, não acabam em mortes e não chegam às manchetes, mas igualmente intimidam e paralisam suas ações.”

Preocupação com 2019

Há ainda uma preocupação crescente com este ano. Para o ambientalista, especialmente o aumento do desmatamento e a invasão à terras indígenas apontam para novos conflitos.

“Isso cria uma situação em que os ataques aos ativistas parecem legítimos, e inevitavelmente os tornarão mais prováveis”, afirmou.

Um exemplo é a morte do cacique Emyra Waiãpi, no Amapá, no qual o Ministério Público Federal no Amapá afirma que não há vestígios de que a terra tenha sido invadida por garimpeiros, mas indígenas denunciaram a invasão.

A própria ONG cita essa preocupação e a política brasileira como exemplo. “Embora o relatório da Global Witness se concentre em eventos de 2018, os indicadores para este ano já são desanimadores, visto que políticos poderosos em todo o mundo estão retirando proteções ambientais e de direitos humanos para promover negócios a qualquer custo”, diz trecho do relatório.

Em relação ao Brasil, exemplifica “a recente promessa do presidente Jair Bolsonaro de abrir reservas indígenas para o desenvolvimento já provocou um influxo de grileiros armados com motosserras e armas”.

Falas do presidente Jair Bolsonaro indicam ainda conivência com desmatamento e invasão de terras indígenas.

EVARISTO SA via Getty Images
Bolsonaro disse que deseja “preservar o meio ambiente mas não vamos entrar na psicose ambiental”.

Na segunda (29), Bolsonaro afirmou que excesso de reservas indígenas inviabilizam o agronegócio. Disse ainda que tem intenção de regulamentar a exploração de minérios, inclusive em terras indígenas. 

É intenção minha regulamentar o garimpo, legalizar o garimpo. Inclusive para índio, que tem que ter o direito de explorar o garimpo na sua propriedade.Jair Bolsonaro, presidente

Em 19 de julho, o chefe do Executivo disse que os números do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) sobre desmatamento são incorretos. Dados preliminares de satélites do instituto mostram na primeira quinzena de junho crescimento de 68% no desmatamento na Amazonia em relação ao mesmo período de 2018.

O sistema do Inpe é reconhecido mundialmente, com monitoramento diário de desmatamento e detecção de queimadas.

Na ocasião, o presidente afirmou que deseja “preservar o meio ambiente mas não vamos entrar na psicose ambiental”.