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17/03/2020 12:54 -03 | Atualizado 20/03/2020 14:45 -03

OMS volta atrás em recomendação de não usar ibuprofeno para tratar sintomas da covid-19

Organização diz que, após revisar pesquisas científicas, não está ciente de dados clínicos ou base da população que comprovem efeitos negativos.

Esta reportagem foi atualizada na sexta-feira (20), após mudança na recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Nesta quinta-feira (19), a OMS voltou atrás em recomendação que havia formalizado na terça (17) para não usar o ibuprofeno na pandemia do novo coronavírus. O remédio é usando normalmente em quadros gripais.

Em nota, a OMS diz que entende a preocupação de uso de antiinflamtórios como o ibuprofeno para tratar sintomas da covid-19, mas ressalta que após revisar pesquisas científicas não encontrou dados clínicos nem base da população que comprovem efeitos negativos da medicação.

No Brasil, o Ministério da Saúde mantém recomendação para o ibuprofeno não ser utilizado para tratar os sintomas da doença.

No dia 14 de março, o ministro francês da Saúde, Olivier Véran, desaconselhou o uso do ibuprofeno (princípio ativo de medicamentos como Advil, Alivium, Buscofen, Buscopan, Algiflex, Ibuprofen, Algi-Reumatril, Nurofen, Spidufen e Ibuflex) e cortisona em pacientes com registro do novo coronavírus. Para esses casos, ele recomendou o uso de paracetamol.

“Tomar medicamentos anti-inflamatórios (ibuprofeno, cortisona e outros) pode agravar a infecção. Em caso de febre, tome paracetamol. Se você já está tomando medicamentos anti-inflamatórios ou em caso de dúvida, pergunte ao seu médico”, afirmou. 

A informação tem como base um estudo publicado na revista científica The Lancet. A pesquisa, ainda preliminar, indica que pacientes com quadros de diabetes  e hipertensão medicados com ibuprofeno têm mais risco de desenvolver quadro severo da infecção.

ASSOCIATED PRESS
Estudo publicado na revista científica The Lancet, ainda preliminar, indica que pacientes com quadros de diabetes  e hipertensão medicados com ibuprofeno têm mais risco de desenvolver quadro severo da infecção.  

Os dados ainda são incipientes. Na Espanha e em Portugal, o posicionamento francês está em xeque. A Infarmed, Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde de Portugal, diz ainda não ser possível confirmar se há agravamento de infecções por causa do ibuprofeno. Ainda assim, orienta para prioridade no tratamento de febre por paracetamol.

No Brasil, antes da declaração da OMS, o Ministério da Saúde afirmou que não há comprovação que justifique a substituição do ibuprofeno. “Não é que o medicamento vai aumentar a chance de ter coronavírus”, disse o secretário-executivo da pasta, João Gabbardo. De acordo com ele, se os pacientes infectados pelo coronavírus usam o medicamento para alguma outra doença, ele passa a ter um efeito reduzido sobre a sua doença base.

Outro medicamento a ser olhado com atenção são aqueles à base de corticoides. O estudo publicando na Lancet aponta que o uso desse princípio ativo pode afetar a capacidade de reação do sistema imunológico. Pneumologistas da Associação Francesa de Asmas e Alergias aconselham que o uso do medicamento seja “relativizado”, especialmente, em casos de pacientes asmáticos.