MULHERES
27/05/2020 16:33 -03 | Atualizado 27/05/2020 16:34 -03

OMS, Fifa e Comissão Europeia se unem em campanha contra violência doméstica na pandemia

"Pedimos à comunidade do futebol que se conscientize desta situação intolerável", disse o presidente da Fifa, Gianni Infantino.

A Fifa se uniu à OMS (Organização Mundial da Saúde) e à Comissão Europeia para realizar a campanha #SafeHome (#CasaSegura) para ajudar mulheres e crianças vítimas da violência doméstica durante a pandemia de covid-19

Quase um terço das mulheres de todo o mundo são vítimas de violência física ou abusos sexuais por parte de seus parceiros ou outras pessoas.

Cerca de 1 bilhão de crianças de idades entre dois e 17 anos (a metade dos menores do mundo) sofre violência física, sexual ou abandono todos os anos, de acordo com dados da OMS.

Na América Latina e no Caribe, 58% das crianças sofrem abusos sexuais, físicos ou emocionais, e 30% das mulheres já sofreram violência por parte de seu companheiro afetivo em algum momento da vida.

REUTERS
Cartaz com foto de Alicia Cortez Lara, considerada desaparecida e encontrada morta na cidade de Ecatepec, no México.

“Pedimos à comunidade do futebol que se conscientize desta situação intolerável, que afeta especialmente as mulheres e as crianças em seus lares, um lugar em que deveriam se sentir seguros e felizes”, disse por sua parte o presidente da Fifa, Gianni Infantino.

As medidas de distanciamento social impostas em muitos países dificultam para mulheres e crianças se refugiarem com familiares, amigos ou agentes de saúde, algo que era mais viável antes da pandemia, de acordo com a OMS, que também é parte da campanha #SafeHome.

“Da mesma maneira que não se tolera o abuso físico, sexual ou psicológico no esporte, tampouco se deve tolerar em casa”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, em um comunicado. ”[Devido ao] isolamento a que estão submetidas muitas pessoas por causa da Covid-19, o risco de sofrer violência doméstica aumentou tragicamente”, acrescentou.

“Não podemos ficar em silêncio em relação a este tema, que afeta negativamente tantas pessoas. A violência não tem espaço nos lares, assim como não tem espaço no esporte. O futebol tem o poder de retransmitir mensagens sociais importantes e, por meio da campanha #SafeHome (#CasaSegura), queremos assegurar que as pessoas que estão sofrendo violência tenham acesso aos serviços de apoio que necessitam.”

De acordo com Infantino, a Fifa estimulou as federações-membro da entidade a divulgarem os contatos dos serviços telefônicos de ajuda ou dos serviços de apoio locais ou nacionais que podem ajudar as vítimas ou qualquer pessoa que se sinta ameaçada de sofrer violência.

A campanha de conscientização, realizada em vídeo, traz 15 jogadores e jogadoras do passado e do presente. Entre eles, grandes nomes da América Latina como Álvaro Arbeloa, Rosana Augusto, Vítor Baía, Khalilou Fadiga, Matthias Ginter, David James, Annike Krahn, Marco Materazzi.

A campanha está sendo publicada nos canais digitais da Fifa.

Quarentena aumentou violência doméstica no Brasil

coldsnowstorm via Getty Images
Dados do Ligue 180 apontam que houve 37,5 mil registros entre janeiro e abril deste ano, contra 32,9 mil no mesmo período em 2019.

Denúncias de violência contra a mulher aumentaram 14% nos quatro primeiros meses de 2020, em relação ao mesmo período no ano passado. Estes dados são referentes Ligue 180, canal oficial do governo federal dedicado ao atendimento de vítimas de violência doméstica no País.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (14), pela ONDH (Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos), do MMFDH (Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos).

Segundo o órgão, o número total de denúncias registradas no primeiro quadrimestre de 2020 foi de 37,5 mil, contra 32,9 mil no mesmo período de 2019. O mês de abril, quando houve o início da quarentena devido ao coronavírus no País, apresentou aumento de 37,6% no comparativo.

Especialistas e organizações que trabalham na rede de enfrentamento à violência contra a mulher no País já haviam apontado a possibilidade do aumento de agressões devido ao isolamento social. Para as vítimas, a medida mais eficaz contra a disseminação do novo coronavírus no Brasil e no mundo, na verdade, pode ser sinônimo de mais vulnerabilidade.

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