POLÍTICA
10/03/2019 08:49 -03

Qual será o limite da 'guerra fria' entre Olavo de Carvalho e o vice Mourão?

“Horror em estado puro”, “protetor de comunistas” e “fingido” são alguns dos termos usados por Carvalho para se referir ao vice-presidente.

Montagem/Divulgação/Reuters

Nas últimas semanas, o filósofo OlavodeCarvalho tem dedicado boa parte do espaço do seu Twitter para tecer críticas e ataques diretos ao vice-presidente da República, general HamiltonMourão.

“Horror em estado puro”, “protetor de comunistas” e “fingido” são alguns dos termos usados por Carvalho para se referir ao vice.

Apesar dos duros ataques, Mourão tem evitado rebatê-los. Na última quinta-feira (7), questionado pelo O Globo se ele se afetava com os comentários, Mourão riu. “Beijinhos, pô”, respondeu com o um tom irônico.

O mesmo tom foi replicado pelo “guru” do governo Bolsonaro. ”É uma cantada?”, escreveu Olavo de Carvalho em resposta nas redes sociais.

A guerra fria entre Olavo de Carvalho e Hamilton Mourão tem se intensificado desde que o general optou por abandonar um linguajar mais rude, e repleto de declarações ofensivas, para adotar uma versão mais moderada — muito diferente da retórica da família Bolsonaro.

Além disso, enquanto Jair Bolsonaro elegeu a imprensa como inimiga, Mourão não foge das entrevistas, trata bem os jornalistas e tem a tendência de não se omitir sobre os assuntos em pauta.

Aliás, não foram poucas as vezes em que o vice veio a público para tentar explicar posicionamentos polêmicos de Jair Bolsonaro e minimizar o impacto disso no governo, ou até mesmo para divergir deles. 

Enquanto o presidente e boa parte de seus apoiadores são contra qualquer tipo de descriminalização do aborto, Mourão defende que essa seja uma decisão da mulher.

“Minha opinião como cidadão, não como membro do governo, é de que se trata de uma decisão da pessoa.”

Ele também não vê com muita empolgação a flexibilização do porte de armas, uma das principais bandeiras da campanha de Bolsonaro. 

“Esta questão eu não vejo como uma medida de combate à violência. Vejo apenas, única e exclusivamente como o cumprimento de promessa de campanha e que vai ao encontro aos anseios, em grande parte, de parte de eleitorado dele”, declarou o vice.

Em janeiro, enquanto o presidente teria comemorado a decisão de Jean Willys que, após sofrer ameaças, desistiu de não assumir o seu terceiro mandato como deputado federal, Mourão usou o seu Twitter para condenar qualquer violência contra os parlamentares.

As opiniões muitas vezes conflitantes de Mourão com as do programa de governo de Bolsonaro fizeram Olavo de Carvalho afirmar que o “maior erro de sua vida” foi apoiar o general para a vice-presidência.

“Não cessarei de pedir desculpas por essa burrada”, escreveu em seu Twitter.

O ápice dos ataques olavistas, contudo, se deu após Mourão afirmar que o Brasil “perdeu” com o recuo do ministro Sérgio Moro em relação à indicação da especialista em segurança pública Ilona Szabó, para compor como suplente o CNPCP (Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária).

A declaração feita na última terça-feira (5) gerou uma enxurrada de tuítes como reação. A gota d’água fez o filósofo decretar o vice como “inimigo do presidente e de seus eleitores”. 

Mourão x “Mouzão”

Em reportagem publicada em 26 de fevereiro, o jornalista Vasconcelo Quadros, da Agência Pública, relatou como três semanas de sessões de media training transformaram o general afastado do Comando Militar do Sul no contraponto do atual governo.

“O general Mourão é um homem preparado. Absorveu rapidamente o que interessava e passou a se expressar de forma mais produtiva no contato com a imprensa”, afirmou o tenente-coronel Alexandre Lara de Oliveira, responsável pelo treinamento.

“Ele aprendeu a entender o que os jornalistas buscam, que é o lide.”