COMIDA
16/03/2019 10:36 -03

O que é dieta Pegana e por que ela virou 'moda' nos EUA e Europa

Dieta combina princípios do estilo de vida vegano com a dieta paleolítica.

Dieta mediterrânea, jejum intermitente, dieta paleolítica, Dukan, Low Carb, veganismo... A lista das dietas “da última moda” é bem extensa. De tempos em tempos, surge uma nova dieta milagrosa, recomendada em livros e citada em estudos que atestam sua efetividade.

Com programas alimentares bem diferentes e quase sempre restritos, elas têm um único propósito comum: emagrecer com saúde

Nos últimos meses, uma nova dieta vem ganhando novos adeptos e despertando curiosidade nos Estados Unidos, Canadá e em muitos países da Europa. A dieta Pegana (ou “Pegan Diet”, no inglês) é um dos termos mais buscados no Google destes países. A rede social Pinterest destacou que a procura pela dieta entre seus usuários aumentou 337% no último ano.

 

Afinal, o que é a dieta Pegana? 

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A Dieta Pegana tenta balancear as fontes de energia: 75% dos alimentos consumidos são frutas, vegetais e oleaginosas e os outros 25% são carnes e gorduras saudáveis de origem animal.

A dieta foi introduzida no mercado pelo médico Mark Hyman em 2015. Em um artigo em seu blog pessoal, chamado “Porque eu sou um Pegano ― ou Paleo-Vegano ― e por que você deveria ser também!”, Hyman destaca a dieta como um plano alimentar que combina princípios da dieta vegana e da dieta paleolítica. 

As duas dietas, a princípio, não têm nada em comum, já que uma bane o consumo total de alimentos de origem animal, e a segunda tem este item como o principal do cardápio. Mas os dois estilos de vida compartilham a mesma ideia: comer “alimentos de verdade”, ou seja, não comer alimentos processados e industrializados.  

Enquanto no veganismo, os adeptos não consomem qualquer alimento de origem animal (ovos, lácteos, carnes, manteiga e etc), a dieta paleolítica é baseada principalmente em raízes, vegetais e carnes, alimentos que eram base da alimentação do homem das cavernas. 

A Pegana tenta balancear fontes de energia e nutrientes: 75% dos alimentos consumidos são frutas, vegetais e oleaginosas e os outros 25% são carnes e gorduras saudáveis de origem animal, de animais que tenham se alimentado de grama.

Por outro lado, alimentos com glúten, grãos e leguminosas (como feijões, arroz e grão de bico) são proibidos e laticínios (como iogurte, leite e queijo) são permitidos em raros momentos, apenas se forem orgânicos. 

A ideia central da dieta Pegana é uma alimentação rica em alimentos in natura, que são frescos (de preferência orgânicos), e focada principalmente no consumo de vegetais e frutas.  

 

Os riscos do ‘clean eating’

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“Essa dieta me parece mais equilibrada", diz nutricionista sobre a dieta Pegana. 

Entre a dieta paleo, vegana e pegana, a última é a mais flexível e oferece mais nutrientes, segundo a nutricionista Sophie Deram, doutora em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e autora do best-seller O Peso das Dietas. A nutricionista explica que, por permitir verduras, legumes, frutas e carnes, a pegana não é tão restrita como as dietas vegana e paleolítica.

“Essa dieta me parece mais equilibrada. Muitas pessoas se adaptam e melhoram a alimentação com ela”, conta ao HuffPost Brasil. “Mas, como uma boa francesa, é triste pensar em abrir mão do queijo”, brinca a nutricionista franco-brasileira. 

Apesar de ser ainda desconhecida no Brasil, a dieta pegana está em evidência em países na Europa. Mas esta fama e “flexibilidade aparente” não a deixam livre de riscos. 

A recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) é que não se deve retirar nenhum alimento da dieta ― mas sim moderá-los de acordo com suas necessidades nutricionais. 

Sophie Deram segue tal recomendação e lembra que dietas restritivas podem desencadear deficiências nutricionais ou até mesmo um estresse e ansiedade sobre o ato de se alimentar e isso afetar a saúde mental.

Com o aumento da procura por dietas restritivas, muitas pessoas perdem saúde mental e podem desenvolver até mesmo a chamada “ortorexia”, que é um distúrbio alimentar caracterizado pela obsessão em comer saudável e praticar o “Clean Eating”, ou “comida limpa”. “Parece que a gente precisa sempre dar nome para alimentação, não é?”, diz Deram.

“Muitas pessoas se adaptam bem e têm uma vida saudável, mas infelizmente, o que vemos nos consultórios são muitas outras que ficam estressadas com sua alimentação”, conta.

“Tudo o que é muito restrito pode alterar a saúde mental, pois somos animais sociáveis e uma pessoa que come restrito não sai de casa, não vê gente e isso causa mais ansiedade.”

E a ansiedade no ato de se alimentar, continua a especialista, é um dos maiores riscos de dietas como a Pegana, que tem regras e restringe grupos de alimentos. “O problema da Pegana é essa obsessão em ‘comer limpo’. Isso é perigosíssimo porque a pessoa vai comer fora de casa e não sabe se a carne é orgânica. Ela perde saúde por causa desse estresse. Isso depende muito de como a pessoa vai encarar a dieta”, ressalta. 

Segundo a nutricionista, que é especialista em tratamento de Transtornos Alimentares e crítica às dietas restritivas, o ato de comer bem é comer de tudo ― sem restrição, sem culpa e respeitando as fomes e emoções. 

Precisamos, sim, ter essa consciência de melhorar a qualidade da nossa alimentação, mas precisamos também ter cuidado para que isso não gere um estresse maior. Saúde não é só peso, não é só 'comer limpo'.Sophie Deram, nutricionista