OPINIÃO
09/12/2019 03:00 -03 | Atualizado 09/12/2019 08:49 -03

'Família brasileira pode assistir', avisa autora de 'Amor Sem Igual', novela da Record sobre prostitutas

“As prostitutas não entram de uma forma didática. Elas fazem parte do universo dos personagens. É uma história romântica", disse a autora.

Divulgação/Blad Meneghel/Record TV
Day Mesquita e Rafael Sardão

A Record TV promoveu na última quinta-feira (05/12) a coletiva de imprensa de sua mais nova novela, Amor Sem Igual, que estreia nesta terça (10). Equipe técnica, autora, roteiristas e diretores são os mesmos da que está sendo finalizada na segunda-feira, Topíssima, escrita por Cristianne Fridman com direção geral de Rudi Lagemann

Conversei com os dois e eles explicaram as diferenças entre as produções, o porquê da escolha por São Paulo para ambientar a trama, e que história é essa da protagonista ser uma prostituta.

Causou estranhamento quando a Record TV anunciou que a mocinha de sua próxima novela exerceria “a mais antiga das profissões”. Porém, Fridman acalma os mais afoitos: ”Família brasileira pode assistir, papai, mamãe, todo mundo!

“As prostitutas não entram de uma forma didática. Elas fazem parte do universo dos personagens. É uma história romântica. Não é um mergulho no mundo da prostituição”, afirmou Fridman. Rudi Lagemann completou: “A prostituição entra como pano de fundo, com dois cenários importantes na trama: a rua e o clube chique de prostituição.”

Cristianne Fridman ainda salientou que foi a própria Cristiane Cardoso - supervisora de texto da Record - quem sugeriu esse tema.

Pelo clipe apresentado à imprensa, fica claro que trata-se de uma história romântica, à la Julia Roberts no filme Uma Linda Mulher. Inclusive na caracterização, com direito à peruca da personagem do cinema (foto acima). A atriz Day Mesquita é a linda mulher da vez e os elogios a ela foram rasgados, tanto por parte da autora quanto do diretor: ”Muita entrega ao papel″.

A principal diferença entre Topíssima e Amor Sem Igual - além da ambientação, uma é no Rio e outra em São Paulo - é a abordagem. A protagonista de Topíssima, Sophia era uma feminista que vivia às turras com o mocinho, com uma pegada de comédia. A protagonista de Amor Sem Igual – a prostituta Poderosa - não acredita no amor. Seu par romântico vê nela a possibilidade de “recuperá-la”. Não é o viés da comédia que conduz a história, mas o drama.

Rudi Lagemann destacou: “A diferença nessa novela é que ela é mais adulta no enredo, nos temas. Tudo bem, tinha a questão de drogas e aborto em Topíssima. Não são as questões sociais que vão predominar [em Amor Sem Igual], mas o romance, o básico do folhetim. Os temas estão ao redor, a prostituição, o tráfico de órgãos. Como são assuntos sérios e importantes, eu tenho que prestar mais atenção. Não posso tratar como uma comédia e não posso pesar no realismo.”

Por que ambientar em São Paulo? Lagemann entrega: “A escolha veio direto da direção da emissora. Por Topíssima ser tão marcante no Rio, acho que repetir uma história no Rio ia ser complicado. E também para atender São Paulo, uma cidade mais cosmopolita, com uma diversidade, muitas etnias. Isso torna o enredo mais rico.”

 

Divulgação/Blad Meneghel/Record TV
César Cardadeiro, Guilherme Dellorto, Ernani Moraes e Miguel Coelho no Mercadão cenográfico.

Fridman fecha com o diretor: “Nós temos no Mercadão de São Paulo o bom convívio das diferenças: há o paulista, o chinês, o japonês, o nordestino. A novela traz isso à tona. Temos que respeitar as diferenças, parar com o preconceito que se traduz muitas vezes em uma violência que não pode mais ser admitida.”

Nos estúdios da Casablanca (coprodutora) foi reproduzida parte do Mercadão de São Paulo, com várias barracas de produtos, além do mezanino, onde ficam os bares e lanchonetes. A diferença é que não há (nos estúdios) o mezanino, já que o nível é mesmo do térreo, com as barracas. Cabe à computação gráfica criar o efeito de mezanino.

Antenada com o público tecnológico, que não depende mais exclusivamente da passividade do aparelho de televisão em casa, mas de uma série de janelas e plataformas digitais que permitem não só a audiência, mas também a interação, a Record dá ênfase na novela às novas tecnologias por meio dos personagens. Assim como Vivi Guedes em A Dona do Pedaço da Globo, Amor Sem Igual usará as redes sociais reais para engajar o público, com personagens inseridos nesse universo.

Cristianne Fridman salientou a importância da Record na produção de dramaturgia no Brasil chamando a atenção para o atual momento do país, com o descaso por parte das autoridades com a Arte e Cultura: “Um país que não está dando o devido valor ao Entretenimento, à Arte. Tendo uma emissora produzindo, gerando emprego, não só para atores, técnica, mas uma série de empregos [indiretos], é muito importante. Temos que louvar a Record por estar batalhando e mantendo essa dramaturgia. Porque hoje em dia o Brasil está meio complicado nesse setor”.

Fridman ainda criticou os formatos híbridos, a tentativa de mesclar telenovela com séries e cinema: “A dramaturgia da Record vem inovando. Não temos mais a mocinha, o mocinho, um terceiro elemento e a disputa para todo mundo saber, no final, que a mocinha fica com o mocinho. Não estamos reinventando a roda, mas estamos traduzindo isso para uma linguagem mais moderna. E sem ser o moderno pelo moderno, porque não adianta nada você transformar a novela em uma outra coisa. Novela não é seriado. O seriado tem suas especificidades, o filme tem suas especificidades.”

Sobre a cobrança pela audiência, a autora foi enfática: ”A Record nunca cobrou audiência de autor.″ 

E a participação de Cristiane Cardoso (supervisora, filha de Edir Macedo) no texto? “Ela é supervisora de texto, então às vezes ela dá uns pitacos. Toda relação entre um autor e um supervisor tem pontos positivos e negativos. Tem um momento que você, óbvio, discorda. Isso é natural. Mas não é uma relação ruim. Muitas vezes, há interferências muito boas.”

Com estreia para esta terça-feira (10/12), Amor Sem Igual será exibida no novo horário de novelas da Record, às 20h30. 

Produzida com a Casablanca, Amor Sem Igual contará a história da prostituta Angélica, a “Poderosa”, interpretada por Day Mesquita, que despertará o amor de Miguel, vivido por Rafael Sardão, um agrônomo boa gente. No elenco, também Juan Alba, Selma Egrei, Françoise Forton, Heitor Martinez, Thiago Rodrigues, Stefany Brito, Ernani Moraes, Paulo Figueiredo, Barbara França, Castrinho, Manuela do Monte, Dani Moreno, Thierry Figueira, entre outros.

Clique aqui para saber mais sobre a trama e conhecer o elenco completo e os personagens.

Nilson Xavier assina esta coluna no HuffPost. Siga nosso colunista no Twitter e acompanhe seus melhores conteúdos no site dele. Também assine nossa newsletter aqui com os melhores conteúdos do HuffPost.

Eleições nos EUA
As últimas pesquisas, notícias e análises sobre a disputa presidencial em 2020, pela equipe do HuffPost