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16/03/2019 13:58 -03

Após massacre, leis de armas são examinadas na Nova Zelândia e premiê promete reformas

País tem população pouco abaixo das 5 milhões de pessoas, mas cerca de 1,5 milhão de armas de fogo.

ASSOCIATED PRESS
Atentados em duas mesquitas deixaram 49 mortos em Christchurch, na Nova Zelândia.

A Nova Zelândia é normalmente um país pacífico e calmo - e cheio de armas.

A reputação da Nova Zelândia como um país relaxado e seguro, onde mesmo a polícia geralmente anda desarmada, não condiz com o fácil acesso às armas ou com a taxa de proprietários de armas de fogo, entre as maiores do mundo.

Isso foi colocado sob os holofotes pelo massacre de 49 pessoas por um atirador em duas mesquitas de Christchurch com um arsenal de armas poderosas.

Isso levou a uma promessa imediata por leis de armas mais rígidas da primeira-ministra Jacinda Ardern, que disse que o atirador da mesquita tinha licença para carregar armas e que 5 haviam sido usadas durante o massacre, inclusive 2 semiautomáticas e 2 pistolas.

As armas também teriam sido modificadas, disse Ardern a repórteres em Christchurch, neste sábado (16).

″É um desafio com o qual vamos tentar lidar mudando nossas leis”, disse ela.

As regras na Nova Zelândia exigem que donos de armas sejam licenciados, mas, ao contrário da vizinha Austrália, elas não exigem que todas as armas sejam registradas, dando às autoridades uma fraca supervisão às armas de fogo do país, segundo o site GunPolicy.org.

“A polícia não tem ideia de quantas armas realmente existem na Nova Zelândia”, disse Phillip Alpers, especialista em leis de armas com sede na Austrália e diretor do GunPolicy.org.

Ele disse que a Nova Zelândia, com população pouco abaixo das 5 milhões de pessoas, tem estimado 1,5 milhão de armas de fogo.

Rifles semiautomáticos militares, banidos na vizinha Austrália, são permitidos na Nova Zelândia, mas precisam ser registrados.

POOL New / Reuters
O australiano Brenton Tarrant, autor dos ataques, foi apresentado a um tribunal local neste sábado (16).

Atirador na Nova Zelândia tinha intenção de continuar ataques 

O principal suspeito do pior tiroteio em massa da história da Nova Zelândia pretendia continuar com a violência antes de ser pego pela polícia, disse a primeira-ministra Jacinda Ardern neste sábado (16).

“O atirador podia se locomover, havia duas outras armas de fogo no veículo em que o infrator estava, e era absolutamente sua intenção continuar com seu ataque”, disse Ardern a repórteres em Christchurch.

O suspeito, identificado como Brenton Harrison Tarrant, um cidadão australiano de 28 anos, foi acusado de homicídio, embora Ardern tenha acrescentado que outras acusações são prováveis.

“Não tenho o privilégio de ter um ‘breakdown’ neste momento, mas está claro que as crianças pequenas foram apanhadas neste ataque horrível”, disse ela em relação às vítimas do ataque.