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16/04/2019 10:09 -03

O que foi salvo e o que se perdeu no incêndio da Notre Dame

Telhado e torre não resistiram ao fogo, mas 'cordão humano' salvou relíquias sagradas e o órgão principal.

Gonzalo Fuentes / Reuters
O telhado da catedral foi completamente consumido pelo fogo. A torre que ficava ao centro desmoronou com as chamas.

O incêndio que queimou a Catedral de Notre Dame, em Paris, por mais de 9 horas na noite de segunda-feira (15) e madrugada de terça (16) devastou o mundo, que acompanhou incrédulo parte da história desaparecer em meio às chamas.

No fim da noite, representantes dos bombeiros disseram que a catedral havia sido “salva” - leia-se a principal parte da estrutura do prédio -, mas praticamente todo o telhado em madeira e a torre central, conhecida como “a flecha” não resistiram ao fogo.

O presidente francês, Emmanuel Macron, já disse que a catedral - um dos principais pontos turísticos da França e do mundo, recebendo anualmente14 milhões de visitantes, mais do que o Brasil recebe como um todo - será reconstruída.

O prédio, que é um símbolo da arquitetura gótica francesa, levou mais de 180 anos para ser construído. A obra foi iniciada no ano de 1163 e foi dedicada a Maria, a mãe de Jesus Cristo. Desde então, já havia passado por diversas restaurações.

A igreja também era famosa pela visão que oferecia de Paris, principalmente na fachada oeste, onde estavam as gárgulas.

Nesta terça-feira, autoridades francesas ainda avaliavam a extensão dos estragos dentro da igreja terminada no século 14, que é patrimônio cultural da humanidade.

Mas já é possível saber alguns tesouros que foram salvos e o que, de fato se perdeu. Veja abaixo:

 

O que foi salvo

 

Santa Coroa de espinhos

Um dos mais preciosos tesouros guardados na catedral era a Ste-Couronne, a “Santa Coroa”, que é conhecida como a coroa de espinhos colocada na cabeça de Jesus antes de ele ser crucificado.

O objeto chegou na catedral em meados do século XIII e, na noite de segunda, a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, anunciou que a peça havia sido retirada antes que o fogo a atingisse.

Philippe Wojazer / Reuters

Túnica de São Luís

A prefeita também tranquilizou a população ao anunciar que a túnica do único rei francês que se tornou santo foi preservada. Confeccionada no século 13 em linho, a túnica também ficava entre os tesouros no interior da Notre Dame. 

O rei Luís foi coroado em 1226 e morreu durante as cruzadas, sendo canonizado menos de 30 anos após sua morte, em 1297.

O Grande Órgão 

Localizado numa das pontas da nave principal da igreja, o Grande Órgão, com 8.000 tubos, foi construído em 1403, mas passou por inúmeras renovações - a última delas em 2013. Segundo o site da catedral, no entanto, algumas partes do instrumento ainda datam da era medieval. 

O vice-prefeito de Paris, Emmanuel Gregoire, afirmou, na noite de segunda, que o órgão foi salvo do fogo.

 

Estátuas dos apóstolos e evangelistas

Na última quinta-feira, estátuas em bronze dos 12 apóstolos e dos 4 evangelistas foram retiradas da catedral como parte dos esforços de revitalização pela qual a igreja passava. Por menos de uma semana, as peças se salvaram do incêndio.

 

Outros objetos litúrgicos

Objetos valiosos em ouro, como castiçais e cálices, também foram salvos, segundo a prefeita, por meio de um “valioso cordão humano”. 

Benoit Tessier / Reuters
Alguns tesouros foram salvos durante incêndio na Notre Dame.

Fachada da catedral

A fachada, as duas torres frontais e a estrutura do prédio como um todo não parecem ter sido afetadas. As famosas gárgulas da catedral também sobreviveram às chamas. 

 

O que o fogo consumiu 

 

Telhado

Mais de dois terços do telhado de 100 metros de extensão da Notre Dame foram rapidamente consumidos pelo fogo. Em madeira - basicamente carvalho -, o teto era uma das estruturas mais antigas de Paris, de acordo com o site da catedral.

Gonzalo Fuentes / Reuters
Philippe Wojazer / Reuters
Imagem de dentro da Notre Dame mostra o telhado ainda em chamas.

A “flecha”

A queda da torre central, em chamas, foi uma das cenas mais marcantes do incêndio que atingiu a Notre Dame nesta segunda-feira. 

A torre era feita de 500 toneladas de madeira e 250 toneladas de chumbo. Era na sua base que ficavam as estátuas dos apóstolos e evangelistas retiradas na última semana.

A “flecha”, como era conhecida, não fazia parte da estrutura original do prédio - tinha sido construída no século 19. 

 

Estragos que ainda não sabemos

Os impactos do incêndio sobre algumas estátuas e os valiosos vitrais da catedral ainda são incertos e, possivelmente, só será possível saber o real estrago sobre os tesouros da Notre Dame nos próximos dias.

Listamos aqui alguns deles.

O interior da catedral, que comporta cerca de 6 mil pessoas, estava repleto de vitrais, estátuas e outros detalhes, desde os degraus das escadarias até o topo de sua fachada.

As três rosáceas de vitrais da catedral são descritas como “uma das maiores obras-primas do cristianismo”. Uma delas tem o diâmetro de 12,90m, e a altura da claraboia chega perto de 19 metros. 

Philippe Wojazer / Reuters
Uma das rosáceas de vitrais da catedral de Notre Dame, antes do incêndio.

Imagens feitas após o incêndio mostram que, aparentemente, os vitrais se mantiveram, mas ainda é cedo para determinar o impacto do fogo sobre o vidro.

Gonzalo Fuentes / Reuters
Rosácea vista de fora, após o incêndio.

Fotos, com o interior ainda envolto em fumaça, mostram que a cruz do altar se manteve, mas não é possível avaliar o estado da escultura “A descida da cruz”, de Nicolas Coustou, que fica ao seu lado.

Ainda no interior da catedral, chama a atenção dos turistas a estátua Jeanne d’Arc bienheureuse, (Joana d’Arc santíssima ou abençoada, em tradução literal), do artista francês Charles Desvergne (1860-1928).

Vestindo armadura, capacete, saia longa e com mãos em gesto de oração, a imagem representa o agradecimento pela beatificação. 

Joana d’Arc foi canonizada em 16 de maio de 1920, pelo papa Bento XV, e se tornou um símbolo da resistência francesa.

Philippe Wojazer / Reuters
  • Andrea Ronchini/NurPhoto via Getty Images
    A catedral de Notre Dame, em Paris, antes do incêndio que aconteceu em 15 de abril.
  • Andrea Ronchini/NurPhoto via Getty Images
    Os vitrais da catedral de Notre Dame, em Paris, antes do incêndio de 15 abril. 
  • NurPhoto via Getty Images
    Os vitrais da catedral de Notre Dame, em Paris, antes do incêndio de 15 abril. 
  • Waring Abbott via Getty Images
    A estátua de Joana D'Arc, feita pelo escultor frânces Charles Desvergnes. 
  • Philippe Wojazer / Reuters
    Uma visão do órgão e da rosácea em vitral, na catedral de Notre Dame, em Paris. 
  • Charles Platiau / Reuters
    Uma visão por dentro da catedral de Notre Dame, em Paris, antes do incêndio
  • Charles Platiau / Reuters
    Detalhes da estátua de Joana D'Arc, feita pelo escultor frânces Charles Desvergnes. 
  • Juan Carlos Hernández Hernández via Getty Images
    Os detalhes dos vitrais da catedral de Notre Dame, em Paris, antes do incêndio de 15 abril. 
  • guy-ozenne via Getty Images
    Os detalhes dos vitrais da catedral de Notre Dame, em Paris, antes do incêndio de 15 abril.