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22/05/2020 16:16 -03

Heleno diz que apreensão do celular de Bolsonaro pode gerar ‘consequência imprevisível’

Texto assinado pelo general com brecha para quebra da estabilidade nacional gera debate sobre possibilidade de intervenção no STF e "hora de reagir".

Andressa Anholete via Getty Images
General Augusto Heleno “alerta as autoridades constituídas” que a apreensão seria uma “evidente tentativa de comprometer a harmonia entre os Poderes”

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, classificou nesta sexta-feira (22) de “inconcebível” o pedido de apreensão do celular do presidente Jair Bolsonaro em queixa-crime no inquérito que analisa a suposta interferência do presidente na Polícia Federal e afirmou que a decisão sobre ele pode ter “consequências imprevisíveis” para a estabilidade nacional.

Em nota, o ministro “alerta as autoridades constituídas” que a apreensão seria uma “evidente tentativa de comprometer a harmonia entre os Poderes” e uma “afronta” ao presidente da República.

O texto deixa no ar a possibilidade de um golpe no País. A mensagem vai em sentido oposto ao que ele afirmou na quinta (21), em live para o grupo Personalidades em Foco. “Os militares não vão dar golpe. Isso não passa na cabeça dessa nossa geração, que foi formada por aquela geração que viveu todos aqueles fatos, como estar contra o governo, fazer uma contrarrevolução em 1964”, disse

No Twitter, a base bolsonarista, em partes alimentada por robôs, no entanto, usa o texto de Heleno para clamar por um golpe. A hashtag #HelenoJaTaNaHora é um dos assuntos mais comentados, com endossos de críticas ao STF.

Aliado do presidente e um entusiasta da luta armada, o político condenado no mensalão Roberto Jefferson foi um dos que defendeu uma intervenção no STF. 

A nota também gerou reações contra o posicionamento do ministro. O advogado criminalista Augusto Botelho destacou que a decisão judicial que pede apreensão do telefone do presidente sequer existe.  

A queixa-crime que pede quebra do sigilo, apresentada por partidos de oposição, foi enviada à Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, relator do inquérito. O envio do pedido à PGR para que ela se manifeste a respeito é praxe em investigações.