OPINIÃO
12/03/2020 07:00 -03 | Atualizado 12/03/2020 09:35 -03

'Nos Tempos do Imperador' não é a 1ª continuação de novela da Globo; conheça outros casos

Com Selton Mello no papel de Dom Pedro II, novo folhetim das 6 dá continuidade à história de "Novo Mundo" (2017).

João Miguel Jr./TV Globo
Selton Mello como D. Pedro II e Letícia Sabatella como Imperatriz Tereza Cristina em "Nos Tempos do Imperador".

A Globo estreia no dia 30 e março sua nova novela das seis, Nos Tempos do Imperador, escrita pela dupla Thereza Falcão e Alessandro Marson, a mesma de Novo Mundo (2017), que tinha a Independência do Brasil como pano de fundo. Nos Tempos do Imperador dá continuidade à história, dessa vez no Segundo Reinado, com Dom Pedro II como o protagonista (papel de Selton Mello).

Uma continuação, se considerarmos que, levando em conta a História do Brasil, trata-se do prosseguimento da trama abordada anteriormente. Contudo, são novos entrechos e um novo elenco em novos personagens. Apenas três são remanescentes da novela anterior, fictícios: o casal cômico Licurgo e Germana, envelhecidos, com os mesmos atores, Guilherme Piva e Vivianne Pasmanter, e Quinzinho, agora adulto, vivido por Augusto Madeira.

Não é a primeira vez, dentro e fora da Globo, que uma novela ganha uma continuação, ou seja, a história original continua a ser contada do ponto que parou ou com um salto no tempo. Na Globo, continuações foram bem raras. Veja o levantamento abaixo - desconsiderei as temporadas de Malhação com mesmo elenco e personagens (como era comum até os anos 2000).

Acervo/TV Globo
Cristina Mullins como Pituca e Paulo Castelli como Lepe em "Voltei pra Você", continuação de "Meu Pedacinho de Chão".

- Em 1983, a Globo levou ao ar a novela Voltei pra Você, continuação da trama de Meu Pedacinho de Chão, exibida em 1971 (esta, por sua vez, ganhou um remake em 2014) - com os personagens Lepe, Pituca e Tuim, crianças em 1971, já adultos em 1983. Havia ainda três outros personagens comuns às duas novelas: Zelão, Coronel Epaminondas e Padre Santo - os dois últimos, os únicos vividos pelos mesmos atores nas duas produções: Castro Gonzaga e Percy Aires.

- Em 1988, foi ao ar a minissérie Abolição, em comemoração ao Centenário da Abolição da Escravatura. No ano seguinte, estreou a minissérie República, em comemoração ao Centenário da Proclamação da República. Gravados juntos, um projeto dava continuidade ao outro. O elo foi o personagem Lucas Tavares (Luís Antônio Pilar), comum nas duas tramas. A família imperial também foi mantida com os mesmos intérpretes: Dom Pedro II (Carlos Kroeber), Imperatriz Tereza Cristina (Regina Macedo), Princesa Isabel (Tereza Rachel) e Conde D’Eu (Odilon Wagner).

- A minissérie Hoje é Dia de Maria (2005) rendeu a continuação Hoje é Dia de Maria Segunda Jornada, exibida no mesmo ano. Na realidade, apenas dividiu-se a produção para duas exibições separadas.

Novelas que geraram spin-offs em formato de seriados:

- Logo após o término da novela O Primeiro Amor (1972), estreou a série Shazan, Xerife e Companhia, com dois personagens coadjuvantes da novela, vividos por Paulo José (Shazan) e Flávio Migliaccio (Xerife).

- A novela O Bem-Amado (1973) retornou em 1980 como seriado, com parte do elenco original.

Acervo/TV Globo
Flávio Migliaccio e Paulo José em "Shazan, Xerife e Companhia". Do lado direito: Paulo Gracindo em "O Bem Amado". 

- A novela Elas por Elas (1982) deu origem, no ano seguinte de sua exibição, ao seriado Mário Fofoca, também com Luiz Gustavo.

- A minissérie Cinquentinha (2009) rendeu a série Lara com Z (2011), estrelada por uma das protagonistas da minissérie original, Lara, vivida por Susana Vieira.

- Personagens isolados que retornaram em novelas diferentes, em que uma nada tem a ver com a outra, é bem comum. Os casos mais famosos são: Dona Armênia (Aracy Balabanian) e seus três filhos (Gerson Brenner, Marcello Novaes e Jandir Ferrari), da novela Rainha da Sucata (1990), que voltaram em Deus nos Acuda (1992); e o Jamanta (Cacá Carvalho) deTorre de Babel (1998), que retornou na novela Belíssima (2005).

Outras emissoras

- O sucesso da novela Beto Rockfeller (Tupi, 1968/1969), gerou um seriado com Luiz Gustavo e Plínio Marcos, exibido em 1970, aos sábados à noite. Em 1973, vários personagens da novela original retornaram em uma nova novela: A Volta de Beto Rockfeller, dando prosseguimento às aventuras do personagem de Luiz Gustavo.

- A novela Os Deuses Estão Mortos (1970-1971), da TV Record, teve uma continuação logo após seu término, Quarenta Anos Depois, com um salto de quarenta anos no tempo e parte do elenco original, envelhecido, mostrando os destinos dos personagens.

- O sucesso de Dulcinéia, personagem de Dercy Gonçalves na novela Cavalo Amarelo (1980), da TV Bandeirantes, foi tanto que a atriz emendou uma novela na outra. Dulcinéia Vai à Guerra, substituta no horário, era uma espécie de continuação de Cavalo Amarelo.

Divulgação
Luiz Gustavo na capa do LP "A Volta de Beto Rockfeller" e Dercy Gonçalves em "Cavalo Amarelo" (revista Amiga).

- A novela Os Imigrantes (1981), da TV Bandeirantes, foi dividida em várias fases. A última fase recebeu um subtítulo, Terceira Geração, com alguns personagens das fases anteriores. Na verdade, uma forma da emissora de chamar a atenção do público para a continuidade de sua novela, que estava perdendo audiência. Apesar de ininterrupta (foi exibida na sequência), foi lançada como se fosse uma nova produção, mas não passava da continuação das histórias anteriores com um salto no tempo.

- Como estratégia para levantar audiência, a novela Amazônia (1991/1992), da TV Manchete, terminou no capítulo 43, e, com o mesmo elenco, entrou no ar Amazônia Parte 2. De nada adiantou, a audiência continuou baixa.

- Exibida pelo SBT entre 1997 e 2001, em 5 temporadas, a novela Chiquititas saía do ar em janeiro e voltava em abril. Durante suas “férias”, a emissora exibia alguma novela mexicana curta. As novas temporadas nada mais eram do que continuações das aventuras das crianças do orfanato Raio de Luz.

- A novela A Escrava Isaura (2004-2005), da Record TV, leva a um caso curioso: em vez da continuação da história em outra produção, foram apresentados os antecedentes da trama original. Escrava-Mãe (2016) narrava a saga da escrava Juliana (Gabriela Moreyra), mãe de Isaura, até o nascimento da filha.

- Em janeiro de 2006, a Band estreou a segunda temporada de Floribella (de 2005), com o prosseguimento de suas aventuras, alguns mesmos personagens e outros novos, em novos entrechos.

- A chamada Trilogia dos Mutantes foi composta por produções apresentadas na sequência: as duas fases da novela Os Mutantes (entre 2007 e 2009, a primeira fase chamada de Caminhos do Coração) mais a novela Promessas de Amor (2009). No entanto, esta última não era uma continuação das fases anteriores, mas uma nova história, com novos personagens e elenco, embora mantivesse os elementos fantásticos das duas primeiras partes.

- Por ter sido exibida em duas temporadas ininterruptas, com o mesmo elenco e prosseguimento da ação, a versão brasileira de Rebelde (2011-2012), da Record TV, é considerada uma novela só. 

Divulgação/Record TV
Anúncio da novela "Os Mutantes - Caminhos do Coração" | Guilherme Winter em "Os Dez Mandamentos".

- A novela Os Dez Mandamentos (2015-2016), da Record TV, foi dividida em duas temporadas, com mais de quatro meses separando uma exibição da outra. Na nova fase da saga de Moisés (Guilherme Winter), novos personagens e tramas surgiram, assim como núcleos da fase anterior desapareceram. Já a novela substituta, A Terra Prometida (2016-2017), deu prosseguimento à história de Josué (Sidney Sampaio), herdeiro da posição de Moisés - porém são consideradas novelas distintas.

PS1: A novela Esperança (2002-2003), apesar de vendida para a Itália com o título Terra Nostra 2, não é uma continuação de Terra Nostra (1999-2000). Assim como O Beijo do Vampiro (2002-2003) não é continuação deVamp (1991-1992).

PS2: A Globo prepara para breve uma continuação da novela Verdades Secretas (2015), sucesso de Walcyr Carrasco, com parte do elenco original. E a Record TV promete a continuação deTopíssima (2019). Aguardemos!