ENTRETENIMENTO
06/03/2019 13:36 -03 | Atualizado 06/03/2019 17:42 -03

'Cem Anos de Solidão', de Gabriel García Márquez, vai virar série na Netflix

Rodrigo García e Gonzalo García Barcha, filhos do escritor, assinam a produção-executiva da série.

Getty Editorial
Esta será a primeira vez que o clássico da literatura latino-americana, lançado em 1967, será adaptado em vídeo, algo que era temido por Garcia Marquez.

O misticismo de Melquíades. A chuva que nunca para. As borboletas amarelas. A cidade que sobrevive. A casa que cria raízes. A trajetória fantástica dos Aurelianos, Buendías, Josés Arcádios, Remédios, Meme, Amarantas.

O universo do realismo mágico de Cem Anos de Solidão, obra mais conhecida do escritor colombiano Gabriel García Márquez, será adaptada em formato de série de TV pela Netflix. A notícia foi confirmada nesta quarta-feira (6) pelo New York Times. O serviço de streaming lançou um teaser nas redes sociais:

 

“Bem-vindos a Macondo”, diz o vídeo que anuncia a produção. Esta será a primeira vez, em cerca de 50 anos, que o clássico da literatura latino-americana, lançado em 1967, será adaptado em formato de vídeo, algo que era temido pelo próprio Gabriel Garcia Marquez. 

Segundo o NYT, a produção será toda falada em espanhol e boa parte das filmagens serão feitas na Colômbia. As exigências e os créditos para isso são dos filhos do escritor, Rodrigo Garcia Gonzalo García Barcha, que serão produtores executivos do seriado.

Rodrigo García confirmou ao jornal o receio de García Marquez ao transformar sua obra em filme. Ele acreditava que seu universo não pudesse funcionar nas telonas e exigia que a adaptação fosse feita em espanhol, o que fez com que várias propostas fossem recusadas. Mas agora vão dar corpo à essa vontade.

“Nos últimos três ou quatro anos, o nível de prestígio e sucesso das séries e minisséries cresceu muito (...). A Netflix esteve entre as primeiras a provarem que as pessoas estão dispostas a assistir séries produzidas em línguas estrangeiras, com legendas”.

Francisco Ramos, vice-presidente de originais em espanhol da Netflix, afirmou que ainda é muito cedo para dizer quem será escalado para interpretar personagens na série ou trabalhará na adaptação, mas garantiu que está comprometido em contratar os “melhores talentos da América Latina”. 

Falar de solidão, falar de amor

Daniel Munoz / Reuters
Gabriel Garcia Marquez venceu o Nobel de Literatura em 1982, com Cem Anos de Solidão.

Cem anos de solidão conta a história de um século nas vidas da família Buendía, cujo patriarca, José Arcadio Buendía, fundou Macondo. O livro é considerado uma “obra-prima” da literatura latino-americana, popularizando o realismo mágico. Desde sua publicação, em 1967, livro vendeu cerca de 50 milhões de cópias, foi traduzido para 46 idiomas.

Em 1983, García Marquez venceu o prêmio Nobel de Literatura. Em seu discurso, ele se referiu a si mesmo como pertencente a uma linhagem de “inventores de fábulas que acreditam em tudo” e que sentem:

“o direito de acreditar que ainda não é demasiado tarde para nos lançarmos na criação da utopia contrária. Uma nova arrasadora utopia da vida, onde ninguém possa decidir pelos outros até mesmo a forma de morrer, onde de verdade seja certo o amor e seja possível a felicidade, e onde as estirpes condenadas a cem anos de solidão tenham, enfim e para sempre, uma segunda oportunidade sobre a terra.”

Morto em 17 de abril de 2014, aos 87 anos, ele deixou um legado que foi capaz de levar leitores junto com ele e fazê-los acreditar em qualquer coisa ― ou naquilo que o chamado realismo mágico pode criar.

O trabalho do autor colombiano baseou-se tanto em sua vivência como jornalista na América Latina, a admiração por William Faulkner e Mark Twain, quanto histórias vividas durante sua infância na casa de seus avós em Aracataca, na Colômbia. Hoje, 6 de março, ele completaria 92 anos.

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