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16/04/2020 17:53 -03 | Atualizado 16/04/2020 18:01 -03

Novo ministro da Saúde, Nelson Teich defende isolamento, mas quer conciliar saúde e emprego

Oncologista escolhido por Bolsonaro para vaga de Mandetta condena polarização de saúde e economia no debate da pandemia do coronavírus.

Karina Zambrana/Fotos Públicas
Nelson Teich assume Ministério da Saúde após crise entre Bolsonaro e Mandetta atingir clímax.

Escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (16) para substituir Luiz Henrique Mandetta à frente do Ministério da Saúde, o oncologista Nelson Teich deve tentar equilibrar uma condução técnica no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus com as demandas políticas do chefe do Executivo. O médico foi conselheiro de Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018.

Assim como Mandetta, Teich defende o isolamento horizontal para conter o ritmo de contágio do vírus. Sem vacina nem remédio comprovado cientificamente para enfrentar a covid-19, a restrição da circulação de pessoas é apontada pela comunidade científica como medida comprovada para achatar a curva de contaminados. Isso significa que menos gente fica doente ao mesmo tempo, o que evita o colapso do sistema de saúde.

Em artigos publicados entre o final de março e início de abril, Teich ponderava que o isolamento social seria a melhor maneira de lidar com a pandemia, mas de forma a conciliar com interesses econômicos.

“Essa abordagem dividida, antagônica e talvez radical não é aquela que mais vai ajudar a sociedade a passar por esse problema”, escreveu em 24 de março. 

Em seu primeiro pronunciamento como ministro, Teich também ressaltou que saúde e emprego são áreas complementares e não excludentes:

Elas não competem entre si, são complementares. Quando polariza, começa a tratar pessoas versus dinheiro, bem versus mal, emprego versus pessoas doentes.

Para Teich, o desenvolvimento econômico é fundamental para a preservação da saúde das pessoas — pensamento consoante com o discurso de Bolsonaro.

“Se você não tem emprego, pouco recurso vai influenciar, tem impacto enorme na qualidade de vida e expectativa de vida da sociedade”, argumentou.

Ao lado do presidente Jair Bolsonaro, em seu primeiro pronunciamento, Teich deixou claro a missão que lhe foi incumbida pelo presidente: iniciar gradualmente a flexibilização do isolamento social.

O novo ministro da Saúde também defende a testagem em massa, dificuldade atual do ministério.

Conhecido por sua atuação no Instituto COI, no Rio de Janeiro, o oncologista tem aval da classe médica e dos ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Secom (Secretaria de Comunicação), Fabio Wajngarten.

Por sua defesa da ciência, auxiliares de Bolsonaro avaliam que colocar Teich na pasta “seria trocar 6 por meia dúzia”. Isso porque o discurso anticientífico de Bolsonaro, reforçado por suas posições sobre a cloroquina, aumentou a tensão entre ele e Mandetta. 

Antes de fazer sua escolha, o presidente analisou que, para efetuar essa troca de comando na pasta em meio à pandemia, não poderia desmobilizar todo o time da Saúde. Por isso, estava buscando um médico respeitável que “se subordinasse” a alguns de seus direcionamentos, mas sem causar “tanto impacto” às políticas em curso. 

A Associação Médica Brasileira (AMB)  elogiou a escolha de Nelson Teich como novo ministro da Saúde. “Na AMB referendamos o nome de Nelson Teich. É um nome que conta com nosso total apoio, e pelo qual temos muita simpatia. Respeitado na classe médica, eminentemente técnico, gestor e altamente preparado para conduzir o Ministério da Saúde”, afirmou o presidente da entidade, Lincoln Lopes Ferreira. Lincoln e outros integrantes da entidade da AMB estiveram na reunião de Bolsonaro com Teich nesta quinta-feira (16).