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01/11/2019 11:33 -03 | Atualizado 01/11/2019 11:46 -03

Marinha diz que navio grego suspeito de derrame transportou óleo da Venezuela

“Imagens de satélite... apontam esse navio como principal suspeito”, afirmou a Marinha em nota.

LEO MALAFAIA via Getty Images

A Marinha informou nesta sexta-feira que, em trabalho coordenado com a Polícia Federal e outros órgãos, foi possível identificar o navio grego suspeito do derrame de petróleo no mar que atingiu o litoral nordestino.

Segundo a Marinha, a embarcação suspeita transportava produto proveniente do terminal San José, na Venezuela, com destino à África do Sul.

“Imagens de satélite... apontam esse navio como principal suspeito”, afirmou em nota.

A PF e o Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte, que também está envolvido nas investigações, não divulgaram o nome da empresa.

A Marinha disse ainda que o óleo coletado nas praias do litoral nordestino foi submetido a várias análises em laboratórios que comprovaram ser originário de campos petrolíferos da Venezuela, informações essas que foram complementadas pela verificação de outros parâmetros, como carga, porto de origem, rota de viagem e informações dos armadores.

A Polícia Federal, por meio de geointeligência, identificou uma imagem satélite do dia 29 de julho de 2019, relacionada a uma mancha de óleo, localizada 733,2 km a leste do Estado da Paraíba. Essa imagem foi comparada a imagens de datas anteriores, em que não foram identificadas manchas, de acordo com o comunicado que aponta os caminhos das investigações.

De acordo com a PF, o navio em questão atracou em 15 de julho na Venezuela, onde permaneceu por três dias antes de seguir rumo a Cingapura, vindo a aportar depois apenas na África do Sul.

“O derramamento investigado teria ocorrido nesse deslocamento”, afirmou a PF, acrescentando que cumpre dois mandados de busca e apreensão na cidade do Rio de Janeiro em sedes de representantes e contatos da empresa grega no Brasil.

Segundo a Marinha, “as investigações prosseguem, visando identificar as circunstâncias e fatores envolvidos nesse derramamento (se acidental ou intencional), as dimensões da mancha de óleo original, assim como mensurar o volume de óleo derramado, estimar a probabilidade de existência de manchas residuais e ratificar o padrão de dispersão observado”.

Óleo venezuelano

De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e a Petrobras, o óleo encontrado nas praias brasileiras é venezuelano. Segundo a Petrobras, não há dúvida de que é proveniente da bacia Oriental da Venezuela, com características semelhantes ao encontrado em três campos da região, conforme identificado pela estatal após análises realizadas a pedido do governo.

Segundo as autoridades, a investigação criminal visa impor aos responsáveis, inclusive pessoas jurídicas, as penas do crime de poluição previsto no artigo 54 da lei ambiental, bem como o crime do artigo 68 da mesma lei, decorrente do fato de não ter havido comunicação às autoridades acerca do incidente.

Em nota, o MPF potiguar informou que a diretoria de Inteligência da PF ―com base em informações da Marinha― concluiu que “não há indicação de outro navio... que poderia ter vazado ou despejado óleo, proveniente da Venezuela”.

Ainda de acordo com o MPF, esse mesmo navio ficou detido nos Estados Unidos por quatro dias, devido a “incorreções de procedimentos operacionais no sistema de separação de água e óleo para descarga no mar”.

“O sistema de rastreamento da embarcação confirma a passagem pelo ponto de origem, após ter atracado na Venezuela ―país desenvolvedor do óleo derramado―, ao seguir viagem para a África do Sul e Nigéria”, disse a nota.

Segundo o MPF, “há fortes indícios de que a (empresa), o comandante e tripulação do navio deixaram de comunicar às autoridades competentes acerca do vazamento/lançamento de petróleo cru no Oceano Atlântico”.