LGBT
20/12/2019 15:07 -03 | Atualizado 20/12/2019 19:05 -03

Mãe do youtuber Murilo Araújo fez um enfeite que todo LGBT gostaria de ter na árvore de Natal

"Só quem é LGBT sabe o significado bonito e precioso que isso tem." 🏳️‍🌈❤️

Reprodução/Twitter
Mãe do Youtuber Murilo Araújo colocou toda a família na árvore de Natal -- incluindo Murilo e seu namorado -- e as imagens viralizaram nas redes sociais.

O youtuber Murilo Araújo, do canal Muro Pequeno, certamente já ganhou seu presente de Natal. Ele contou no Twitter que, neste ano, sua mãe resolveu colocar fotos de todos da família nos enfeites da árvore ― e que foi surpreendido ao ver uma foto dele ao lado de seu namorado, Raphael Elias.

“Talvez eu esteja chorando um pouquinho? Talvez. Só quem é LGBT sabe o significado bonito e precioso que isso tem”, escreveu Murilo ao publicar imagens do enfeite no Twitter em mensagem que viralizou pela internet.

Após repercussão positiva, o youtuber fez um outro tuíte em que aparece ao lado de sua mãe. “Aqui uma foto com mamãe também pra vocês conhecerem essa maravilhosa”, escreveu na rede social.

Em resposta, seu namorado, Raphael Elias, se declarou para o namorado: “Coisa mais linda essa minha sogra! Só podia ser mãe dessa coisa preciosa que é você!”. E Mateus retribuiu, afirmando seu amor por ele:

“Te amo, nego! Feliz de ver esses momentos bonitos chegando, e muito feliz de poder dividir eles todos com você.”

Há três anos, Mateus, que é de Salvador (BA), contabiliza mais de 123 mil seguidores em seu canal no YouTube. No “Muro Pequeno”, ele fala sobre temas como cultura, militância, comunidade LGBT e negritude.

Em um dos vídeos que gravou durante a campanha eleitoral de 2018, quando Jair Bolsonaro, conhecido por histórico recente de declarações homofóbicas e agenda conservadora, foi eleito para a Presidência da República.

No vídeo “Eu quero seguir vivendo, amor!”, ele fala sobre conservadorismo, militância LGBT e sobre esperança, além de cantar Alegria, Alegria ao lado de Raphael Elias, seu namorado. Ao final, os dois se beijam e comemoram.

“A gente ainda tem muito chão pra andar. A gente ainda tem muito para construir. É preciso que a gente acredite no poder de união e mobilização que a gente tem. Eu repito que as coisas que a gente tem para construir são muito maiores do que o ódio que a gente está enfrentando”, disse no vídeo.

A dimensão da violência contra LGBTs no Brasil

EVARISTO SA via Getty Images
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em junho deste ano, que a LGBTfobia deve ser equiparada ao crime de racismo.

De acordo com o Atlas da Violência do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), cresceu 10% o número de notificações de agressão contra gays e 35% contra bissexuais de 2015 para 2016, chegando a um total de 5.930 casos, de abuso sexual a tortura.

Canal oficial do governo, o Disque 100 recebeu 1.720 denúncias de violações de direitos de pessoas LGBT em 2017, sendo 193 homicídios. A limitação do alcance do Estado é admitida pelos próprios integrantes da administração federal, devido à subnotificação e falta de dados oficiais.

Por esse motivo, os levantamentos do Grupo Gay da Bahia, iniciados na década de 1980, se tornaram referência.

Em 2018, a organização contabilizou 420 mortes de LGBTs decorrentes de homicídios ou suicídios causados pela discriminação. O relatório “População LGBT Morta do Brasil” mostra, ainda, um aumento dos casos desde 2001, quando houve 130 mortes.

O grupo divulgou nova pesquisa que aponta 141 vítimas entre janeiro e o dia 15 de maio deste ano. De acordo com o relatório, ocorreram 126 homicídios e 15 suicídios, o que dá uma média de uma morte a cada 23 horas por homofobia.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em junho deste ano, que a LGBTfobia deve ser equiparada ao crime de racismo até que o Congresso Nacional crie uma legislação específica sobre este tipo de violência. Pena é de até 3 anos e crime será inafiançável e imprescritível, como o racismo.