MULHERES
06/02/2020 16:02 -03

Astronauta retorna à Terra e bate recorde feminino após ficar 328 dias no espaço

Christina Koch ficou a bordo da estação internacional por tempo recorde e realizou a primeira caminhada espacial 100% feminina da Nasa.

Alexander Ryumin via Getty Images
Christina Koch comemora sua chegara à Terra. 

A astronauta norte-americana Christina Koch, que liderou a primeira caminhada espacial feminina em 2019, aterrissou no Cazaquistão nesta quinta-feira (6) após estadia recorde na Estação Espacial Internacional (ISS). O retorno encerrou uma missão que durou quase um ano ― exatos 328 dias ― que promete trazer inovações às próximas viagens espaciais da Nasa.

“Do que vou sentir falta? A beleza requintada do planeta Terra e esta maravilha que seu povo incrível criou”, escreveu Koch ao publicar uma imagem da órbita da Terra em seu Twitter momentos antes de pousar no planeta.

Koch, engenheira nascida na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, se juntou ao grupo de astronautas em 2013 e hoje ostenta o título de mulher com a mais longa estadia no espaço. A missão que participou fornecerá aos pesquisadores da Nasa dados valiosos sobre como a falta de peso e a radiação espacial afetam o corpo feminino em longos voos espaciais, por exemplo.

A cápsula Soyuz MS-13 aterrissou às 4h12 ET (912 GMT) com Koch, de 41 anos, o astronauta europeu Luca Parmitano, da Itália, e o cosmonauta russo Alexander Skvortsov. Eles serão transportados por equipes de busca e recuperação para a região de Karaganda para começar sua jornada de volta para casa.

Estou tão impressionada e feliz agora.Christina Koch

“Estou tão impressionada e feliz agora”, disse Koch, ao sentar-se em uma cadeira enquanto era enrolada em cobertores para esperar o transporte para um atendimento médico e restaurar seu equilíbrio na gravidade. 

Koch também alcançou um outro marco. Em outubro do ano passado, ao lado da cientista Jessica Meir, Koch protagonizou a primeira caminhada espacial 100% feminina. Eles completaram mais duas caminhadas em janeiro.

A caminhada aconteceu sete meses depois da agência norte-americana ter cancelado sua primeira missão apenas com mulheres, alegando falta de trajes espaciais no tamanho correto para as participantes.

Desde o início da montagem da ISS, em 1998, caminhadas espaciais foram realizadas apenas com times masculinos ou mistos. A Nasa afirma que 214 saídas deste tipo foram realizadas até hoje.

A primeira mulher a realizar uma caminhada espacial foi a cosmonauta soviética Svetlana Savitskaya, há 35 anos. Mais de 500 pessoas foram ao espaço, mas apenas 11% foram mulheres.

Em julho do ano passado, a Nasa também anunciou seu mais novo projeto: a missão Artemis, que terá como objetivo fazer com que uma mulher pise na lua. Até o momento, apenas 12 pessoas chegaram até o satélite; todas eram homens e brancos. 

O nome da missão é uma homenagem à deusa que é atribuída à lua na mitologia grega, Artemis, e faz referência a seu irmão gêmeo, Apollo, que batizou que batizou o projeto que levou o primeiro homem à lua, em 1969.

ASSOCIATED PRESS
Koch retornou da Estação Espacial Internacional, em segurança, na quinta-feira (6) nas estepes do Cazaquistão.

“As mulheres se adaptam bem ao espaço, então acho que esse é um marco que será ultrapassado por outras no futuro e é o que aspiramos”, disse Lori Garver, ex-vice-administradora da agência.

Os 328 dias no espaço de Koch bateram o recorde de Peggy Whitson, que havia ficado 289 dias. Scott Kelly é quem detém o recorde geral norte-norte-americano com 340 dias no espaço, e o russo Valeri Polyakov é quem detém o recorde global de 437 dias a bordo da extinta estação espacial Mir.

Astronautas da estação espacial, cujo vigésimo aniversário em órbita baixa da Terra ocorre ainda este ano, fizeram 227 caminhadas espaciais de manutenção, das quais quase duas dúzias incluíam mulheres astronautas, segundo a NASA.

Os 340 dias de Kelly demonstraram que o voo espacial de longo prazo causa espessamento da artéria carótida e da retina, alterações na expressão gênica e leve comprometimento cognitivo dos homens.

Porém, estudar e aprimorar o impacto de longos vôos espaciais pode ser útil para o objetivo da NASA de construir uma estação espacial permanente na Lua na próxima década.