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28/07/2020 13:22 -03

Na pandemia, dedicação dos alunos do Ensino Superior caiu pela metade, aponta pesquisa

Levantamento feito pela fintech de financiamento estudantil PraValer indica ainda que maioria dos estudantes prefere o ensino 100% presencial.

Igor Alecsander via Getty Images
Entre os pontos positivos do ensino remoto, os alunos citaram a flexibilidade no horário e no local de estudo.

A dedicação de alunos do Ensino Superior ao estudo caiu pela metade após a transição para o ensino remoto por causa da pandemia do novo coronavírus. A média de dedicação que era de 20 horas semanais passou para 10 horas semanais, de acordo com pesquisa feita com estudantes de instituições privadas pela fintech de financiamento estudantil Pravaler. O levantamento, divulgado nesta terça-feira (28), indica ainda que, apesar de apontarem pontos positivos, os estudantes preferem aulas presenciais. 

De acordo com o sócio-diretor do Pravaler, Rafael Baddini, a queda na dedicação se deve muito por causa da disciplina dos estudantes, dos impactos na rotina domésticas gerados pela pandemia, além de falta de método das faculdades que fizeram uma transição inesperada. 

“A disciplina dos alunos é um ponto. O aluno em casa fica com mais dificuldade para assistir às aulas e fazer as tarefas, tem a confusão na vida das pessoas [gerada pela disseminação do ], lugar para estudar, alterações no dia-a-dia com quem tem filho. Tudo isso influenciou e fez com que tivesse essa queda na dedicação das horas semanais dos alunos”, disse, em entrevista coletiva de imprensa. 

Baddini destaca que a mudança também foi repentina nas instituições e para os professores. “Tem levar em conta a plataforma das faculdades, essa adaptação, e um pouco da adaptação dos professores. Eles dormiram como profissionais presenciais e acordaram como online. O professor também precisa se adequar e o próprio aluno vai ter que, ao longo do tempo, se adequar a essa nova metodologia.”

Vale destacar que o ensino remoto é novidade para 75% dos estudantes ouvidos. Entre os pontos negativos mais citados está a falta de contato com colegas e professores. “A faculdade, para o aluno, faz parte do seu ciclo de vida. É uma parte da vida dele, em que tem contato com novas pessoas. Essa ausência é um ponto extremamente importante que afetou muito.”

Essa queixa pode ser apontada como um fator que faz com que a maioria dos estudantes (75%) prefiram as aulas 100% presenciais. No modelo atual, eles listam como ponto positivo ter mais tempo para família, flexibilidade no local de estudo, horário flexível, além do valor da mensalidade (em alguns casos as instituições ofereceram acordo ou descontos, por causa do impacto econômico da pandemia). Para Baddini, esses aspectos podem engajar mais alunos a acessar o Ensino Superior. 

Para montar este cenário, o Pravaler contou a resposta de 955 estudantes a um formulário enviado por e-mail no qual pedia a opinião sobre a transição abrupta para o ensino remoto. A sondagem foi feita entre os dias 9 e 16 de junho, com alunos de todas as regiões do País, com idades entre 18 e 28 anos.