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29/09/2020 10:25 -03 | Atualizado 29/09/2020 10:27 -03

Mundo ultrapassa 1 milhão de mortes por covid-19 em menos de 9 meses

ONU diz que marco é 'angustiante' e OMS afirma que 'a única coisa positiva sobre o vírus é que ele é suprimível, não é a gripe'.

Ed Wray via Getty Images
Familiares se despedem de vítima em Jakarta, na Indonésia.

Um milhão de mortos. A contagem das perdas para a covid-19 atingiu o trágico número na noite de segunda-feira, menos de 9 meses após a primeira morte pelo novo coronavírus confirmada. A compilação dos dados é feita pela Universidade Johns Hopkins, dos EUA, a partir dos dados oficiais dos países.

O número de mortes pelo novo coronavírus neste ano já é o dobro da quantidade de pessoas que morrem anualmente de malária, e o índice de mortalidade aumentou nas últimas semanas devido ao aumento das infecções em vários países.

Além das perdas humanas, a pandemia devastou a economia global, sobrecarregou os sistemas de saúde e mudou a maneira como as pessoas vivem.

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Em cemitério em São Paulo, valas foram abertas para novos sepultamentos diante do aumento de mortes por covid.

“Nosso mundo alcançou um marco angustiante”, disse o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, em um comunicado.

″É uma cifra atordoante. Mesmo assim, nunca podemos perder de vista toda e qualquer vida individual. Eles eram pais e mães, esposas e maridos, irmãos e irmãs, amigos e colegas.”

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No cemitério de Green-Wood, no Brooklyn, em Nova York, um mural feito em maio lembrava o nome dos mortos pela covid na cidade.

Só foram necessários três meses para as mortes de covid-19 dobrassem para meio milhão. Mais de 5.400 pessoas estão morrendo em todo o mundo a cada 24 horas, de acordo com cálculos da Reuters baseados nas médias de setembro, sobrecarregando serviços funerários e cemitérios.

Isto equivale a cerca de 226 pessoas por hora, ou uma pessoa a cada 16 segundos. Durante os 90 minutos de uma partida de futebol, em média 340 pessoas morrem.

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Cemitério no Valle de Chalco, nos arredores da Cidade do México, tem recebido mortos por covid.

“Muitas pessoas perderam muitas pessoas e não tiveram a chance de se despedir. Muitas pessoas que morreram, morreram sozinhas... é uma morte terrivelmente difícil e solitária”, disse a porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Harris, em uma entrevista coletiva da ONU em Genebra.

A OMS disse que 1 milhão de mortos é “uma marca muito triste”. “A única coisa positiva sobre o vírus é que ele é suprimível, não é a gripe”, afirmou Harris.

SAJJAD HUSSAIN via Getty Images
Homem carrega caixões de baixo custo em Nova Déli, na Índia. País ultrapassou o Brasil no número de casos.

Especialistas continuam receosos de que as cifras oficiais de mortes e casos globais subestimem consideravelmente a verdadeira soma por causa das limitações na realização de exames e nos registros e da possibilidade de ocultação de alguns países.

A reação à pandemia colocou em choque defensores de medidas de saúde, como isolamentos, e aqueles determinados a manter o crescimento econômico politicamente delicado, e as abordagens variam de país a país.

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Em Gulu, na Uganda, um homem desinfeta o local após enterro de vítima de covid.

Estados Unidos, Brasil e Índia, que juntos respondem por quase 45% de todas as mortes globais de covid-19, suspenderam medidas de distanciamento social nas últimas semanas.

O Brasil já tem mais de 142 mil mortes, ocupando o segundo lugar no número de vítimas fatais – atrás apenas dos Estados Unidos, com mais de 205 mil. 

Quanto ao número de casos, está em terceiro lugar, atrás da Índia e dos norte-americanos. Há diferenças entre as taxas de testagem dos 3 países, o que evidencia a subnotificação.

Flavio Lo Scalzo / Reuters
Em Alessandria, Itália, esse era o cenário em março: caixões amontoados esperando pelo sepultamento.

No território norte-americano, foram registrados mais de 6,9 milhões de casos e a média de testes diários é de 139 por 100 mil habitantes, segundo a universidade. No Brasil, a média é 37 por 100 mil habitantes. Na Índia, são 5,8 milhões de diagnósticos e a média é de 1 por 100 mil.

Há um atraso entre o dia em que a morte ocorreu e o dia em que essa informação foi confirmada em laboratório que pode ser superior a um mês. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. Na prática, o exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. A baixa testagem é um dos entraves apontados por sanitaristas para a flexibilização do isolamento social. 

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