MULHERES
09/07/2019 01:00 -03

Por que mães estão usando um grupo fechado no Facebook para falar sobre sobre bombeamento de leite

Mais francesas estão procurando ajuda alheia para se informar sobre o assunto.

Aliseenko via Getty Images
Bombas de leite têm ajudado mães francesas a enfrentar dificuldades na amamentação.

Elas não conseguem ou não querem mais amamentar por diversos motivos, então usam bombas. São as “bombeadoras”, que se reúnem para trocar informações e se ajudar em um grupo de Facebook que tem mais de 8,3 mil integrantes. 

A França, como os Estados Unidos e a Irlanda, tem um dos mais baixos índices de amamentação entre os países ricos. Mas as bombas de leite são relativamente pouco usadas no país.

O grupo Les tire-allaitantes (“as bombeadoras”, em francês) é o maior grupo de Facebook em francês sobre o assunto. O fórum, que fica no Facebook, é coordenado por dez mulheres que respondem às dúvidas de acordo com suas respectivas especialidades.

Rébecca é especialista em mamilos. Céline desvendou o mistério dos tamanhos dos flanges, as peças plásticas que têm de se ajustar ao formato do seio para que a retirada de leite seja otimizada. Joëlle escreveu o guia básico para quem entra no grupo. Calypso se especializa em fazer o flange “pegar”. E assim por diante.

100% voluntárias 

As moderadoras do grupo são assistentes sociais, enfermeiras, professoras, engenheiras químicas e vendedoras que compilam as informações por conta própria e oferecem guias abrangentes sobre um assunto que carece de literatura. Elas usam seu tempo livre para ajudar mães que não querem dar fórmula para seus bebês e não fazem ideia de como começar a usar uma bomba.

“Perdi a conta das mães que vêm nos procurar depois de receber informações incorretas de profissionais”, diz Céline, que pediu para ser identificada apenas pelo primeiro nome. “Na última vez, uma consultora de lactação disse a uma mãe que ela ‘não estava mais produzindo leite’, depois de uma entrevista de três minutos. Bem, a mãe continuou tentando, e a ajudamos bastante. Dois meses depois, ela procurou a consultora de novo e disse: ‘Não é por sua causa que voltei a amamentar minha filha, mas graças a um grupo do Facebook’. Temos muitos relatos parecidos.”

Todo tipo de mulher

Ao sair da maternidade, toda mãe francesa recebe uma oferta para comprar ou alugar uma bomba de leite – mas ela não inclui o treinamento para usá-la.

As integrantes do grupo Les tire-allaitantes têm históricos diversos. Algumas não podem dar de mamar por razões médicas, outras tiveram bebês prematuros; algumas têm filhos alérgicos à proteína do leite de vaca, outras querem usar o leite bombeado como suplemento; algumas não conseguem dar de mamar, outras sentem dor.

Você não deve pensar na bomba como um tipo de ‘férias’.Céline, administradora do grupo do Facebook

E também existem as mães que simplesmente não querem dar de mamar e decidiram usar a bomba exclusivamente. 

Algumas preferem o método porque foram vítimas de abuso sexual ou porque têm relação complicada com seus corpos. Outras têm razões puramente práticas: não querem dar de mamar na rua, querem envolver o pai no processo ou simplesmente querem estocar leite caso a produção diminua no futuro.

Quem opta exclusivamente pelo bombeamento tem de tirar leite oito vezes a cada 24 horas – pelo menos durante o primeiro mês.

“É cansativo”, diz Céline, administradora do grupo do Facebook. “Você não deve pensar na bomba como um tipo de ‘férias’. Tem de fazer todos os dias, e não tem folga – quanto mais leite você tira, mais vai produzir.”

A enfermeira e consultora de lactação Frédérique Manevy tem a mesma opinião.

“Bombear leite cansa mais que dar de mamar”, disse ela ao HuffPost França. “Você tem de tirar o leite, limpar os flanges e os recipientes, guardar o leite nos recipientes... É o dobro do trabalho.”

Compensando a falta de informações

Muitas das Les tire-allaitantes usam o grupo para compartilhar experiências. Uma das integrantes fala da dificuldade em voltar a amamentar, outra, da luta para não desistir. Relatos de mamilos doloridos ou infecções são comuns. Elas trocam fotos das feridas e perguntam como tratá-las sem interromper a amamentação ou o bombeamento.

E também há casos de mães que perderam o bebê no parto ou com poucos dias de vida. O leite continua sendo produzido, mas elas não sabem por quê, já que ninguém lhes explicou o que estava acontecendo com seus corpos. Essas mulheres costumam se manifestar somente via mensagens privadas.

“Trabalho duras horas por dia respondendo mensagens do grupo”, diz Céline. 

“Nesse tipo de situação, as mulheres não sabem a quem recorrer”, acrescentou ela. “Elas saem do hospital sem informação. Tentamos ajudar da melhor maneira possível.”

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.