MULHERES
02/08/2019 16:16 -03 | Atualizado 02/08/2019 17:04 -03

Arábia Saudita autoriza mulheres a viajar sem autorização de 'guardião'

Documento de viagem poderá ser obtido pelas sauditas com mais de 21 anos de idade.

Hamad I Mohammed / Reuters

A Arábia Saudita anunciou nesta quinta-feira (1) que as mulheres do país não precisarão mais da aprovação de um tutor do sexo masculino para tirar passaporte ou viajar ao exterior.

A medida faz parte de uma reforma no sistema legal da nação asiática, informa o jornal governamental Umm al Qura. Declaração informa que ”“um passaporte será emitido para todo cidadão saudita que apresente uma solicitação”.

Também segundo o jornal ligado ao governo, Okaz, o documento de viagem poderá ser obtido pelas sauditas com mais de 21 anos de idade.

Em outra mudança, as mulheres sauditas também poderão registrar seus filhos ou informar a morte de um parente. Anteriormente, a tarefa era somente realizada pelo marido, pai ou tutor masculino.

MOHAMMED AL-NEMER via Getty Images
Em 2018, mulheres sauditas foram autorizadas a dirigir.

Conservadora e religiosa, a Arábia Saudita mantém uma política restrita às mulheres, obrigando-as a terem permissão de um homem da família para trabalhar, estudar, se casar e até passar por tratamentos médicos.

No entanto, apesar de ser um dos países que mais reprimem o sexo feminino no mundo, o país vem adotando medidas de abertura nos últimos anos, como permitir que mulheres votem, dirijam ou assistam a jogos de futebol no estádio.

“Passo a passo, o movimento feminista saudita está conquistando mais liberdade para as mulheres”, pontua o jornal The Guardian, que também pondera ao afirmar que a ação é um “progresso frágil” no país.

Este processo de reforma é liderado pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, acusado de ser o mandante do assassinato do jornalista Jamal Kashoggi, morto e torturado no consulado do país em Istambul, na Turquia. 

Nos últimos meses jovens sauditas fugiram do país, fizeram pedidos públicos de asilo, tentando escapar de suas famílias e do atual governo, informa o jornal britânico. Em 2018, ativistas foram presas em uma operação que lançou dúvidas sobre o comprometimento do governo na garantia de direitos. 

(Com informações da Reuters e ANSA)