MULHERES
29/07/2019 05:00 -03

Como a relação com as mães ajudou mulheres famosas na carreira

Michelle Obama, Sonia Sotomayor, Tracee Ellis Ross e outras compartilham conselhos que você pode aplicar à sua própria carreira.

As mães podem ter impacto profundo em nossas carreiras, e às vezes só nos damos conta disso décadas depois. Leia abaixo 12 reflexões de mulheres que atuam como políticas, advogadas, ativistas, roteiristas e atrizes sobre a influência que elas receberam de suas mães e as lições que passaram adiante.

Cecile Richards, ativista e ex-presidente da Planned Parenthood

Marla Aufmuth via Getty Images

“Eu achava que não tinha capacidade para assumir [a presidência da Planned Parenthood, ONG americana que oferece serviços de saúde reprodutiva, incluindo abortos]. ... Nunca tinha arrecadado tanto dinheiro nem sido responsável por uma organização nacional com quase cem anos de história. Tinha medo de fracassar. Aí liguei para minha mãe [a ex-governadora do Texas Ann Richards]. Ela me disse: ‘Deixa disso. Se não tentar, você nunca vai saber. As coisas de que você se arrepende na vida são os riscos que você não correu’. Então fui para a entrevista de emprego. E, quem diria, 12 anos depois tive a honra de ser presidente da Planned Parenthood.

“Acho que [minha mãe] sempre se arrependeu de ter perdido tempo. Ela deixou se influenciar pelas convenções sociais. O melhor conselho dela foi: ‘Você só tem esta vida, então aproveite’. Não recuse nenhuma oportunidade. Quando eu estava indecisa sobre algum novo trabalho, ou quando outras mulheres que não tinham certeza se eram qualificadas o bastante, ela dizia: ‘Olha, qual a pior coisa que pode acontecer?’ E acho que é um ótimo conselho quando você está pensando em abrir um negócio ou mudar de emprego. Quando você pensa nesses termos, a pior das hipóteses nunca é tão ruim assim.” – do podcast Success! How I Did It, de 2018.

Tracee Ellis Ross, atriz e produtora

Tony Barson via Getty Images

“Quando eu era adolescente e ia cantar num concurso da escola, minha mãe [Diana Ross] me disse que nervosismo e empolgação na verdade são a mesma sensação no seu corpo, só com nomes diferentes ... O que é interessante é que minha carreira tem vários momentos aterradores e arriscados, e minha tendência é dizer: ‘Isso dá medo, vamos em frente’, porque essa é a pessoa que sou.” – Revista People, 2018.

Soledade O’Brien, jornalista de TV e produtora executiva

Ela era muito incrível. Mas, acima de tudo, gostaria que todas as mulheres que trabalham tivessem acesso à sabedoria dela. “Todo mundo tem as mesmas 24 horas. Decida como você vai usar as suas”. “Tire 24 horas para chorar na cama .. aí pare de reclamar e faça uma lista, planejando sua volta por cima.”

“Tenha sempre 10 dólares no sutiã para poder ir embora quando quiser”. “As pessoas falam muita merda, pare de dar atenção para a idiotice delas.” “Nunca deixe de lutar pelas coisas importantes.”

Mindy Kaling, atriz, escritora e produtora

Rich Fury via Getty Images

“Ela tem um ditado. Acho que não foi ela que inventou, mas foi ela que me disse, então para mim era novidade. ‘Antes de poder dizer ‘Eu te amo’, você tem de ser capaz de dizer ‘Eu’. E vi isso em meus relacionamentos românticos, platônicos, profissionais... Antes de entregar-se ao outro, você precisa saber o que é importante para você. Em todos os meus relacionamentos malsucedidos, percebi: ’Ah, mas um de nós não foi capaz de dizer “eu”. ... Acho que foi [um conselho] muito útil e que provou ser verdadeiro várias vezes na minha vida.” – “SuperSoul Sunday”, 2018

Eva Longoria, atriz e produtora

Jean Baptiste Lacroix via Getty Images

“Minha mãe me deu um conselho que sempre me acompanha. Não se esqueça de onde você veio.” – Cosmopolitan for Latinas, 2013

Mary Barra, presidente do conselho e CEO da General Motors

Kevork Djansezian via Getty Images

“Minha mãe cresceu durante a Grande Depressão. Ela ensinou duas lições a mim e a meu irmão: não há substituto para o trabalho duro. E trabalhe antes de se divertir.” – LinkedIn, 2017 

Stacy Brown-Philpot, CEO da TaskRabbit

Getty Images

“Minha mãe tinha um emprego que não pagava muito bem, então tinha de fazer muitos sacrifícios. Mas ela priorizou a educação. Ela pegava no sono quando nos ajudava com a lição de casa à noite. Sempre nos ensinou que ninguém pode tirar a educação de você. E, com ela, você chega aonde quiser e faz o que quiser.

“Então me concentrei em ter boas notas. Não era uma menina muito popular. Não tinha as melhores roupas. Mas era inteligente.” – New York Times, 2018

 Mazie Hirono, senadora

NICOLA GELL VIA GETTY IMAGES

“O melhor conselho que recebi foi correr riscos. Aprendi isso com minha mãe, não por meio das palavras dela, mas por suas ações. Em vez de sofrer num casamento terrível no Japão, ela arriscou tudo procurando uma vida melhor no Havaí. 

“Continuo me inspirando na coragem que ela teve para planejar sua fuga e partir rumo ao desconhecido.” – Hawaii Business Magazine, 2013

Sonia Sotomayor, juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos

ASSOCIATED PRESS
Sonia Sotomayor com sua mãe, Celina Sotomayor.

“Até hoje, me lembro como ela se esforçou para conseguir seu diploma. Minha mãe era uma estudante única. Ela voltava da escola ou do trabalho e literalmente mergulhava nos estudos, até meia-noite ou mais tarde, e sempre acordava antes de todo mundo. Ela só tirava 10 e passou nas cinco provas finais na primeira tentativa. Com um exemplo desses, não é surpresa que eu e meu irmão tivéssemos de ir bem na escola.”

“A parte mais importante dessa história é a beleza dela como ser humano. Minha mãe é a pessoa mais generosa que já conheci. Minha mãe doa o que for necessário, sem nunca esperar algo de volta. Não consigo contar todas as pessoas que não tinham dinheiro e dependiam dela para vacinas, curativos ou simplesmente para ter ajuda no banho quando estavam doentes.”

“Tudo o que sou, tudo o que conquistei ou posso querer conquistar, é produto dos presentes que recebi da minha mãe.” – Na cerimônia de indução à Corte de Apelação dos Estados Unidos, 1998

Michelle Obama, ex-primeira-dama dos Estados Unidos

MITCHELL LAYTON VIA GETTY IMAGES

“Minha mãe não comentava nossas escolhas. Elas nos deixava viver. Certa vez, ela foi me buscar do aeroporto, quando eu estava voltando de Washington. Eu disse: ‘Não consigo fazer isso para o resto da vida. Não posso ficar numa sala olhando documentos’. Não vou entrar em detalhes, mas é de matar. De matar. Produção de documentos. Então eu disse para ela no carro: ‘Não estou feliz. Não tem paixão’. E minha mãe – minha mãe nada envolvida, que nos deixava viver’ – disse: ‘Ganhe dinheiro, preocupe-se em ser feliz depois’. E eu: ’Hm. OK. Porque minha atitude deve ter parecido muito indulgente para ela.”

“Quando ela me disse aquilo, pensei: ‘Uau – o que? – de onde saiu isso, com tanto luxo e tanto desejo por paixão?’ O luxo de poder decidir – quando ela só voltou a trabalhar e a se encontrar quando estávamos no ensino médio. Então, sim. [Trabalhar como advogada mesmo odiando] foi difícil.” – Entrevista com Oprah Winfrey, 2018

Nora Ephron, roteirista e diretora

ASSOCIATED PRESS

“Se você a procurasse com uma tragédia – e você sabe que para crianças tudo é uma tragédia ―, ela nunca estava interessada. Ela não era uma dessas mães que diziam: ‘Ai, minha filha, me conta o que aconteceu na escola. O que as outras meninas fizeram com você?’ Não. Ela simplesmente dizia: ‘Bom, tudo isso é material’, ou seja, ‘Um dia você vai transformar tudo isso em histórias engraçadas, ou em histórias, e aí vou querer ouvir, mas não antes disso’. Acho que ela nos ensinou uma regra fundamental do humor – provavelmente do humor judaico, se você quiser dar uma definição específico, apesar de ela não concordar. E a regra é: se você escorregar numa casca de banana, as pessoas vão rir de você. Mas, se você contar que você escorregou numa casca de banana, a piada é sua, você é o herói. E essa é basicamente a maior lição que você pode dar.” – Entrevista com a Academy of Achievement, 2007

Hillary Clinton, ex-primeira-dama, ex-secretária de Estado e ex-candidata a presidente

BRIAN SNYDER / REUTERS

 “Liguei a cobrar para meus pais. Talvez um mês, um mês e meio depois de começar [a estudar no Wellesley College, em 1965]. Estava emotiva e disse: ‘Não vou conseguir, é difícil demais, não quero ficar aqui, quero voltar para casa...’ E minha mãe disse: ‘Não, você tem de insistir. Se você estiver sentindo o mesmo no final do ano, podemos conversar. Mas você não pode desistir...’

“Minha mãe entendeu que qualquer nova experiência será complicada, admita você ou não. Eu tinha admitido e achava que não daria conta. E a ideia de entrar numa escola como aquela para depois desistir só porque as coisas não eram como você esperava era simplesmente inaceitável para ela.”

“Era coisa perfeita para dizer, porque ela não poderia me dizer: ‘Ah, eu amei meu tempo na faculdade’, porque ela não fez faculdade, ou então: ‘Ah, lembro como foi difícil para mim também’. Ela não podia dizer nada parecido. Ela estava chocada com o fato de alguém com uma oportunidade como a minha poderia considerar desistir. Eu teria de me aplicar e me esforçar mais, tentar ser melhor, achar que, sim, aquele era o meu lugar.” – Podcast “Going Through It”, 2019.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.