MULHERES
10/08/2019 04:00 -03

Este ensaio fotográfico valoriza mulheres asiáticas de todos os corpos e idades

“Nem todas as asiáticas se encaixam no estereótipo de mulheres pequeninas”, diz Michelle Elman. “Não temos uma única aparência".

Durante anos, Michelle Elman, ativista e coach de confiança corporal, esperou a indústria da moda estrelar asiáticas com curvas em suas campanhas e passarelas. Cansada de esperar, ela decidiu colocar as mãos à obra, fazendo seu próprio ensaio fotográfico com a ajuda de outras mulheres.

As fotos foram publicadas no fim de julho por Elman e pela fotógrafa Linda Blacker. Elas retratam asiáticas de todos os tamanhos, cores e idades. As imagens foram objeto de reportagens de sites como BuzzFeed e Glamour UK.

“Achei que fosse a maneira perfeita de mostrar para a indústria da moda o que ela está perdendo, e demonstrar que as asiáticas são tão lindas e fashion quanto qualquer outra raça. Elas merecem ser incluídas”, afirmou Elman ao HuffPost.

Elman, que tem origem chinesa, disse que sempre acaba sendo “a asiática” em eventos de “body positivity” e outros ensaios fotográficos. Embora diga ficar feliz por participar, ela sabe que há espaço para mais representatividade.

Reunindo um grupo de mulheres que representa uma ampla gama de países asiáticos, Elman e Blacker queriam mostrar que elas não são uma única coisa ― uma massa que representa um imaginário: você não pode escalar sempre a mesma modelo asiática em todo desfile e achar que cobriu todo o continente.

“Asiático é uma categoria muito grande, obviamente”, diz Elman. “Não somos todos iguais’, afirma, ao lembrar o estereótipo comumente usado e repruduzido de que todas as mulheres asiáticas são extremamente magras e franzinas.

“Os asiáticos merecem ser representados. Os asiáticos merecem ser vistos”, escreve Elman em uma legenda. “E nem todas as asiáticas se encaixam no estereótipo de mulheres pequeninas. Ser asiático não quer dizer ter uma única aparência. Ser asiático não é uma só cultura.”

Linda Blacker
O ensaio, produzido pela modelo Michelle Elman e pela fotógrafa Linda Blacker, foi realizado em julho.

É claro que em várias culturas asiáticas os padrões de beleza inalcançáveis também são um problema. A assistente editorial Sim Samdhu, uma indo-britânica que cresceu no Reino Unido, sentia-se marginalizada por causa do seu peso.

“Todo tipo de gente me criticou por causa do meu tamanho – família, amigos, professores, colegas”, disse ela ao HuffPost. “E nunca ninguém para quem apontasse e pudesse dizer: ‘Ela é como eu e está vivendo sua vida. Eu também sou capaz’”.

Apesar de ser apenas um ensaio fotográfico, Sandhu espera que o projeto dê início a um diálogo e seja visto por jovens asiáticas que anseiam por representação verdadeira.

“Espero que essa fotos ajudem outras pessoas a se sentirem vistas e que outra menina não demore tanto tempo quanto eu para perceber que é linda e poderosa”, afirma ela.

Blacker diz que vai continuar lutando por mais campanhas de moda com positividade de corpo e diversidade racial. E ela também espera isso dos outros nos Estados Unidos e no Reino Unido.

“As mulheres ficaram incríveis na câmera”, diz ela. “Não há por que elas não serem representadas de forma igualitária na mídia!”*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.