4 mudanças positivas da pandemia na nossa alimentação

Não há muito o que comemorar nesta situação, mas o coronavírus pode melhorar vários aspectos relacionados com a nossa alimentação.

A pandemia do coronavírus virou de cabeça para baixo a cadeia de produção e distribuição dos alimentos, além de ter efeitos devastadores sobre os restaurantes. Mas ela também é responsável por algumas tendências que ajudam a manter as pessoas conectadas – e podem representar mudanças duradouras e positivas. Só depende da gente.

1. As refeições em família estão de volta. Ou aumentaram

Pesquisas indicam que de 30% a 35% das famílias dos EUA fazem menos de três refeições semanais juntas, mas o isolamento trouxe uma mudança para melhor. As crianças estão jantando com os pais, o que nem sempre foi a regra nas casas em que pai e mãe trabalham. Os benefícios desse hábito são comprovados.

Estudos mostram que as crianças de famílias que fazem refeições juntas têm melhor autoestima, melhor desempenho escolar e menos chance de sofrer de depressão. Segundo o Family Meals Movement, também há menor incidência de obesidade infantil entre essas crianças.

Apesar de muitos pais terem mais tempo para planejar as refeições por causa da covid-19, jantares em família não precisam dar muito trabalho – às vezes você nem sequer precisa cozinhar. Segundo Thalia E. Prum, nutricionista focada em planejamento de refeições para toda a família, “pedir comida é uma boa opção, assim como legumes enlatados ou congelados, ou então refeições prontas”.

Segundo Prum, três refeições em família por semana já são benéficas para as crianças. Também é importante lembrar que não precisa necessariamente ser o jantar.

“Pode ser o café da manhã ou o almoço”, diz Prum. “O importante é separar um tempo para reunir todos ao redor da mesa, num piquenique ou até mesmo no carro. Espero que os pais achem a experiência agradável e que continuem fazendo isso depois da pandemia. Tem de ser uma prioridade”, afirma ela.

2. As pessoas estão comendo menos carne

A falta de carne nos EUA por causa de surtos em plantas de processamento forçou algumas pessoas a reduzir o consumo dessa fonte de proteínas. Não é nada mau, já que uma dieta à base de plantas faz bem para a sua saúde e a do planeta. Os rebanhos são responsáveis por 18% da emissão de gases causadores do efeito estufa – mais que carros, aviões e todas as outras formas de transporte somadas.

Mas você não precisa virar vegano se não quiser. A nutricionista Dawn Jackson Blatner criou a dieta flexitariana, elogiada pela revista US News & World Report. A ideia é atender quem quer comer menos proteínas animais. A palavra “flexitariana”, cunhada por Blatner há mais de dez anos, é uma mistura de “flexível” com “vegetariana”.

Blatner diz que seu plano tem recebido muita atenção durante a pandemia. “As pessoas estão mais focadas em sua saúde agora, e a abordagem pró-plantas, mas não anticarne, tem apelo especial para quem quer fazer escolhas alimentares mais saudáveis”, diz ela ao HuffPost.

Blatner tem três sugestões para quem quer começar uma transição para uma alimentação com menos proteínas animais:

1 - Preste atenção nas porções: “Se você costumava comer um bife de 250 gramas, reduza para um de 100 gramas”.

2 - Reinvente seus pratos prediletos: “Se for fazer frango grelhado com legumes, substitua metade da carne por feijão, por exemplo.”

3 - Experimente uma receita vegetariana nova toda semana: “Procure uma receita de suas fontes favoritas (livro de receitas, sites ou amigos). No final de um ano, você terá aprendido 50 novos pratos vegetarianos.”

3. Estamos usando mais o forno, para nós mesmos e para os outros

Ir para o escritório todos os dias já significa menos tempo para preparar refeições, e muito menos para usar o forno. Mas a pandemia mudou essa equação.

Muita gente entrou de cabeça na onda dos pães caseiros (e as receitas de pão italiano e pão de banana entraram para o ranking das mais buscadas no Google). Cortney Anderson-Sanford não é exceção. Vencedora de uma competição da rede NBC e coach de etiqueta, ela aproveitou o isolamento para se reconectar com a família.

Ollie, filho de Cortney, terminou o ensino médio este ano, mas não teve formatura por causa da pandemia. “Foi demais para Ollie. Ele decidiu comemorar o aniversário, em vez da pandemia, então fiz pra ele um bolo Momofuku (inspirado na doceria Milkbar, da foto abaixo). Isso o ajudou a esquecer um pouco a decepção de não ter uma festa.”

E o amor não para por aí. Entregar comida para quem passa necessidade é uma ótima maneira de deixar o isolamento. Nem todo mundo pode sair de casa agora – a entrega de refeições para a população de risco literalmente salva vidas.

E usar o forno pode trazer vários benefícios psicológicos, incluindo alívio do estresse. É uma forma produtiva de expressão e comunicação, além de uma ótima distração.

4. Estamos consumindo produtos locais

O lado positivo da falta de certos produtos nos supermercados é que muita gente passou a procurar alimentos produzidos localmente.

Quando determinou-se o isolamento compulsório, a maioria dos americanos passou a cozinhar em casa – e a procurar alternativas saudáveis. As vendas de farinha de trigo produzida localmente e a adesão a programas de assinatura de cestas de agricultores subiram dramaticamente.

Frequentar o comércio local também ajuda a sustentar pequenos negócios – muitos dos quais se adaptaram à nova realidade de maneira formidável. “Algumas fazendas que já vendiam diretamente ao consumidor por meio de feiras ou cestas por assinatura agora também oferecem venda online”, diz Lillie Weiya Zeng, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Restaurantes como o famoso Chez Panisse estão ajudando os produtores de sua região a vender diretamente aos consumidores.

Enquanto esperamos que nossa vida volte ao “normal”, eis aí quatro exemplos de mudanças para melhor que já aconteceram.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.