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27/09/2019 18:00 -03

O movimento negro é um movimento de heróis, diz reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares

José Vicente destaca, em entrevista ao UM BRASIL, “uma luta justa, mas solitária, contra tudo e todos”.

O posicionamento da sociedade em relação ao racismo e ao preconceito é marcado por pessoas que preferem negar a existência do problema – ou afirmar que, se ele existe, é tão fragmentado que não produz malefício nenhum. Essa é a visão do fundador e reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, José Vicente.

Em entrevista ao UM BRASIL* – uma iniciativa da FecomercioSP –, Vicente classifica o movimento negro como um movimento de heróis. “O movimento negro é de guerreiros, sobreviventes que lutam uma luta justa, mas que, na maioria das vezes, é uma luta solitária contra tudo e todos”, argumenta o professor. “Precisamos de um espaço para conscientizar as pessoas e adverti-las dessa maquinaria de moer gente formada pelo racismo e pela discriminação existentes no mundo inteiro, mas que ocorrem de uma forma muito definitiva no Brasil”, completa.

A Faculdade Zumbi dos Palmares foi inaugurada em 2003 justamente com o objetivo de empoderar os negros para que eles possam mudar suas histórias. A instituição oferece, segundo Vicente, mecanismos para que esses jovens combatam o preconceito. “Se a gente não ensinar as pessoas a identificar e a se armar para combater isso, elas serão vítimas de um processo em que terão poucas possibilidades de poder fazer um bom combate”, alerta.

Divulgação/Christian Parente
Prof. José Vicente é fundador da Faculdade Zumbi dos Palmares.

Trajetória

Na conversa, José Vicente relembra o momento em que se “percebeu” um jovem negro, vítima de racismo. Foi quando ele cursava a faculdade de Direito e houve uma discussão sobre o fato de que ele não poderia integrar a chapa do diretório acadêmico por ser negro.

Depois do ocorrido, ele passou a analisar diversas situações do passado e percebeu que não tinha se dado conta desse tipo de preconceito.

“Eu pude me deparar com algumas circunstâncias que me fizeram acordar, abrir os olhos e descobrir que havia alguma coisa diferente que eu não tinha notado na minha trajetória e que mereceria, a partir de então, alguma atenção especial”, relata.

*Gravação realizada em 2018

Este artigo é de autoria de articulista do HuffPost e não representa ideias ou opiniões do veículo. Assine nossa newsletter e acompanhe por e-mail os melhores conteúdos de nosso site.