MULHERES
01/02/2019 13:25 -02 | Atualizado 01/02/2019 14:04 -02

Em entrevista, Mourão defende 'decisão da mulher' em casos de aborto

“Minha opinião como cidadão, não como membro do governo, é de que se trata de uma decisão da pessoa”, disse ao jornal O Globo.

Adriano Machado / Reuters
Mourão assumiu o cargo temporariamente duas vezes em janeiro, primeiro mês do governo de Jair Bolsonaro.

O vice-presidente,Hamilton Mourão, defendeu que a decisão sobre fazer ou não um aborto deve ser exclusivamente da mulher, em entrevista dada aojornal O Globo e publicada nesta sexta-feira (1).

Ao ser questionado sobre o debate de questões de gênero, classificados por ele como uma questão de “saúde pública”, Mourão afirmou que é preciso ampliar as discussões sobre o aborto.

“A questão do aborto também é algo que tem que ser bem discutido, porque você tem aquele aborto onde a pessoa foi estuprada, ou a pessoa não tem condições de manter aquele filho. Então talvez aí a mulher teria que ter a liberdade de chegar e dizer ‘preciso fazer um aborto’, disse.

A declaração vai de encontro à posição do presidente Jair Bolsonaro, que não é a favor da descriminalização do aborto para além das exceções previstas atualmente.

Questionado se defende a interrupção da gravidez também em casos em que a mulher não tem condições de criar o filho, Mourão afirmou que “se trata de uma decisão da pessoa”.

“Minha opinião como cidadão, não como membro do governo, é de que se trata de uma decisão da pessoa”, afirmou. Em seguida, a reportagem perguntou ao vice se ele acredita que as possibilidades de aborto deveriam ser ampliadas. “Pessoalmente, eu acho que poderia”, respondeu o general.

Os números do aborto no Brasil

Hoje o aborto só é permitido em casos de estupro e fetos anencéfalos ou para salvar a vida da gestante. Como a interrupção da gravidez é criminalizada, os dados também são insuficientes.

Os dados oficiais são do Ministério da Saúde, calculados a partir de informações coletadas no atendimento no SUS (Sistema Único de Saúde) e ajustadas por critérios estatísticos.

Os números, contudo, mostram apenas os procedimentos legais. Nos últimos anos, não há variação significativa nos registros. O aborto é legalizado nos casos de estupro, risco de vida da mãe ou feto anencéfalo. Em 2017, foram feitos 1.636 abortos legais.

Mourão ainda foi questionado sobre reportagem da revista Época em que indígenas afirmam que a filha adotiva da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, teria sido retirada de aldeia sem autorização. O vice-presidente disse que não tem elementos para comentar o tema, porque não leu o texto.

“A ministra Damares tem me causado uma excelente impressão, porque é uma mulher de posições bem definidas, firmes, ela não se apavora com as coisas. Então, essa questão de adoção em área indígena sempre tem ruídos. Se a moça está feliz com ela, se a menina está feliz com ela acho que é o mais importante.”

Mourão assumiu o cargo temporariamente duas vezes em janeiro, primeiro mês do governo de Jair Bolsonaro. Sobre a atuação como um “mediador” dentro do governo, ele afirmou que “pela minha vivência, eu posso cooperar com o presidente para baixar as tensões” em áreas mais sensíveis.

A eleição na Câmara 

ASSOCIATED PRESS
Rodrigo Maia (DEM) é o atual presidente da Câmara que concorre à eleição nesta sexta (1).

Mourão também afirmou à Reuters nesta sexta (1) que a reeleição de Rodrigo Maia(DEM-RJ) para a presidência da Câmara dos Deputados, deverá ser boa para o governo, mas o resultado no Senado seria “indiferente”. “Rodrigo é muito bom, é um cara experiente, está comprometido com as reformas, acho que vai ser bom para o governo”, disse.

O presidente da Câmara, que concorre à reeleição, é o favorito na eleição que acontecerá nesta sexta, em Brasília. Maia obteve apoio de uma boa parte dos partidos, incluindo o PSL, a qual pertence Jair Bolsonaro.

“Eu julgo que quem seja eleito no Senado vai estar antenado com as coisas que estão ocorrendo no País e com as necessidades que o País tem. É hora dos políticos resgatarem sua credibilidade perante o Brasil como um todo, então esse é um momento bom para eles”, afirmou à agência de notícias.

Renan Calheiros foi escolhido na noite de quinta (31), candidato do MDB à Presidência do Senado, derrotando, em uma disputa apertada dentro da bancada a senadora Simone Tebet.

A situação na Casa, no entanto, é mais complicada que na Câmara, com oito senadores tendo apresentado seus nomes para a disputa da Presidência e nenhum deles com uma preferência clara.

Renan era considerado inicialmente um inimigo declarado pelo governo, até por ter apoiado o PT nas eleições deste ano, mas recentemente tem tentado se aproximar de Bolsonaro e tem falado em apoiar às reformas.

A Reuters também afirma que, depois de ter sido indicado pelo MDB, Renan recebeu um telefonema de apoio de Bolsonaro ―que, depois, ligou para os demais candidatos.

(Com informações da Reuters)