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18/05/2020 19:29 -03 | Atualizado 18/05/2020 20:04 -03

Com mais de 254 mil casos de covid-19, Brasil supera Reino Unido e é o 3º país com mais infectados

Atrás apenas de Estados Unidos e Rússia em número de diagnósticos positivos, Brasil tem 16.792 mortes pelo novo coronavírus.

O número de mortes causadas pela covid-19 no Brasil chegou a 16.792, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde às 19h desta segunda-feira (18). Em relação ao balanço divulgado às 19h de domingo (17), foram 674 novos óbitos confirmados.

Nas últimas 24 horas, foram registrados 13.140 novos casos. Ao todo, 254.220 pessoas foram infectadas no Brasil. É o terceiro maior número de diagnósticos positivos para novo coronavírus no mundo. Depois de passar a Itália e a Espanha em contaminações, o Brasil superou hoje os casos do Reino Unido, que tem 247.706 casos, de acordo com a Johns Hopkins University. Estamos atrás apenas dos Estados Unidos, com 1,5 milhão de casos, e da Rússia, com 290 mil.

Os dados reforçam o agravamento da crise sanitária no País. Desde 5 de maio, o total de mortes confirmadas de um dia para o outro passou para um patamar acima de 600, atingindo o ponto máximo de 881 no boletim divulgado na ter≈a passada.

O maior número de diagnósticos positivos no balanço mais recente está no estado de São Paulo, com 63 mil casos e 4.823 mortes. Em seguida, aparece Rio de Janeiro, com 2.852 mortes, Ceará (1.748), Pernambuco (1.640) e Amazonas (1.433). 

Segundo o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, foram confirmados 4,8 milhões de casos da covid-19 no mundo inteiro e mais de 317 mil mortes, de acordo com dados atualizados nesta segunda. O Brasil está em 6º no total de óbitos.

Nesta segunda, o secretário substituto de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Macário, reconheceu que o “aumento [de casos] é visível em todo o território nacional”.

Apresentação do ministério com dados de outros países, contudo, elencadados para minimizar o cenário da pandemia. De acordo com o documento, o Brasil ocupa 38° lugar em relação à incidência e 18º de mortalidade, ambos indicadores considerando países com mais de 1 milhão de habitantes. 

ASSOCIATED PRESS
No último sábado (16), o Brasil superou o número de casos do novo coronavírus da Itália, primeiro epicentro das infecções na Europa e um dos mais dramáticos cenários de mortes pela covid-19, e da Espanha. 

Segundo boletim epidemiológico divulgado pela pasta nesta segunda, até 17 de maio, 3.270 (58,7%) dos municípios brasileiros registraram casos de covid-19 e 1.220 (21,9%) das cidades confirmaram óbitos causados pela doença.

Neste ano foram registradas 139.622 hospitalizações por SRAG (síndrome respiratória aguda grave). A pasta não informou a comparação em relação ao mesmo período de 2019. Segundo dados do início de maio, era 606% o incremento em relação ao mesmo período de 2019.

Do total de internados informados nesta segunda, 39.064 foram confirmados para covid-19, 47.873 estão em investigação e outros são infecções causadas por outros vírus respiratórios. 

Neste grupo, 51,4% é branco, 39,7% pardo, 7% preto, 1,7% amarelo e 0,3% indígena, de acordo com os critérios de raça/cor do Sistema de Informação de Vigilância da Gripe (SIVEPGripe).

Das hospitalizações por SRAG, 23.478 evoluíram para óbito, sendo que 11.548 foram por covid-19. Havia 2.277 em investigação e também mortes de pessoas internadas por SRAG causadas por outros vírus respiratórios. 

Do total de vítimas nesse grupo, 69% estava acima de 60 anos e 64% apresentam pelo menos um fator de risco, como cardiopatia. Quanto à raça/cor, 47,3% era pardo, 43,1% era branco, 7,5% preto, 1,7% amarelo e 0,5% indígena.

Primeiro caso de covid-19 no Brasil: de acordo com o Ministério da Saúde, há 25 casos em investigação de covid-19 com data de início dos sintomas anterior a 26/02, dia em que a pasta confirmou o primeiro registro da doença no Brasil. 

Escalada da pandemia no Brasil 

Desde 23 de abril, o número de mortes confirmadas em 24 horas subiu do patamar acima de 400 em diversos boletins. Naquele dia, foi registrado o recorde de 407 óbitos confirmados de um dia para o outro. Em 28 de abril, foram 474 mortes confirmadas em 24 horas. 

Em 5 de maio, o patamar subiu para 600 óbitos confirmados em 24 horas em 5 de maio e 615 no dia seguinte. O ministério não divulga informações atualizadas das mortes ocorridas no dia, apenas mortes confirmadas no dia.

Segundo dados desta segunda, 230 registros de óbitos foram atualizados nas últimas 24 horas, sendo 82% (188) ocorridos nos últimos 3 dias.

De acordo com a pasta, todas as análises de mortalidade são feitas a partir do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), em um fluxo que começa na secretaria de saúde municipal, passa pela secretaria de saúde estadual e segue para o ministério.

Apesar de o prazo legal ser de 60 dias, em geral leva de 15 a 30 dias para o ministério receber essa informação, de acordo com o diretor de análise da Secretaria de Vigilância em Saúde da pasta. Além do SIM, o ministério usa o SIVEPGripe para coletar informações sobre óbitos. 

Infectologistas e epidemiologistas recomendam o confinamento das pessoas em casa e o distanciamento social, nas atividades essenciais nas ruas e ambientes internos, como formas de conter a transmissão do coronavírus. O isolamento social pode achatar a curva de contaminação — que está em acelerada alta no País neste momento.

Subnotificação da pandemia

A expectativa é que o número atual de óbitos causados pela covid-19 no Brasil seja ainda maior do que os balanços divulgados diariamente devido à demora no resultado dos exames. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Essa demora também se reflete no número de contaminações no País. Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. O exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. Desde o início da pandemia no País, a orientação tem sido para que apenas pacientes com sintomas severos procurem o sistema de saúde.

O represamento de resultados chegou ao ponto de haver 93 mil testes que aguardavam análise nos laboratórios públicos estaduais no início do mês. Já as grandes redes privadas tinham mais de 100 mil exames que ainda não haviam sido incluídos no sistema do ministério também em maio.

Estados não alcançam meta de vacinação contra gripe

Na segunda fase da campanha de vacinação contra a gripe, iniciada em 16 de abril, apenas 6 estados alcançaram a meta de 90% do público-alvo: Maranhão, Alagoas, Sergipe, São Paulo, Paraná e Goiás. 

Essa etapa inclui a imunização dos seguintes grupos: profissionais das forças de segurança e salvamento; pessoas com doenças crônicas ou condições clínicas especiais; caminhoneiros, profissionais de transporte coletivo (motoristas e cobradores) e portuários; povos indígenas; adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas; população privada de liberdade e funcionários do sistema prisional.

A campanha de vacinação segue até 5 de junho e foi investido 1 bilhão na compra de 79 milhões de doses. A imunização é importante para evitar um agravamento de quadros clínicos em meio à pandemia do novo coronavírus, além da sobrecarga hospitalar. 77,7 milhões de pessoas estão nos grupos prioritários para receberem a vacina.

De acordo com dados apresentados pelo Ministério da Saúde nesta segunda, o governo federal repassou R$ 5,3 bilhões para combate à pandemia, R$ 7,1 bilhões para São Paulo, R$ 2,9 bilhões para o Rio de Janeiro, R$ 1,8 bilhão para o Ceará, R$ 1,8 bilhão para Pernambuco e R$ 1,2 bilhão para o Maranhão. Foram entregues 823 respiradores para 16 estados brasileiros, sendo 266 no último fim de semana. 

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