ENTRETENIMENTO
15/10/2019 08:00 -03 | Atualizado 15/10/2019 08:00 -03

Mostra Internacional de Cinema levou uma rasteira, mas segue de pé

Mesmo sem o patrocínio da Petrobras e com um corte de 20% no orçamento, o maior festival de cinema do País ainda reúne mais de 300 filmes de todo o mundo.

Outubro chegou, e com ele a grande festa cinéfila da capital paulista, a Mostra Internacional de São Paulo. Os tempos da rivalidade com o Festival do Rio, quando os dois eventos brigavam pelos filmes mais badalados dos principais festivais do mundo, ficaram para trás. Mas as dificuldades não diminuíram para a Mostra.

Agora, o “inimigo” é outro. Maior, mais forte e que enxerga a cultura como um mal desnecessário. O efeito Bolsonaro transformou o que já era difícil em uma tarefa hercúlea para a Mostra. Sem o apoio da Petrobras, seu mais tradicional patrocinador nos últimos 16 anos, o maior festival de cinema do País corta um dobrado para acontecer, mas segue lutando.

“É quase um estereótipo dizer que estamos em crise. Perdemos um grande patrocinador, mas nunca duvidamos de nossa capacidade”, disse Renata de Almeida, diretora da Mostra, na coletiva de lançamento da 43ª edição do evento, que acontece de 17 a 30 de outubro em salas espalhadas pela capital paulista.

Em um ano que o Festival do Rio quase não aconteceu (terá uma edição minúscula em dezembro), a Mostra — mesmo com um corte de cerca de 20% de seu orçamento — ainda consegue reunir filmes de todos os tipos vindos dos mais diversos países. A quantidade de títulos caiu cerca de 10%, mas ainda totaliza mais de 300.

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Robert Pattinson e Willem Dafoe em O Farol.

Entre os destaques, filmes como o coreano Parasita, de Bong Jon-Ho (vencedor da Palma de Ouro em Cannes neste ano); o novo do francês Olivier Assayas, Wasp Network, que abre o festival; A Vida Invisível, vencedor da mostra Um Certo Olhar de Cannes e representante de Brasil na briga pelo Oscar dirigido pelo cearense Karim Aïnouz; O Farol, do americano Robert Eggers (o mesmo de A Bruxa), que será exibido no Auditório Ibirapuera com direito a masterclass com o cineasta e o ator Willem Dafoe; além da exibição de Dois Papas, longa de Fernando Meirelles produzido pela Netflix, que encerra o festival.

Os homenageados da vez são o israelense Amos Gitai e o Assayas, que além de vir ao Brasil para promover Wasp Network, ganha uma retrospectiva de sua carreira com a exibição de 14 de seus filmes. 

Outros premiados e candidatos ao Oscar

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"Synonyms", de Nadav Lapid.

Além dos já citados Parasita e A Vida Invisível, a Mostra traz mais alguns títulos premiados em festivais e 12 filmes selecionados por seus respectivos países para concorrer em uma vaga na disputa pelo Oscar de Filme Internacional (antigo Filme Estrangeiro).

Entre eles estão Synonyms, de Nadav Lapid (Urso de Ouro no Festival de Berlim); Pacificado, de Paxton Wintersa (Concha de Ouro no Festival de San Sebastián); Honeyland, de Ljubomir Stefanov e Tamara Kotevska, vencedor do Grande Prêmio do Júri da seção World Cinema de documentários no Festival de Sundance; e Os Tubarões, de Lucia Garibaldi, prêmio de melhor direção na seção World Cinema - Dramatic do mesmo festival.

Do Festival de Cannes, também integram a programação da Mostra O Paraíso Deve Ser Aqui, de Elia Suleiman, prêmio Menção Especial do Júri; O Jovem Ahmed, dos irmãos Luc e Jean-Pierre Dardenne, vencedor do prêmio de Melhor Direção; e O que Arde, de Oliver Laxe, vencedor do Prêmio do Júri na Um Certo Olhar.

Entre os longas que foram exibidos no Festival de Berlim, a Mostra exibe Deus É Mulher, Seu Nome É Petúnia, de Teona Strugar Mitevska, vencedor do Prêmio do Júri Ecumênico; Viajante da Meia-noite, de Hassan Fazili, vencedor do Prêmio do Júri Ecumênico da Mostra Panorama; e Meu Verão Extraordinário com Tess, de Steven Wouterlood, menção especial na seção Generation K.

Da lista dos aspirantes ao Oscar, além de Vida Invisível e Parasita estão: System Crasher, de Nora Fingscheidt (Alemanha); Papicha, de Mounia Meddour (Argélia); A Odisseia dos Tontos, de Sebastián Borensztein (Argentina); Empuxo, de Rodd Rathjen (Austrália); Monos, de Alejandro Landes (Colômbia); La Mala Noche, de Gabriela Calvache (Equador); Honeyland, de Ljubomir Stefanov e Tamara Kotevska (Macedônia); Cavalos Roubados, de Hans Petter Moland (Noruega); O Paraíso Deve Ser Aqui, de Elia Suleiman (Palestina); e O Pássaro Pintado, de Václav Marhoul (República Tcheca)

Sessões especiais no Theatro Municipal

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"Babenco - Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou", de Barbara Paz.

Uma das grandes novidades da 43ª Mostra são as exibições especiais - e gratuitas - no Theatro Municipal de filmes brasileiros em evidência. Parceria com Spcine (Empresa de Cinema e Audiovisual de São Paulo), a programação traz seis sessões vespertinas e noturnas, a serem realizadas nos dias 18, 19 e 20 de outubro. As exibições noturnas são de títulos inéditos em São Paulo e vão contar com a presença das equipes dos filmes.

O longa que abre a programação é A Vida Invisível, que será exibido às 20h30 do dia 18. No sábado, às 21h, é a vez de Três Verões, de Sandra Kogut, que teve exibição no Festival de Toronto. O documentário Babenco - Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou encerra o evento no domingo, dia 20, às 20h30. Premiado no último Festival de Veneza, o filme marca a estreia de Bárbara Paz na direção de longas.

Nos dias 19 e 20 o Municipal também abriga sessões vespertinas, sempre às 16h. No sábado será exibido Abe, de Fernando Grostein Andrade, drama familiar que integrou a seleção do Festival de Sundance e é protagonizado por Noah Schnapp (da série Stranger Things). Turma da Mônica: Laços, de Daniel Rezende, tem sessão especial no domingo, com uma apresentação antes da projeção.

Os ingressos para essas sessões poderão ser retirados na Central da Mostra, no Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2073 - Consolação) na véspera das exibições ou na bilheteria do Theatro Municipal uma hora antes de cada sessão.

Panorama Alemão

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"Contra a Parede", de Fatih Akin

Outra atividade paralela à competição que merece mais atenção é a mostra Panorama Alemão. Com curadoria da holandesa Mariette Rissenbeek, atual diretora-executiva do Festival de Berlim, as programaçào reúne 10 longas alemães que serão exibidos dentro do programa Cinema Alemão: Por Mariette Rissenbeek.

“Alguns dos filmes que me impressionaram ao longo de 16 anos ainda me impressionam hoje, devido às vozes muito particulares dos cineastas. Descobrir novas vozes é uma grande inspiração, e aprecio particularmente os primeiros e segundos filmes de cineastas que focam em uma experiência pessoal dentro de um contexto social ou histórico maior”, disse Mariette.

Integram o programa: As Mulheres da Rosenstrasse (2003), de Margarethe Von Trotta; Contra a Parede (2004), de Fatih Akin; Verão em Berlim (2005), de Andreas Dresen; O Estranho em Mim (2008), de Emily Atef; À Espera de Turistas (2007), de Robert Thalheim; Hanami - Cerejeiras em Flor (2008), de Doris Dörrie; Todos os Outros (2009), de Maren Ade; Oh Boy (2012), de Jan-ole Gerster; Phoenix (2014), de Christian Petzold; e Nada de Mau Pode Acontecer (2013), de Katrin Gebbe.

Filmes em realidade virtual

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"Chuang - Através das Imagens",de Qing Shao.

Assim como em 2018, a mais recente produção mundial em realidade virtual volta a integrar a programação da Mostra. Em 2019,  o festival exibe gratuitamente 19 filmes no formato, sendo que a maior parte deles já foi selecionada por grandes festivais como Veneza, SXSW, Tribecca e Sundance.

Todos eles compõem a lista dos curtas que serão exibidos entre 17 e 30 de outubro no Cinesesc (R. Augusta, 2075 - Cerqueira César) e em unidades do Circuito Spcine VR 2019. Entre eles, o brasileiro A Linha, de Ricardo Laganaro, vencedor do Prêmio VR Experience no Festival de Veneza.

O filme leva o espectador a uma maquete da São Paulo dos anos 1940. Na trama, dois bonecos em miniatura chamados Pedro e Rosa são perfeitos um para o outro, mas relutam em romper as fronteiras para viver sua história de amor.

Além do filme de Laganaro, também compõem a lista o chinês Chuang - Através das Imagens, dirigido por Qing Shao, exibido em Veneza neste ano; Últimos Suspiros: Um Oratório Imersivo, de Lena Herzog, que fez parte da seleção dos festivais SXSW e Sundance; e Ayahuasca - Viagem Cósmica, de Jan Kounen, exibido em Tribeca.

A entrada é gratuita, com retirada de ingresso na bilheteria do local. O Circuito Spcine VR 2019 leva os curtas em realidade virtual aos CEUs Aricanduva, Caminho do Mar, Meninos, Vila Atlântica, Jaçanã e ao Centro de Formação Cultural da Cidade Tiradentes.

Consulte aqui a programação completa da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.