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29/06/2020 19:26 -03

Covid-19 matou 58.314 no Brasil. SP e RJ têm 42% das mortes

Apesar de não haver comprovação científica, governo já distribuiu 4,3 milhões de unidades de cloroquina no País.

Nas últimas 24 horas, o Brasil confirmou mais 692 mortes e 24.052 novos casos de covid-19. O País tem agora 58.314 mortos e 1.368.195 infectados pelo novo coronavírus, de acordo com dados coletados pelo Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde) até às 18h desta segunda-feira (29).

O estado de São Paulo continua liderando o ranking de vítimas da pandemia, com 14.398 mortes, seguido pelo Rio de Janeiro (9.848), Ceará (6.076), Pará (4.870) e Pernambuco (4.782). Juntos, São Paulo e Rio concentram 41,6% das mortes por covid-19 no Brasil. A taxa de letalidade da doença no Brasil é de 4,3%.

Nesta segunda, o Ministério da Saúde informou, em entrevista coletiva, que foram distribuídos 6.410 ventiladores pulmonares pelo Brasil até o momento — sendo mais de 1.500 só na semana passada. Entretanto, o que já foi entregue representa menos de 40% do total de respiradores adquiridos pelo governo — 16.252 comprados de 5 empresas contratadas no valor de R$ 787,5 milhões.  “A distribuição dos equipamentos tem ocorrido conforme a capacidade de produção da indústria nacional, que depende de algumas peças que são importadas”, sublinhou o ministério no início deste mês.

Já foram distribuídas 4,3 milhões de unidades de cloroquina no País, informou o Ministério da Saúde nesta segunda. Não há comprovação científica do uso do medicamento para combater o novo coronavírus, e a droga aumenta o risco cardíaco, o que pode ocasionar a morte de quem usa. Entretanto, desde 15 de junho, o governo ampliou recomendação de uso para gestantes e crianças com sintomas da covid-19.

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, negou a ausência de evidências científicas nesta segunda. “A cloroquina é uma possibilidade que já se mostrou efetiva conforme referências; inclusive na Índia, é bastante consistente o uso desse medicamento associado a outros”, opinou, ressaltando que ao longo dos próximos meses estudos demonstrarão quais medicações tiveram maior ou menor efeito sobre o tratamento da doença.

Questionada sobre a aquisição de cloroquina em detrimento de medicamentos de intubação, que estão em falta em hospitais, a diretora do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos, Sandra Barros, explicou que o Ministério da Saúde não deixou de comprar aquilo que é de sua responsabilidade e que o problema de desabastecimento dos anestésicos foi de ordem de mercado.

“Foi realmente um aumento da demanda [por anestésicos em UTI]. Antes eram 3, 4 horas da sedação; hoje, tem que fazer 12 a 14 dias de sedação do paciente [com covid-19]”, detalhou Barros. “O aumento da demanda superou todas as expectativas.”

Amanda Perobelli / Reuters
Profissionais de saúde prestam homenagem à enfermeira Maria dos Santos, que morreu vítima de covid-19 no hospital Dr José Soares Hungria, em São Paulo.

Brasil no cenário internacional  

Na comparação internacional, o Brasil é o segundo país com mais mortes causadas pela covid-19, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins. No início de junho, o Brasil ocupava o quarto lugar no ranking mundial. Ao longo do mês, ultrapassou Itália e Rússia.

Quanto aos diagnósticos, o Brasil é o segundo país com mais casos confirmados de contaminação, atrás apenas dos Estados Unidos, que conta com cerca de 2,6 milhões de casos, segundo o controle da Johns Hopkins.

A diferença das taxas de testagem entre os dois países - 37.188 testes por milhão de habitantes nos EUA e 8.737 por milhão de habitantes no Brasil - é uma evidência da subnotificação da crise sanitária no cenário brasileiro.

Há uma semana, o diretor-executivo da OMS (Organização Mundial da Saúde), Michael Ryan, afirmou que a porcentagem de testes com resultado positivo no Brasil, de 31%, é um indicador de subnotificação. “Nos países que aplicam grande número de testes, a porcentagem de positivos fica perto de 5%”, afirmou.

O novo coronavírus já causou quase 503 mil óbitos no mundo. São cerca de 10,2 milhões de casos confirmados, de acordo com dados atualizados nesta segunda à noite.