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01/04/2020 17:19 -03 | Atualizado 01/04/2020 18:43 -03

Mortes por covid-19 no Brasil chegam a 240; são 6.836 contaminados

Governo anuncia R$ 50 mi para pesquisas sobre o novo coronavírus. Ministro da Saúde informa que alunos do último ano de Medicina receberão bolsa para ajudar no combate.

O número de casos confirmados do novo coronavírus no Brasil chegou a 6.836, de acordo com balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (1º). O número de mortes é de 240. A taxa de letalidade é de 3,5%.

Foram registrados óbitos em 19 unidades da Federação: Amazonas (3), Rondônia (1), Alagoas (1), Bahia (2), Ceará (8), Maranhão (1), Pernambuco (8), Piauí (4), Paraíba (1); Rio Grande do Norte (2), Minas Gerais (3), Rio de Janeiro (28), São Paulo (164), Distrito Federal (3), Goiás (1), Mato Grosso do Sul (1), Paraná (3), Santa Catarina (2) e Rio Grande do Sul (4).

Nesta terça-feira (31), eram 5.717 casos confirmados e 201 óbitos. A quantidade de diagnósticos positivos cresceu cerca de 20% de terça para quarta e a de mortes, também aproxidamente 20%. São 1.119 novos casos de um dia para o outro e 39 mortes, no mesmo período.

A incidência para o Brasil é de 3,2 por 100 mil habitantes. O indicador varia por unidade da Federação, sendo a mais alta no Distrito Federal (11,6 por 100 mil habitantes).

O maior número de casos atuais está concentrado na região Sudeste — 4.223, o que corresponde a 62% dos diagnósticos. Só em São Paulo, são 2.981 infectados.

A região Nordeste tem 15% das infecções —1.007 casos. Logo atrás, a região Sul conta 11% — 765 diagnósticos positivos. O Centro-Oeste tem 504 casos e o Norte, 337.

Segundo informações do Ministério da Saúde sobre o avanço da pandemia, entre as mortes, 89% estão acima dos 60 anos, 58,6% são homens e 84% apresenta pelo menos um fator de risco, como cardiopatias, diabetes ou pneumonia. 

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, destacou a importância de manter o isolamento social para  proteger os mais velhos nesse momento. 

“Não é hora de relaxar. O vírus está mostrando para nós a que veio e esse é o momento de proteger essas pessoas.Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde

Do total de mortes, 34 (16%) não apresentam comorbidades. Destes, 21% (7) tinham menos de 60 anos.

A demora no resultado de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais. Há também uma subnotificação de casos confirmados devido à limitação de testes de diagnóstico.

Mandetta alertou que partir desta semana, os números de casos confirmados terão grande alta, em resposta à ampliação da testagem, que incluirá máquinas automáticas. Com isso, a taxa de letalidade deve cair.

Sobre o aumento porcentual maior de mortes nos últimos dois dias - de 25% de segunda para terça e de 20% de terça para quarta - a cúpula da pasta afirmou que o acréscimo era esperado, em razão da demanda reprimida de testes. Mandetta ressaltou que, em São Paulo, cerca de 200 corpos aguardam o resultado laboratorial. “Sao situações que estamos monitorando muito de perto”, disse.

ASSOCIATED PRESS
Demora em resultado de testes laboratoriais leva a 'atraso' nos dados oficiais sobre óbitos.

Desde o início da pandemia, foram registradas 21.426 hospitalizações por SRAG (síndrome respiratória aguda grave) no Brasil. Do total com esse quadro sintomático, 1.274 casos (6%) foram confirmados para covid-19. O restante são infecções causadas por outros vírus, como influenza.

São Paulo é o estado mais crítico. 48% das hospitalizações por SRAG no período ocorreram nesta unidade da Federação, sendo que 84% desse total eram casos de covid-19.

Em todo o território nacional, houve um incremento de 149% em 2020 em relação ao mesmo período de 2019 do total de internações de SRAG, o que indica sobrecarga no sistema. Segundo Mandetta, essa alta de internações é explicada pelo aumento da procura por pacientes com outras doenças que não sejam covid-19.

Os dados de casos confirmados e mortes estão disponíveis em um painel online do Ministério da Saúde com informações dos estados e municípios. Desde que foram feitas modificações na alimentação do sistema de informações oficiais e na ampliação de testes, o governo federal espera um aumento de diagnósticos.

Segundo a assessoria de imprensa da pasta, 500 mil testes rápidos começaram a ser distribuídos no País nesta quarta. Este é o primeiro lote de um total de 5 milhões de testes rápidos adquiridos pela Vale e doados ao governo federal.

Eles são direcionados para profissionais de saúde, além de agentes de segurança, como policiais, bombeiros e guardas civis com sintomas de síndrome gripal. Apesar do resultado em minutos, esse tipo de teste, por meio de sorologia, só é eficaz após dias de contaminação, devido ao tempo de reação do organismo para produzir anticorpos.

Nesta terça, o secretário de vigilância em saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, afirmou que serão disponibilizados 90 mil testes RT-PCR (que detecta o material genético do vírus na amostra).

Na semana passada, foram anunciados 22,9 milhões de testes, dos dois tipos. A mudança na testagem é uma resposta à orientação internacional. Antes, apenas os casos mais graves, em que há indicação de internação, faziam o exame, apesar da orientação da OMS (Organização Mundial de Saúde) de testar todo caso suspeito.

R$ 50 milhões para pesquisas sobre coronavírus

Nesta quarta, o Ministério da Saúde lançou um edital para estudantes de instituições públicas e privadas de Ensino Superior. Podem participar alunos do 5° e 6° ano de Medicina, do último ano dos cursos de graduação em Enfermagem, Fisioterapia e Farmácia. 

Eles terão direito a bolsa de acordo com a carga horária do estágio supervisionado, sendo R$ 1.045 para 40 horas e R$ 522,50 para 20 horas. Também receberão 10% de pontuação no ingresso em programa de residência do Ministério da Saúde.

Já alunos do 1° ao 4° ano dos cursos de Medicina e os do último ano de Farmácia, Fisioterapia e Enfermagem poderão obter desconto em mensalidade. “Esses alunos têm de vivenciar este momento. É um momento ímpar da vida. Nenhum desses alunos poderá participar sem estar supervisionado por profissional de saúde habilitado”, disse o ministro da Saúde.

Além dessa iniciativa, em 20 dias, a pasta recebeu mais de 3,7 mil inscrições de profissionais para o cadastro de voluntários da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FNS). 

O governo também anunciou, nesta quarta, R$ 50 milhões para uma chamada pública para incentivar pesquisas científicas sobre o novo coronavírus por meio do CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Serão R$ 20 milhões do Ministério da Saúde e outros R$ 30 milhões do Ministério de Ciência e Tecnologia.

De acordo com o ministro Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), a iniciativa servirá para desenvolvimento de testes, vacinas e testes clínicos com pacientes. Segundo Pontes, estão em curso estudos sobre medicamentos e imunização, incluindo soroneutralização para avaliar pessoas que já tiveram covid-19.

Mandetta reforçou a importância da “desaceleração social” para conter o ritmo de avanço do vírus, a fim de evitar um colapso do sistema de saúde. Isso porque a pandemia provocou uma escassez de equipamentos, como máscara e respiradores. “Quando cai [a quantidade de equipamentos], cai para todo mundo. Não cai só para o corona. Cai geral”, afirmou. “Você tem um problema de sistemas de saúde e quando não tem perspectiva de abastecimento, mais do que nunca, tem de poucas ao máximo”, completou.

Ao ser questionado sobre problemas de falta de equipamentos nos hospitais, o titular da Saúde admitiu que o ministério não está conseguindo ter estoque de forma regular. Ele orientou gestores locais a também realizarem compras, com o dinheiro repassado pelo governo federal.

A escassez envolve problemas de logística e produção internacional. De acordo com Mandetta, a Índia produz 94% dos insumos de remédios para pressão, diabetes e outras doenças. “Quando a epidemia acabar no mundo, eu espero que nunca o mundo não comenta o desatino de fazer 95% da produção de insumos que decidem a vida das pessoa num único país”, disse.