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01/06/2020 20:15 -03 | Atualizado 01/06/2020 20:18 -03

Covid-19 causa quase 30 mil mortes no Brasil; são 526.447 infectados

OMS alertou nesta segunda-feira (1º) que o Brasil ainda não viveu o pior da pandemia.

Após ultrapassar a Espanha e a França nos últimos dias no ranking de países com mais vítimas da pandemia do novo coronavírus e se tornar o quarto na lista, o Brasil atingiu 29.937 mortes, de acordo com balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira (1º). Apenas Estados Unidos, Reino Unido e Itália estão na frente do País no número de óbitos.

Segundo o levantamento, são 623 mortes a mais no Brasil do que os contabilizados até este domingo (31), sendo que 220 ocorreram nos últimos 3 dias.  

O total de casos confirmados chegou a 526.447, com 12.247 somados nas últimas 24 horas. Na comparação internacional, o Brasil é o segundo país com mais diagnósticos, atrás apenas dos Estados Unidos, que conta com 1,7 milhão de casos, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins.

A covid-19 já causou mais de 374 mil óbitos no mundo. São 6,2 milhões de casos confirmados, de acordo com dados atualizados nesta segunda.

No Brasil, o maior número de infecções está no estado de São Paulo, com 111 mil casos e 7.667 mortes. Em seguida, aparecem Rio de Janeiro, com 5.462 óbitos, Ceará (3.188), Pará (2.925) e Pernambuco (2.875).

Os dados mais recentes reforçam o agravamento da crise sanitária no País. Por 7 vezes, o total de mortes confirmadas de um dia para o outro foi acima de mil.

A primeira vez em que isso ocorreu foi em 19 de maio, com 1.170 óbitos confirmados em 24 horas. O número também foi um marco na evolução diária da pandemia quando comparada a outros países. Superou o total de 919 mortes confirmadas de um dia para o outro no fim de março na Itália, um dos principais epicentros na Europa da crise sanitária e um dos cenários mais dramáticos da pandemia até então.

Dois dias depois, na quinta-feira (21), foi registrado o recorde de confirmações de vítimas da doença em um intervalo de 24 horas: 1.188.

Há uma semana, em 25 de maio, foi atingido um novo marco. O Brasil superou os Estados Unidos no registro diário de mortes: 807 novos óbitos confirmados pelo Ministério da Saúde no mesmo dia em que o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) americano incluiu 620 mortes no balanço oficial.

Questionado sobre quando será o pico da crise sanitária, o secretário substituto de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Macário, evitou fazer previsões. “A gente não trabalha com estimativa de mortes porque a gente prioriza a vida”, afirmou na última sexta-feira (29).

Segundo o sanitarista, a situação crítica nas regiões Norte e Nordeste se deve a um fator de sazonalidade das doenças respiratórias nesses locais, o que deve começar a ocorrer no Sul e Sudeste nas próximas semanas.

Nesta segunda, o o diretor-executivo da OMS (Organização Mundial da Saúde), Michael Ryan, afirmou que o Brasil ainda não viveu o pior da pandemia. “Claramente a situação em alguns países sul-americanos está longe da estabilidade. Houve um crescimento rápido dos casos e os sistemas de saúde estão sob pressão”, disse.

De acordo com o especialista, não é possível saber quando será o pico do número de casos no Brasil. A OMS reforçou que decisões sobre flexibilizar o isolamento social devem ser acompanhadas de um sistema para testar casos suspeitos, rastrear contatos, tratar doentes e isolar os que podem transmitir o vírus.

Sipa USA via AP
Nesta segunda, o o diretor-executivo da OMS (Organização Mundial da Saúde), Michael Ryan, afirmou que o Brasil ainda não viveu o pior da pandemia. 

Testes limitados e fim do isolamento

Apesar de estados como São Paulo, epicentro da crise, terem iniciado medidas de desconfinamento, a testagem no Brasil ainda é limitada. 

Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados na última sexta, foram processados 930.013 testes. Dessa forma, a taxa de testagem é de 4.428 exames por milhão de habitantes. Nos Estados Unidos, o indicador é de 37.188 testes por milhão de habitantes.

Na semana passada, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da OMS nas Américas, recomendou ampliar o acesso aos exames. “Em um País tão grande, de cidades povoadas como Rio e São Paulo, é de importância vital implementar medidas de mitigação, como aumentar os testes e tentar manter o distanciamento social”, afirmou o diretor do Programa de Doenças Transmissíveis da Opas, Marcos Espinal.

Infectologistas e epidemiologistas recomendam o confinamento das pessoas em casa e o distanciamento social, nas atividades essenciais nas ruas e ambientes internos, como formas de conter a transmissão do coronavírus. O isolamento social pode achatar a curva de contaminação — que está em acelerada alta no País neste momento.   

70% dos municípios atingidos pela pandemia

Segundo informações divulgadas pelo ministério nesta sexta, 3.936 (70,7%) dos municípios brasileiros registraram casos de covid-19 e 1.645 (29,5%) confirmaram óbitos causados pela doença. Na terça-feira passada, eram 3.771 cidades afetadas e, em 28 de março, apenas 297.

Considerando dados até 23 de maio, o Brasil registra 1.653 casos por milhão de habitante e 103 óbitos por milhão de habitantes. Apresentação do ministério divulgada nesta sexta com dados de outros países elencou dados para minimizar o cenário da pandemia. De acordo com o documento, o Brasil ocupava 45° lugar em relação à incidência e 124º de mortalidade, ambos indicadores considerando países com mais de 1 milhão de habitantes. 

Até sexta passada, foram contabilizadas 192.8011 hospitalizações por SRAG (síndrome respiratória aguda grave), sendo 65.758 confirmadas para covid-19. Outras 56.535 estão em investigação e o restante se refere a outros vírus respiratórios.

Do total de internações por SRAG, 41.621 evoluíram para óbito, sendo 22.543 confirmados por covid-19. Outras 4.245 mortes estão em investigação, e o restante foi causada por outros vírus respiratórios. 

O ministério não divulga informações atualizadas das mortes ocorridas no dia, apenas mortes confirmadas no dia. Segundo dados divulgados pela pasta nesta terça, 5 de maio é o dia com maior número de óbitos em um único dia: 608. Essas informações são constantemente atualizadas, então há variação dos dados.

Subnotificação da pandemia

A expectativa é que o número atual de óbitos causados pela covid-19 no Brasil seja ainda maior do que os balanços divulgados diariamente devido à demora no resultado dos exames. Como o HuffPost vem noticiando, a lentidão no processamento de testes laboratoriais, que detectam tanto a causa da morte quanto se a pessoa foi contaminada, leva a um atraso nos dados oficiais.

Essa demora também se reflete no número de contaminações no País. Há uma subnotificação de casos confirmados ainda maior devido à limitação de testes de diagnóstico. O exame tem sido direcionado apenas aos casos graves. Desde o início da pandemia no País, a orientação tem sido para que apenas pacientes com sintomas severos procurem o sistema de saúde.

O represamento de resultados chegou ao ponto de haver 93 mil testes que aguardavam análise nos laboratórios públicos estaduais em maio. Já as grandes redes privadas tinham mais de 100 mil exames que ainda não haviam sido incluídos no sistema do ministério no mês passado. Na sexta, a pasta informou que 74,7% dos testes são analisados em até 5 dias.

De acordo com o ministério, todas as análises de mortalidade são feitas a partir do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), em um fluxo que começa na secretaria de saúde municipal, passa pela secretaria de saúde estadual e segue para o ministério.

Apesar de o prazo legal ser de 60 dias, em geral leva de 15 a 30 dias para o ministério receber essa informação, de acordo com o diretor de análise da Secretaria de Vigilância em Saúde da pasta. Além do SIM, o ministério usa o SIVEPGripe para coletar informações sobre óbitos.