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04/07/2020 18:41 -03 | Atualizado 04/07/2020 18:42 -03

Mortes por covid-19 somam 64.265 e número de casos passa de 1,5 milhão

Neste sábado, a OMS afirmou que o uso de hidroxicloroquina produz pouca ou nenhuma redução na mortalidade de pacientes infectados com o novo coronavírus.

Nas últimas 24 horas, o Brasil confirmou mais 1.091 mortes e 37.932 novos casos de covid-19. O País tem agora 64.265 mortos e 1.577.004 infectados pelo novo coronavírus, de acordo com dados coletados pelo Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde) até às 18h deste sábado (4).

O estado de São Paulo continua liderando o ranking de vítimas da pandemia, com 15.996 mortes, seguido pelo Rio de Janeiro (10.624), Ceará (6.411), Pará (5.069) e Pernambuco (5.116). A taxa de letalidade da doença no Brasil é de 4,1%.

Neste sábado, a OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou que interrompeu seus testes com o medicamento para malária hidroxicloroquina e o medicamento combinado contra o HIV lopinavir/ritonavir em pacientes hospitalizados com covid-19, depois de não reduzirem a mortalidade.

“Esses resultados preliminares mostram que a hidroxicloroquina e o lopinavir/ritonavir produzem pouca ou nenhuma redução na mortalidade de pacientes com covid-19 hospitalizados quando comparados ao padrão de atendimento. Os investigadores do estudo de solidariedade interromperão os ensaios com efeito imediato”, afirmou a OMS em comunicado, referindo-se a amplas análises em vários países que a agência está liderando.

A agência da ONU disse que a decisão, tomada por recomendação do comitê de condução internacional do estudo, não afeta outros estudos em que os medicamentos são usados para pacientes não hospitalizados ou como profilaxia. Outro braço do estudo liderado pela OMS está analisando o efeito potencial sobre o covid-19 do remédio antiviral remdesivir, da Gilead.

O governo brasileiro fez uma grande aposta na cloroquina. Além de não ter eficácia científica comprovada, o medicamento aumenta o risco cardíaco, o que pode ocasionar a morte de quem usa. Entretanto, desde 15 de junho, o governo ampliou recomendação de uso para gestantes e crianças com sintomas da covid-19. Na segunda (29), o Ministério da Saúde informou que já foram distribuídas 4,3 milhões de unidades de cloroquina no País. 

Secretário-executivo do ministério, Elcio Franco nega a ausência de evidências científicas. “A cloroquina é uma possibilidade que já se mostrou efetiva conforme referências; inclusive na Índia, é bastante consistente o uso desse medicamento associado a outros”, opinou na segunda. Ele ressaltou que ao longo dos próximos meses estudos demonstrarão quais medicações tiveram maior ou menor efeito sobre o tratamento da doença.

picture alliance via Getty Images

Brasil e o mundo  

Na comparação internacional, o Brasil é o segundo país com mais mortes causadas pela covid-19, de acordo com o mapeamento do Centro de Recursos de Coronavírus da Universidade Johns Hopkins. No início de junho, o Brasil ocupava o quarto lugar no ranking mundial. Ao longo do mês, ultrapassou Itália e Rússia.

Quanto aos diagnósticos, o Brasil é o segundo país com mais casos confirmados de contaminação, atrás apenas dos Estados Unidos, que conta com cerca de 2,8 milhões de casos, segundo o controle da Johns Hopkins.

A diferença das taxas de testagem entre os dois países - 37.188 testes por milhão de habitantes nos EUA e 8.737 por milhão de habitantes no Brasil - é uma evidência da subnotificação da crise sanitária no cenário brasileiro.

Segundo o diretor-executivo da OMS (Organização Mundial da Saúde), Michael Ryan, a porcentagem de testes com resultado positivo no Brasil, de 31%, é um indicador de subnotificação. “Nos países que aplicam grande número de testes, a porcentagem de positivos fica perto de 5%”, afirmou.

O novo coronavírus já causou quase 530 mil óbitos no mundo. São cerca de 11 milhões de casos confirmados, de acordo com dados atualizados neste sábado.